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RISCO NO HORIZONTE

Ata do Copom acende alerta para a inflação; entenda os riscos e quais podem ser os próximos passos do Banco Central

A inflação no Brasil enfrenta riscos elevados com expectativas desancoradas, exigindo política monetária restritiva para garantir a estabilidade futura.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
Imagem: Agência Brasil/Canva - Montagem Maria Eduarda Nogueira

Apesar da moderação na trajetória da atividade econômica no Brasil, a previsão para a inflação continua sendo um dos principais riscos, na avaliação do Banco Central. E, se as expectativas estão desancoradas, ou seja, o mercado não acredita na capacidade de a inflação voltar para dentro da meta, o custo para recuperar essa expectativa é ainda maior.

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O Banco Central publicou, na manhã desta terça-feira (11), a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.) para 14% ao ano.

Na ata, o comitê destaca que o ambiente externo permanece incerto em função da indefinição sobre os termos do acordo para cessar os conflitos armados no Oriente Médio e as consequências na política monetária das economias avançadas.

Além disso, a equipe segue em tom cauteloso em relação a volatilidade de preços de ativos e commodities.

Por isso, o cenário restritivo pode se manter por um tempo maior do que seria necessário caso essa previsão para a inflação no horizonte relevante estivesse ancorada.

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Cenário doméstico

No ambiente doméstico, o Copom avaliou que a atividade econômica segue em trajetória de moderação, como já era esperado. Os indicadores apontam para uma desaceleração na passagem do primeiro para o segundo trimestre de 2026, disseminada entre os componentes de oferta e demanda.

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Apesar disso, a economia ainda apresenta um nível considerado resiliente. Para o Banco Central, o arrefecimento da demanda é importante para reequilibrar a relação entre oferta e demanda e contribuir para a convergência da inflação à meta.

Na política fiscal, o Copom voltou a destacar os efeitos das contas públicas tanto no curto quanto no longo prazo. Segundo a ata, medidas fiscais influenciam a demanda agregada no curto prazo, enquanto a percepção sobre a sustentabilidade da dívida pode afetar o prêmio a termo da curva de juros.

O Comitê afirmou ainda que o enfraquecimento das reformas estruturais, a expansão do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia e aumentar o custo da desinflação.

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No mercado de trabalho, o BC reconheceu que as condições permanecem aquecidas, embora alguns sinais apontem para uma perda de ritmo. A taxa de desemprego segue em níveis historicamente baixos, enquanto o crescimento da ocupação desacelerou.

Os rendimentos médios também perderam força na margem, mas continuam crescendo em termos reais acima da produtividade do trabalho. O Copom afirmou que continuará acompanhando a evolução do mercado de trabalho e seus efeitos sobre os preços.

Na inflação, o Comitê destacou a desaceleração das leituras recentes do índice cheio e das medidas subjacentes. Ainda assim, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima do limite superior da meta, enquanto as medidas de núcleo estão ligeiramente abaixo desse limite.

“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes. Foi ressaltado que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas”, destacaram no comunicado.

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Condução da política monetária

Ao discutir os próximos movimentos da política monetária, o Copom afirmou que os efeitos de uma política contracionista sobre a atividade econômica estão se acumulando gradualmente. Apesar disso, avaliou que a inflação continua pressionada pela demanda e, por isso, é necessário se manter restritivo.

O Comitê também chamou atenção para os choques de oferta, afirmando que não pretende reagir aos efeitos primários desses eventos, mas que poderá agir com firmeza caso surjam efeitos secundários sobre a inflação. Em um ambiente de incerteza elevada e com riscos assimétricos para a inflação, o Copom afirmou que a magnitude do ciclo de flexibilização será calibrada conforme a evolução do cenário.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, aponta.

Um dos principais pontos da ata foi o reforço da preocupação com a desancoragem das expectativas. O Copom afirmou que, em um ambiente como o atual, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo do que seria apropriado em condições de expectativas ancoradas.

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Para o Comitê, a perseverança na condução da política monetária é importante para reancorar as expectativas e reduzir o custo da desinflação em termos de atividade.

Próximos passos

Apesar do corte de 0,25 ponto percentual realizado em agosto, a ata não sinaliza uma trajetória clara para as próximas reuniões. O Copom reforçou que continuará incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário para determinar o grau adequado de restrição.

No cenário de referência, o Banco Central projeta inflação de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, as expectativas do mercado permanecem acima da meta, em 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027.

Assim, embora a desaceleração da atividade e da inflação ofereça algum espaço para a flexibilização monetária, o BC ainda vê riscos relevantes no horizonte. A combinação de expectativas desancoradas, mercado de trabalho resiliente, incertezas fiscais e riscos externos mantém a autoridade monetária em uma posição de cautela.

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