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Esquenta dos mercados

Mercados devem ter dia difícil após queda de ADRs

Tombo do preço petróleo deflagrou queda livre dos recibos de ações da Petrobras em Nova York, ontem

21 de novembro de 2018
7:25 - atualizado às 8:04
Selo esquenta mercados
Há ainda o medo de um “crash” em Wall Street - Imagem: Seu Dinheiro

Bom dia, investidor! A queda livre do ADR (recibos de ações ) da Petrobras em Nova York, ontem, deflagrada pelo tombo do preço petróleo, é sinal de uma abertura difícil para a Bolsa de São Paulo hoje, na volta do feriado. A retirada da cessão onerosa da pauta, no Senado, também só complica as coisas para o papel. Como foco adicional de perigo ao investidor, há ainda o medo de um “crash” em Wall Street, tendo como “start” as ações de tecnologia e a frustração com o FED, o banco central americano,  que não deve interromper tão cedo o ciclo de aperto do juro.

Está longe de ser um consenso dentro do BC americano a intenção de promover uma pausa no aperto monetário, apesar do risco de que a economia dos EUA esteja caminhando para uma recessão.

FED

Ontem à noite, Neel Kashkari , presidente do Fed de Minneapolis, defendeu que o FOMC (Federal Open Market Committee ou Comitê Federal de Mercado Aberto) já pare por aqui, em relação ao corte de juros. Mas declarações na direção contrária do colega John Williams (presidente da distrital de Nova York) acentuam o estresse sobre o impacto econômico.

Na segunda-feira, Williams sinalizou que o juro deve seguir subindo gradualmente, apesar de NY ter se assustado com a desaceleração brusca exibida por um indicador imobiliário, horas antes de seu discurso. O índice NAHB de confiança das construtoras caiu a 60 em novembro, abaixo de outubro (68) e da previsão (67). O dado assusta, porque os números do setor não param de cair há três meses consecutivos e o segmento dos imóveis foi o primeiro a apontar problemas em 2008 e a detonar a crise do subprime.

China

O medo de que o mercado imobiliário possa ser a ponta do novo iceberg coincide com outros focos de risco, como a guerra de tarifas entre EUA e China, para elevar o nível de tensão dos mercados em NY. Ontem à noite, relatório do Escritório do Representante de Comércio dos EUA frustrou a expectativa de que Washington e Pequim se entendam na reunião do G‐20, semana que vem, para por fim à disputa comercial. De acordo com o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a China “não alterou suas práticas comerciais injustas e não razoáveis”.

Urso do mal

No cenário de risco, as ações de empresas de tecnologia são as primeiras a sofrer. As vendas pesadas têm sido puxadas pelas ações da Apple, que ontem ampliaram as perdas, com mais um tombo de 4,79%, cumprindo os prognósticos pessimistas de entrar em território "bear" (zona que marca queda de ao menos 20% desde o seu pico histórico).

Entre as notícias negativas, o jornal The Wall Street Journal informou que a empresa está cortando encomendas dos modelos de Iphone. Na reação imediata, o Goldman Sachs revisou para baixo a perspectiva do papel, de US$ 209 para US$ 182. Junto com a Apple outros papéis aprofundam suas perdas desde as últimas máximas: Nvidia (‐49%), Facebook (‐40%), Netflix (‐36%), Amazon (‐26%) e Google (‐20%). Ou seja, pela primeira vez, o grupo FAANG (Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google) está integralmente em “bear market”.

Petróleo

Ontem, as bolsas em NY deram continuidade às quedas da véspera, apagando os ganhos do ano. O Dow Jones (‐2,21%, a 24.465 pontos) e o S&P 500 (‐1,81%, a 2.641 pontos) fecharam nas mínimas em três semanas, enquanto o Nasdaq (‐1,70%, a 6.908 pontos) voltou ao pior patamar em mais de sete meses.

Paralelamente, o preço do petróleo já acumula queda de 25% desde o inicio de outubro. A espiral de vendas desencadeada pela commodity deflagrou uma onda negativa no setor de energia. Exxon caiu 2,89% e ConocoPhillips, 3,69%.

O novo tombo do petróleo responde ao impasse entre oferta e demanda, acentuado ontem pela disposição de Donald Trump, presidente dos EUA, de não comprar briga com a Arábia Saudita no caso do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi.

ADRs em baixa

Durante o pregão, a Casa Branca divulgou um comunicado reafirmando seu apoio ao governo saudita, acusado da morte, dizendo que os dois países trabalham juntos para “manter os preços do petróleo em níveis razoáveis”. Esvazia‐se assim a chance de os sauditas cortarem a produção na reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo  (Opep), dia 6 de dezembro.

Isso derrubou o ADR de Petrobras (‐5,86%). Outros recibos de ações brasileiros também tiveram um dia muito feio: Vale (‐4,42%) e BRF (‐3,94%) lideraram as baixas e Bradesco (‐4,59%) e Itaú (‐3,36%) completaram a lista das quedas importantes, que prometem pesar hoje.

Dólar

Já o dólar subiu contra o euro (US$ 1,1371), libra (US$ 1,2787) e iene (112,68/US$). Aqui, a moeda americana operou sem a referência de seu principal mercado (SP), cotada a R$ 3,7591, em dia de liquidez muito baixa.

Cessão Onerosa

Foi outro assunto que emperrou no feriado, após o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE) retirar da pauta de votação do Senado o projeto que autoriza a Petrobras a negociar parte da exploração de petróleo no pré-sal com empresas privadas. Com urgência aprovada, o projeto pode voltar hoje, mas não é certeza. As coisas se complicaram, porque os senadores Aécio Neves (PSDB) e Lindbergh Farias (PT) querem apresentar emendas ao texto, incluindo a partilha dos recursos do leilão do pré‐sal com Estados e municípios.

Se o Senado alterar o projeto, ele volta à Câmara, o que provocaria atraso na questão que é urgente. O futuro governo quer realizar o leilão logo no início do ano, porque precisa do dinheiro para cumprir as metas fiscais.

Distrato

Aprovado no Senado o texto‐base do projeto que define regras para a desistência da compra de imóveis na planta, na versão que mantém o pagamento de multa de até 50% do valor do imóvel. Esse ponto ainda poderá ser modificado nas emendas que devem ser votadas hoje.

Reforma salgada

Às resistências do presidente eleito Jair Bolsonaro contra uma privatização acelerada, como defende Paulo Guedes, futuro ministro da economia, somam‐se seus comentários recorrentes, criticando uma reforma da Previdência mais robusta.

Ontem, em reunião com representantes das Santas Casas, em Brasília, o presidente eleito voltou ao tema. Disse que tem dito à equipe econômica que “temos de destravar a economia, não é apenas falar em reforma, que essa reforma que está aí é um pouquinho salgada, não podemos salvar a nação e matar o trabalhador”.

 

*Com informações do Bom Dia Mercado, de Rosa Riscala. Para ler o Bom Dia Mercado na íntegra, acesse www.bomdiamercado.com.br

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