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Cotações por TradingView

Afinal, vale a pena comprar as ações de Lojas Renner e Magazine Luiza?

Se você for um seguidor dos mantras do “value investing”, provavelmente não estará interessado em nenhuma das duas – quem procura valor não costuma pagar por crescimento. Assim, é melhor conversar com um mestre chamado Peter Lynch para saber o que fazer

21 de dezembro de 2018
6:02 - atualizado às 15:07
Renner e Magazine Luiza
Renner e Magalu: ações queridinhas podem estar caras demais - Imagem: Montagem Andrei Morais / Estadão Conteúdo

Na coluna da semana passada, falamos sobre múltiplos, Magazine Luiza, Lojas Renner e até um pouco sobre misticismo, quer dizer, fluxos de caixa descontados.

Mesmo falando sobre tudo isso, fiquei te devendo uma resposta objetiva – vale a pena ou não comprar Lojas Renner e Magazine Luiza?

Atualizando os números da semana passada, as ações das Lojas Renner (LREN3) estão negociando a um P/E - relação entre o preço e o lucro (earnings) - de 30,9x e a um Peg - divisão do P/E pela taxa anual de crescimento dos lucros - de 1,4x, considerando o crescimento esperado para os próximos três anos. Já Magazine Luiza negocia a um P/E de 59,4x e a um Peg de 1,8x.

Se você for um seguidor dos mantras do value investing, provavelmente não estará interessado em nenhuma das duas – quem procura valor não costuma pagar por crescimento.

Oráculo de Massachusetts

Assim, é melhor conversar com um mestre chamado Peter Lynch para saber o que fazer.

Hoje com 74 anos, o ex-gestor do Magellan, considerado o maior fundo de investimentos de todos os tempos, é conhecido por ter inventado uma nova estratégia de investimentos – GARP (Growth At a Reasonable Price), ou crescimento a um preço razoável.

O desempenho do Magellan de 1977 a 1990, quando Lynch tocou a brincadeira, fala por si só: retorno anual médio de 29%, batendo o S&P 500 em 11 dos 13 anos – o patrimônio do fundo saiu de US$ 20 milhões para US$ 14 bilhões no período. Não há superlativos suficientes para classificar a performance do cara.

Além de excepcional gestor, Lynch tem uma outra qualidade: seus livros são ótimos e, melhor ainda, extremamente fáceis de ler. Dá para ler “O Jeito Peter Lynch de Investir” em um fim de semana e, te garanto, pode ler sem medo, ele escreve sem grande sofisticação.

Pelo contrário, Lynch escreve para a pessoa física que, segundo ele, está em melhor posição para fazer grandes investimentos do que os gestores profissionais simplesmente porque não precisam prestar contas a ninguém e, por isso, podem se dar ao luxo de ter paciência.

Para ele, seu dia a dia é o melhor gerador de ideias de investimento – aquele shopping que você frequenta, um bom restaurante que está sempre cheio e o banco que, por te cobrar tão caro, só pode ter um lucro absurdo!

Admirar um produto ou serviço é o primeiro passo. Depois, começam as perguntas. Quem produz isso? Quanto ganha? Qual o preço das ações?

Foi dessa forma que ele achou muita de suas tenbaggers – ações cujos valores se multiplicaram por 10x, 20x, 30x em um longo período de tempo. Aliás, desconfio de que, se fosse brasileiro e tivesse cunhado o termo por aqui, teria tido problemas com os obtusos órgãos reguladores brasileiros (onde já se viu falar que uma ação pode se multiplicar por 10?).

A ideia principal da tese de Lynch é achar empresas boas e pequenas, com alto potencial de crescimento e a um preço razoável. Cá entre nós, acho que Lynch teria se maravilhado com a Weg (WEGE3) que, desde 1994, viu suas ações entregarem retorno de 33.229% – uma multiplicação de 333x em 24 anos, ou 27% ao ano.

Tenbagger ou mico

Mas como o Lynch determina o que é um preço razoável?

É aí que entra o tal do Peg Ratio.

Para o Lynch, você pode (e deve!) pagar por crescimento. É o crescimento de lucros que fez a Weg multiplicar seu valor e é o crescimento de lucros que deu a rentabilidade impressionante de Magazine Luiza nos últimos três anos.

A questão é nunca pagar demais!

Se você pagar muito caro por um crescimento esperado, vai acabar deixando dinheiro na mesa, e o que era para ser uma tenbagger pode se tornar um mico gigantesco.

A regra de bolso do velhinho de Massachusetts é olhar para o Peg e só comprar se estiver abaixo de 1x. Acima disso, fique longe! Para ele não faz sentido pagar um P/E maior do que o crescimento!

Nem Magalu nem Renner

Por mais que eu goste da Magalu – estou disposto a pagar um pouco mais caro pela qualidade do serviço e agilidade na entrega, fica difícil defender a compra do papel a um Peg de 1,8x. Fica mais difícil ainda se olharmos que a expectativa é de crescimento de 32% ao ano mesmo depois de a empresa já ter crescido exponencialmente nos últimos cinco anos.

Acredito na retomada da economia e do varejo e não tenho nenhuma dúvida na capacidade de execução do time que transformou uma empresa quase falida no maior case de sucesso do e-commerce brasileiro.

Não duvido que a empresa consiga crescer mais do que o previsto, como fez nos últimos trimestres e, por isso, jamais ficaria short (vendido) em Magazine Luiza! Mas também não estou disposto a pagar caro por um crescimento que PODE vir em 2021. O mesmo vale para Lojas Renner.

Em algum momento os resultados vão decepcionar um pouco, os mais otimistas vão se tornar profetas do apocalipse e as ações estarão em um ponto melhor para a compra (ao menos em termos de múltiplos).

Até lá, estaremos de olho!

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