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A presença de pessoas extraordinárias é convexa e antifrágil, no sentido talebiano da coisa; se as conhece, tem muito a ganhar
Eu precisei de cinco minutos para perceber que a Luciana Seabra mudaria a história da Empiricus. No dia em que a entrevistei para trazê-la pra cá, disse pouco depois de a bola rolar: “Você vai vir, vai ficar rica e vai ajudar a Companhia a atingir outro patamar”. Óbvio que ela não acreditou na época.
Quando foi o caso da Bia Nantes lá atrás – nossa, lá se vão dez anos –, nem de entrevista precisei. Percebi a genialidade por um texto que ela escrevera e enviara antes. Numa linda homenagem, ela contou a história em coluna no Seu Dinheiro – diz que me achou meio louco. Pra mim, louco mesmo é quem não consegue perceber o extraordinário num piscar de olhos. Nem sempre se vê mágica no absurdo… Uns dizem que é sensibilidade, sei lá; pra mim, é só obviedade mesmo, a coisa grita pra você.
Não são os casos pessoais que interessam. O ponto aqui é o efeito que uma pessoa excepcional – aqui falo realmente de brilhantismo, o que é bem diferente de ser apenas bom ou “ok” – pode fazer numa trajetória. Vale para o nível profissional – bons chefes mudam a vida da pessoa. Vale para a esfera acadêmica – bons professores definem quem você é. Vale para os investimentos em ações – note como a qualidade do management faz diferença no longo prazo. E vale para a performance dos países. É isso que nos traz aqui hoje.
A presença de pessoas extraordinárias é convexa e antifrágil, no sentido talebiano da coisa. Se você não as conhece, não perde nada, no sentido de que não deixa de possuir algo que já possuía (nunca houve, de fato, a posse daquilo com que não se tem/teve contato; portanto, não há perda). Já se as conhece, tem muito a ganhar. Bem em linha com a definição de antifragilidade e das assimetrias convidativas que perseguimos aqui.
Talvez você me tome com exagero pelas paixões às pessoas. No que eu concordaria de imediato, acrescentando ser essa uma grande motivação. “O amor me move: só por ele eu falo”, diria Dante. E, como Michel de Montaigne, cujos Ensaios são grande fonte de inspiração para esta coluna, “quando puder ser temido, ainda mais me quero fazer amar”.
Peço, por favor, para que prestem a devida atenção no time que está sendo formado por Jair Bolsonaro. A confirmação de Joaquim Levy para a presidência do BNDES é só uma representação de um caso maior, alinhando-se à noção, aqui transmitida previamente, de que o viés liberal do novo governo transcende a figura estrita de Paulo Guedes. Mansueto Almeida, Ana Paula Vescovi, Ilan Goldfajn (ou Beny Parnes ou Mario Mesquita) e Marcos Troyjo formam um timaço capaz de engendrar as reformas estruturais necessárias à convergência da dívida pública a uma trajetória crível e à retomada do crescimento econômico com inclusão social.
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Quem vai fazer isso não são processos, tecnologias ou robôs – são pessoas, entende? E minha visão é que o mercado ainda não se deu conta do impacto que boas pessoas podem causar na recuperação de um país.
Apenas para não passar em branco, explicito a menção honrosa de Sérgio Moro como superministro da Justiça – não somente pela figura em si e pelos impactos imediatos na pasta, o que já seria grande coisa. Mas porque, de forma aparentemente surpreendente, Moro cumpre um papel inclusive no processo de aprovação de reformas – muitas delas têm um caráter impopular. Mas quem vai protestar contra o governo que tem o herói nacional de ministro? Moro é o escudo de Paulo Guedes.
Temos um verdadeiro esquadrão. Se nomear Zé Maria, Vladimir, Sócrates e Casagrande, já podemos lembrar daquele biênio 82-83 e entregar o bicampeonato de um governo reformista, capaz de entrar para o hall of fame brasileiro.
Note que também tínhamos uma verdadeira seleção no início do governo Temer, mas agora é diferente, pois o presidente eleito é popular e tem a legitimidade do voto. O próprio Temer fez muita coisa em termos de reformas liberais e teria inclusive aprovado a Previdência não fosse o escandaloso, em vários sentidos, “Joesleygate”.
Obviamente, planilhas não capturam pessoas. Enjaular a capacidade cognitiva desse pessoal dentro de um Excel (do Eviews ou do Matematica) seria reduzi-los demais – até porque parece um tanto óbvio que quem preenche a planilha muito provavelmente é menos inteligente do que o pessoal, nunca podendo, portanto, contemplar toda a capacidade de um ser superior a si mesmo.
O argumento lembra um pouco aquele do cientista Yaneer Bar-Yam: se um indivíduo controla todo o sistema, então o grau de complexidade do sistema está condicionado ao patamar de complexidade do indivíduo.
Nesse contexto, é curioso como, mesmo dentro dos modelos econométricos clássicos (as camas de Procusto modernas), já se atualiza o crescimento esperado para 2019 para algo em torno de 3 por cento. Em sendo o caso, já seria bastante interessante. Aponto, porém, a possibilidade de ser algo muito maior do que isso – em julho de 2014, quando escrevi O Fim do Brasil, a projeção de consenso para o crescimento de 2015 era de 1 por cento, enquanto terminamos, de fato, com -3,8 por cento; digo isso para mostrar o quão frágeis são essas projeções.
O maior crescimento econômico representaria uma evolução brutal dos lucros corporativos e também apontaria para uma mais rápida convergência da trajetória da dívida brasileira.
Cada vez mais, entendo que as carteiras de investimento devem começar a migrar de nomes defensivos ou cíclicos globais em direção a casos com alta sensibilidade ao PIB. Coisas por muito tempo esquecidas como Duratex, Randon, Mills, Usiminas e até – pasmem, senhoras e senhores! – incorporadoras podem voltar a fazer sentido para o smart money local. Talvez pudesse citar também o quanto o mercado vai se surpreender com a rápida desalavancagem da CSN, mas isso já seria assunto para outro dia.
O que eu realmente preciso falar hoje é sobre o bom resultado de Linx, nome que venho defendendo aqui neste espaço com alguma ênfase. Aliás, vale perder dois minutos analisando os múltiplos das transações desse setor lá fora. Não me surpreenderia ver Linx envolvida num M&A nos próximos dois anos num múltiplo 3x o atual.
“Felipe, você está exagerando.”
Como diria Michael Jordan, “you are what you are”. Ou na versão Withney Houston: “Can't run from myself. There’s nowhere to hide”.
As ideias, quando surgem, aparecem como um exagero, porque elas vêm de forma não estruturada, não obedecem a fórmulas e equações. O cérebro é treinado para imagens, histórias e narrativas. A realidade é bem exagerada e nada comedida, eu não tenho culpa. A verdade, por sua vez, é filha do tempo, não de softwares econométricos.
Mercados iniciam a terça-feira em clima positivo, amparados em recuperação das Bolsas internacionais depois de grande tombo na véspera. Melhora no exterior é amparada por notícia de que o vice-premiê da China poderá visitar os EUA, sinalizando abrandamento da guerra comercial e eventual caminho na direção de algum acordo. Uma natural busca por barganhas depois do banho de sangue de ontem também tempera Wall Street. Petróleo em nova baixa contém otimismo.
Por aqui, atenção para o desempenho das vendas ao varejo, com inesperada contração de 1,3 por cento, ante previsão de estabilidade.
Ibovespa Futuro abre em alta de 0,2 por cento, dólar e juros futuros caem.
Presidentes, políticos, bilionários, atrizes e ganhadores de Prêmios Nobel passaram por essa universidade, unidos pelo lema “Veritas” — a verdade.
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