Menu
2018-10-29T12:20:06-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Dívida Pública

Dívida bruta encerra setembro em 77,2% do PIB

Dados fiscais evidenciam o tamanho do desafio fiscal que espera o presidente eleito e sua equipe

29 de outubro de 2018
12:20

Ao longo da semana passada tratamos do desafio fiscal do presidente eleito, e os dados do Banco Central (BC) apenas reforçam esse quadro. A dívida bruta do setor público encerrou setembro em 77,2% do Produto Interno Bruto (PIB), recuo marginal sobre os 77,3% de agosto, mas ainda rondando as máximas da série histórica iniciada em 2006. E a trajetória esperada para o fim do ano é de piora já que sazonalmente os déficits primários são maiores no último trimestre.

O endividamento líquido, que considera os ativos da União, subiu de 51,2% do PIB em agosto para 52,2% do PIB no mês passado. Segundo o chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, a flutuação de curto prazo da dívida líquida reflete a movimentação do câmbio.

O principal ativo considerado no cálculo da dívida líquida é a reserva internacional. Quando há desvalorização do dólar, como visto no mês passado, há uma pressão de alta sobre a dívida líquida, pois os ativos representam menos reais quando convertidos.

Resultado primário

Em setembro, o déficit primário (receita menos despesas, sem considerar juros) do governo foi de R$ 24,621 bilhões. No ano, o déficit soma R$ 59,321 bilhões, menor que os R$ 82,110 bilhões vistos em igual período do ano passado. A meta do ano é de R$ 161,3 bilhões, mas o governo já indica que o resultado pode ser melhor, na casa dos R$ 125 bilhões.

Segundo Rocha, essa redução do déficit primário no acumulado do ano reflete um aumento de receitas de cerca de 6% em termos reais, enquanto que as despesas apresentaram crescimento menor, de 2,3%.

“Essa redução do déficit é um passo em termos de consolidação fiscal, mas quando se olha a evolução do endividamento, déficits contribuem para o aumento da dívida. A consolidação precisa passar de resultados deficitários para superávits para estabilizar o crescimento da dívida e posteriormente reduzi-la”, explica.

Medido em 12 meses, o déficit primário está em R$ 87,794 bilhões, ou 1,29% do PIB. A esse valor se soma um gasto com juros de R$ 401 bilhões (5,9% do PIB) e chega-se a um déficit nominal de R$ 488,835 bilhões, equivalente a 7,2% do PIB.

Olhando os números por dentro, o esforço fiscal do governo federal, que soma R$ 102,397 bilhões em 12 meses até setembro, é totalmente consumido pelos gastos com a Previdência, que mostra um déficit de R$ 196 bilhões. No fim de 2017, o superávit do governo federal era de R$ 64,7 bilhões e o déficit previdenciário estava em R$ 184,442 bilhões. Os números ilustram a importância da reforma do sistema previdenciário para um melhor equilíbrio das contas públicas.

Em entrevistas recentes, Paulo Guedes, futuro ministro do presidente eleito Jair Bolsonaro, voltou a dizer ser factível zerar o déficit primário em um ano. A tarefa não é nada fácil mesmo que o déficit deste ano fique abaixo do projetado. Seria necessário um brutal corte de gastos, que se mostra pouco factível em função do limitado volume de despesas discricionárias, e/ou um forte aumento de impostos. Guedes tem falado em utilizar receitas com privatizações para ajudar nessa redução do déficit, mas um plano de venda de ativos públicos ainda não foi detalhado.

Perguntado se o plano de Guedes é factível e sustentável, Rocha disse que o BC não tem participado e não feito comentários sobre os temas das campanhas eleitorais. Além disso, lembrou Rocha, o órgão responsável pela sustentabilidade da política fiscal é o Ministério da Fazenda e não o Banco Central.

Swaps e conta de juros

A conta de juros em setembro foi de apenas R$ 14,552 bilhões, contra R$ 60 bilhões em agosto. A razão dessa queda é o resultado das operações com swaps cambiais. De forma simplificada, quando o dólar cai, o BC é ganhador com as operações que realiza para dar proteção cambial ao mercado.

Mês passado, houve um ganho de R$ 12,8 bilhões com os swaps, após uma perda de R$ 28,6 bilhões em agosto, mês de alta na cotação da moeda americana.

Sem o efeito de swaps, em agosto, as despesas de juros seriam de cerca de R$ 31,5 bilhões, em setembro, fazendo o mesmo exercício, o resultado ficaria ao redor de R$ 27,4 bilhões. Grosso modo, a conta de juros mostra relativa estabilidade.

Como há redução da conta de juros, isso também transparece no resultado nominal, onde o déficit do mês passado foi de R$ 39,173 bilhões em comparação com R$ 76,9 bilhões em agosto.

Elasticidades

O BC também atualizou as elasticidades da dívida líquida e apresentou, pela primeira vez, os números para a dívida bruta. As elasticidades captam o impacto dos indexadores, câmbio, juros e inflação, sobre o endividamento.

Na dívida líquida, cada variação cambial de 1% afeta a dívida em direção contrária em 0,16 ponto do PIB, ou R$ 10,7 bilhões. No caso do juro, uma variação de 1 ponto, mantida por 12 meses, tem impacto de 0,42 ponto do PIB, ou R$ 28,2 bilhões. Para cada variação na inflação de 1 ponto, mantida por 12 meses, o impacto é de 0,14 ponto do PIB, ou R$ 9,6 bilhões.

Para a dívida bruta, uma variação cambial de 1% tem impacto de 0,1 ponto do PIB, ou R$ 4,7 bilhões. Um aumento de 1 ponto no juro, mantido por 12 meses, impacta o endividamento em 0,39 ponto do PIB, ou R$ 26,5 bilhões. No caso da inflação, para cada variação de 1 ponto, mantida por 12 meses, há impacto de 0,14 ponto, ou R$ 9,7 bilhões.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

O cliente voltou

EUA retomam importação de carne in natura do Brasil

Até o momento, os americanos vinham comprando apenas carne enlatada do Brasil

Mudou de vez

Grupo Pão de Açúcar conclui migração para o Novo Mercado da B3 e ações PN deixarão de ser negociadas

Empresa anunciou ainda o início da negociação de ADRs na Bolsa de Valores de Nova York

Enfim, a decisão

Azul fecha acordo para a compra da TwoFlex por R$ 123 milhões

Proposta já havia sido comunicada ao mercado em 14 de janeiro deste ano, mas só agora foi definida

Seu Dinheiro na sua noite

Mamãe eu quero, mamãe eu quero dólar…

Quem me acompanha há algum tempo aqui na newsletter já deve me conhecer o suficiente para não se chocar com a revelação que vou fazer a seguir: eu não sou um grande fã de Carnaval. Mas se você curte sair nos blocos que vão invadir as ruas da cidade e fazer outras estripulias nos próximos […]

De olho no comércio

Procon vê irregularidades em fixação de preço nas lojas da Swift, da JBS

Produtos apresentavam apenas o valor do quilo, obrigando consumidor a fazer cálculos para saber quanto custa cada peça

Recorde atrás de recorde

Dólar sobe pelo quinto dia, cruza pela primeira vez os R$ 4,40 e avança mais de 2% na semana

Pressionado pela aversão ao risco no exterior e pela cautela com o cenário político doméstico, o dólar à vista atingiu novas máximas na semana e rompeu a barreira dos R$ 4,40 no momento de maior tensão. O Ibovespa também teve uma semana de maior estresse, recuando 0,61% desde segunda-feira

Enfim, consenso

Petrobras sela acordo com funcionários e põe fim à greve que durou 20 dias

Acordo foi possível após reunião de conciliação que começou na manhã desta sexta-feira

ONDE INVESTIR

Vale a pena investir em Ações Microcaps?

Max Bohm explica por que ele acredita que comprar as pequenas notáveis da bolsa é o melhor investimento do mundo.

Epidemia mundial

Coronavírus aumenta impacto sobre produção do setor eletroeletrônico, diz Abinee

57% das empresas associadas já enfrentam problemas no recebimento de materiais, componentes e insumos

Texto pronto!

Bolsonaro assina proposta de reforma administrativa que enviará após o carnaval

Presidente retirou do texto analisado a proibição ao servidor público de se filiar a partido político

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements