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Resposta pública à notificação de Mu Hak You a este portal, sobre Gafisa: não vamos nos calar na defesa do investidor

Reafirmamos nosso compromisso de denunciar ameaças aos ganhos dos minoritários na Bolsa (e recomendamos que você leia este conteúdo enquanto é tempo)

Fomos surpreendidos nesta segunda-feira por uma notificação extrajudicial a este portal em nome de Mu Hak You e sua gestora GWI. Nela, os advogados do discreto gestor coreano nos acusam de construir "uma verdadeira empreitada no sentido de desmoralizar, colocar em cheque [sic] e verdadeiramente atingir a figura, imagem e condutas adotadas" por Mu Hak You e pela GWI.

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O documento faz referência ao conteúdo publicado no Seu Dinheiro com o intuito de alertar o investidor minoritário de Gafisa sobre os absurdos que têm acontecido na companhia, em especial a duas reportagens.

Não pretendemos atender ao pedido do investidor coreano de retirá-las do ar, mas sugiro que você leia logo para o caso de sofrermos algum revés na justiça: "Como o desrespeitado gestor Mu Hak You tomou o poder na Gafisa" e "Gafisa: por que você deve manter distância desta ação".

A primeira é uma reportagem escrita pela jornalista Ana Ragazzi, com a propriedade de quem cobre o mercado de capitais brasileiro há 20 anos. E a segunda, uma coluna de Daniel Malheiros, CFA e especialista em mercado imobiliário.

Sobre razoabilidade

Mu Hak You e seus advogados alegam que o tom das matérias produzidas extrapolam totalmente os padrões de razoabilidade aplicáveis à atividade jornalística. No nosso entendimento, é o comportamento do gestor que extrapola os padrões de razoabilidade aplicáveis à atuação no mercado de capitais. E, por isso, cumprimos nosso papel de jogar luz sobre ele.

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No dia 25 de setembro, Mu Hak You tomou o controle da Gafisa, destituiu o conselho de administração da empresa e elegeu um novo, em que ocupa cinco das sete cadeiras.

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Do dia para a noite, as 10 mil pessoas físicas que investiram na empresa passaram de acionistas de uma companhia de capital pulverizado a minoritários, sem direito de escolha, conforme destacou a Ana Ragazzi em sua reportagem. Isso porque, em janeiro de 2018, com 27% das ações da Gafisa, a GWI chamou uma assembleia para alterar uma cláusula do estatuto da empresa, o que claramente viria a prejudicar os minoritários em seguida.

Em companhias sem a figura de um controlador, essa cláusula costuma definir que se um acionista alcançar um percentual relevante de ações, que na prática lhe dê a capacidade de definir os rumos do negócio, ele deve fazer uma oferta por toda a companhia, acrescida de um prêmio. A GWI conseguiu elevar de 30% para 50% esse percentual, se eximindo de ter que recompensar o minoritário pelo rearranjo inesperado.

Jogo de datas

A "condenável atuação" deste portal, segundo a notificação, veio a atingir seu auge com a publicação da matéria "Na (imprudente) recompra de ações da Gafisa, quem vende é Mu Hak You".

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De acordo com o documento, o material publicado no Seu Dinheiro parte de acusações precipitadas e falsas, já que "a GWI não apenas manteve sua posição relevante na Gafisa ao longo dos últimos meses, como veio à [sic] adquirir novas ações ao longo do mês de novembro, chegando ao percentual atual de 42,47% das ações ordinárias da Companhia".

De fato, uma pesquisa no site da B3 mostra a posição de 42,27% para a GWI, declarada em 12 de novembro. Quando a reportagem foi escrita, entretanto, no dia 6 de novembro, o site mostrava uma posição acionária na empresa, atualizada em primeiro de novembro, de 32,07%. Um pouco antes, em 23 de setembro, a GWI havida declarado, em comunicado, deter 37,32% da Gafisa. Ou seja, houve sim uma venda de ações ao longo de outubro por parte da gestora, conforme publicado.

É possível encontrar, no site da CVM, as informações do formulário de referência da Gafisa. Tanto no dia primeiro de novembro quanto no dia 5 de novembro, houve atualizações que destacam a fatia de 32,07% (a que estava informada no site da B3, atualizada em primeiro de novembro e que foi usada na reportagem) para a GWI.

O período de venda coincide com o de recompra pela companhia, constatou a reportagem, fruto de um trabalho competente da jornalista Ana Ragazzi. Para chegar a tal conclusão, ela observou o relatório de negociações com valores mobiliários da construtora realizados por pessoas ligadas à companhia, tais como controladores, conselheiros e diretores. Esse documento é obrigatoriamente divulgado mensalmente pelas companhias abertas, conforme determina a Instrução CVM 358.

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A Gafisa, nesse formulário, divulgou apenas as informações referentes às ações em tesouraria da empresa. Houve um aumento bastante relevante nessa posição no mês de outubro. Em setembro, a Gafisa possuía 1,94% de ações em tesouraria; em outubro, essa fatia subiu para 8,98%. A alta seria possivelmente explicada pela recompra de ações anunciada pela empresa. Essa recompra foi uma das primeiras medidas anunciadas pela gestora GWI ao assumir o controle da companhia.

A recompra foi questionada pelo mercado porque a Gafisa e o setor de construção no Brasil não vivem um bom momento e, dias depois, a empresa anunciou que iria suspender pagamentos a fornecedores. Se não havia dinheiro para fornecedores, como seria possível haver dinheiro para recomprar as próprias ações?

A recompra poderia ser útil para manter as cotações das ações da Gafisa e o maior interessados nisso seria o fundo GWI, principal acionista da empresa.

Direito de resposta

Ao longo do processo, a jornalista ligou mais de uma vez para a assessoria de imprensa da Gafisa e enviou e-mails explicando todas as informações disponíveis e dúvidas. Ela ressaltou que queria entender se a GWI havia ou não vendido ações durante a recompra – pois esta era uma grande dúvida do mercado.

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A assessoria retornou informando que a empresa não iria se manifestar porque estava em período de silêncio pela divulgação do balanço.

Logo, a reportagem usou informações públicas disponíveis e procurou a empresa informando com toda a clareza quais eram as dúvidas do mercado e a necessidade de esclarecimento, por se tratar de assunto bastante sensível.

Quero registrar aqui que mantemos o canal aberto para Mu Hak You e seus sócios na GWI caso ainda queiram nos contar os planos para o futuro da Gafisa.

O que diz o passado

A notificação recebida defende uma tentativa reiterada do Seu Dinheiro de tachar Mu Hak You como "indivíduo supostamente de trajetória negativa". Reiteramos: o investidor coreano tem uma reputação bastante negativa no mercado, tanto nas tentativas de tomar o controle de uma empresa brasileira, quanto na própria gestão de fundos.

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No mercado de fundos, Mu Hak You e sua gestora já trouxeram prejuízos a investidores ao alavancar posições em Bolsa, tornando-se um emblemático e raro caso em que o cotista do fundo não somente perdeu o dinheiro investido como foi chamado a aportar mais para cobrir o prejuízo com a operação irresponsável.

Veja abaixo o gráfico que mostra a derrocada. O fundo chegou a ter patrimônio de R$ 391,82 milhões.

Como diretora de conteúdo do Seu Dinheiro, informo nesta carta pública a Mu Hak You e aos gestores da GWI que manteremos o conteúdo no ar, ao menos enquanto nos for permitido judicialmente, sem retratação.

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Aproveito para reforçar aqui nosso compromisso em denunciar comportamentos que colocam em risco os ganhos do investidor pessoa física em Bolsa. E destaco que usaremos a linguagem necessária para alertar o minoritário sobre tais ameaças.

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