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Fernando Pivetti
Fernando Pivetti
Jornalista formado pela Universidade de São Paulo (USP). Foi repórter setorista de Banco Central no Poder360, em Brasília, redator no site EXAME e colaborou com o blog de investimentos Arena do Pavini.
Novos segmentos de negócios

A Kroton já encontrou oportunidades caso Bolsonaro vença as eleições

Candidato do PSL defende que o ensino a distância seja implantado desde a educação básica até a faculdade

15 de outubro de 2018
14:28 - atualizado às 14:13
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Educação a distância do ensino básico ao superior é uma das propostas de governo de Bolsonaro - Imagem: Shutterstock

As eleições de 2018 ainda não terminaram, mas a Kroton já está pronta para adaptar seus negócios para uma das propostas mais polêmicas de Jair Bolsonaro na educação. E quem pode ganhar com esses movimentos é você, investidor de bolsa.

O candidato do PSL defende que o ensino a distância seja implantado desde a educação básica até a faculdade. Com o chamado EaD, Bolsonaro disse que pretende baratear os custos com a educação no país, além de eliminar o que ele chamou de doutrinação dos alunos. Atualmente existem cursos à distância somente no ensino superior.

Pensando na possibilidade dessa ideia vingar, o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, disse que a companhia já possui planos para entrar no mercado a distância caso essa venha a ser uma demanda de escolas públicas e privadas. Com isso, a ideia do capitão pode acabar trazendo novas frentes de negócios para a Kroton, ampliando suas margens e movimentando o preço dos papéis da companhia na B3.

Vale lembrar que, no começo de outubro, a Ana Paula Ragazzi já tinha alertado aqui no Seu Dinheiro sobre o desempenho positivo das ações de educação durante as eleições. Se você não conferiu essa dica, te deixo como sugestão de leitura.

Foco no ensino médio

Para a Kroton, esse projeto de EaD teria maior espaço de crescimento em disciplinas não-obrigatórias no Ensino Médio. O diretor presidente de Educação Básica da Kroton, Mario Ghio, afirmou que o tema tem sido mais discutido pelo Conselho Nacional de Educação dentro do contexto da reforma do Ensino Médio.

Ghio afirma que existe a defesa de que o EAD seja usado nos temas chamados de "discricionários", que são as disciplinas de fora da grade obrigatória, relacionadas à trajetória de carreira que o aluno deseja seguir. Um aluno de ensino médio que deseja cursar faculdade na área de Saúde, por exemplo, poderia buscar material de ensino a distância sobre o tema.

Mesmo em um eventual governo Haddad, os dirigentes da Kroton acreditam que o programa de mudanças na educação deve continuar. "É um programa de Estado, não de governo", diz Ghio.

Compra da Somos faz parte do jogo

Pensando nas possíveis mudanças da educação no Brasil com Bolsonaro, a aquisição da Somos Educação, concluída na semana passada, favorece ainda mais o ambiente de negócios da Kroton, que ampliou sua atuação no ensino básico, com escolas próprias e editoras de livros didáticos e com oferta de sistemas de ensino e serviços de apoio a escolas privadas.

Vale lembrar que a Kroton também está com um processo de Oferta Pública de Aquisição (OPA) das ações da Somos, que deve ser concluído até maio do ano que vem.

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