A Bolsa vai bem, obrigado. Mas há controvérsias sobre o futuro das ações no novo governo
Mercados vivem uma onda positiva desde que Bolsonaro virou favorito para vencer a eleição. Mas o futuro da economia ainda traz muitas dúvidas

É consenso entre os analistas do mercado de que a bolsa teve um salto considerável desde o início da campanha eleitoral, em agosto. Sendo mais específico, esse clima favorável ocorre desde que Jair Bolsonaro se mostrou um candidato mais competitivo e favorito para vencer a disputa.
O que, no entanto, não é consenso entre esses mesmos analistas é a consistência dessa maré positiva da renda variável. Enquanto uns dizem que ainda há espaço para ganhos na bolsa, outros temem que toda essa expectativa se transforme em frustração com um eventual governo Bolsonaro que não consegue aprovar reformas.
Nesta segunda-feira, 22, o jornal O Estado de S. Paulo trouxe duas entrevistas que ilustram bem essa divisão de opiniões que alguns membros do mercado têm sobre o futuro do Brasil.
Embora não inclua uma queda brusca da bolsa no radar, André Perfeito, economista-chefe da Spinelli, alerta que, sem encaminhar uma solução para o problema fiscal do País, o bom momento das ações pode ter perna curta. "O investidor brasileiro cai muito fácil nesse canto da sereia e me irrita a ingenuidade de parte do mercado."
Já para William Leite, responsável pela renda variável da Garde, o mercado de ações ainda pode ser uma oportunidade para o investidor, desde que se tenha um prazo mais longo. Veja trechos da entrevista com os dois analistas:
André Perfeito, Spinelli
Como o fator Bolsonaro influencia a valorização das ações?
Acreditamos que o mercado está precificando menos um governo Bolsonaro, mas antes a derrota do PT. Sabemos pouco ainda sobre as reais intenções do governo Bolsonaro em temas-chave como privatização e reforma da Previdência. Já sobre o candidato petista temos uma maior concretude das propostas, e a possibilidade de o PT não ganhar é um forte estimulante para a Bolsa. Apesar da alta recente, ainda estamos 15% abaixo do pico registrado este ano antes da greve dos caminhoneiros. Em tese, estamos apenas corrigindo.
Leia Também
Há espaço para mais alta?
Tudo depende de como ele e sua equipe encaminharem certas questões. Sabemos que o desafio é grande e o governo está fazendo água faz tempo. A pergunta na mesa é como ele vai enfrentar isso. Ele vai fechar o buraco no casco diminuindo o tamanho do navio ou vai acelerar o barco para não entrar mais água? Parte do mercado não está convencido da conversão de Bolsonaro ao receituário ortodoxo.
Quais os cenários otimista e pessimista para a Bolsa?
Não deve cair muito mais, afinal a Bolsa já foi bastante penalizada nos últimos anos. Apesar do rali recente, o índice ainda está 45% mais baixo que o pico de 2011, se visto em dólares. Há bons motivos para uma correção, mas o perigo reside em acreditar que essa alta é consistente mesmo que não se faça nada.
A Bolsa está cara?
Caro ou barato são termos relativos aos olhos do comprador e o maior comprador no aquário são os estrangeiros. O Brasil está barato nesse sentido e podemos nos beneficiar com a demanda externa, mas cabe aqui muito cuidado. Geralmente, quando "gringo" entra na Bolsa, o índice sobe e cria uma euforia. Mas se entrou, ele "já comprou barato", logo, tem de tomar cuidado para não dar saída para esse mesmo investidor estrangeiro - ou seja, comprar dele depois mais caro acreditando ainda que pode subir mais. O investidor brasileiro cai muito fácil nesse canto de sereia e me irrita a ingenuidade de parte do mercado com isso.
William Leite, Garde
Há um otimismo excessivo?
Achamos que há um fundamento sólido para essa alta da Bolsa. Quando olhamos para o fundamento das empresas listadas, temos visto algumas revisões relevantes de lucro causadas em parte por conta do preço de commodities, mas também por conta de um melhor desempenho operacional. Com base nos últimos balanços e análises macroeconômicas, a expectativa quanto aos resultados melhorou. Com isso, víamos a Bolsa num preço barato, mas faltava apenas uma melhora de confiança para que ela tivesse melhor performance.
O bom humor levou a Bolsa ao pico ou ainda vê espaço para alta?
O mercado já precifica uma vitória de Bolsonaro. Porém, ainda há espaço para uma alta adicional com o início do governo, quando as reformas começarem a serem discutidas. Mas ainda é preciso ter mais clareza sobre o que será feito.
Até onde acredita que a Bolsa pode subir e até onde pode cair?
Num cenário otimista, em que o novo presidente consiga aprovar as reformas necessárias, os juros fiquem num patamar baixo e o País volte a crescer num ritmo mais acelerado, poderia ir para 110 mil pontos. Isso, é claro, se não houver nenhuma turbulência maior vinda do exterior. Num cenário mais pessimista, em que o novo presidente não consiga aprovar as reformas e o País continue nesse ritmo mais lento, acreditamos que a Bolsa ficaria perto dos 75 mil pontos.
Faz sentido para o investidor entrar agora?
Achamos que ainda faz sentido entrar, desde que ele tenha um horizonte longo o suficiente para poder esperar pela maturação do investimento. Recomendamos também cautela na escolha de quais ações comprar pois, após essa alta inicial, já não é mais qualquer ação que representa uma boa oportunidade.
*Com Estadão Conteúdo.
SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL