Como ficam as ações das redes de farmácias em um mundo pós-coronavírus? A XP Investimentos responde
Mudanças no padrão de comportamento e consumo ditam o ritmo das transformações no setor. Confira as principais apostas dos analistas da XP Investimentos
O brasileiro finalmente conseguiu emendar o carnaval no Natal, mas não da forma como gostaríamos. Trancados em casa desde março, a verdade é que nem vimos o ano de 2020 passar. Essa semana mesmo fiquei surpresa ao constatar que já estamos quase no meio de novembro.
Não tem mais jeito, o ano está acabando e chegou a hora de começar a olhar para 2021 com mais atenção.
Os problemas de 2020 não irão desaparecer à meia-noite do dia 31 de dezembro, mas eles certamente serviram para construir um 2021 melhor. A crise do coronavírus obrigou todo mundo a repensar prioridades e aspectos da vida cotidiana.
Depois de viver o efeito devastador de uma pandemia, os consumidores estão encarando de outra forma o consumo e comportamento. Em primeiro plano, claro, ficou a preocupação com a saúde e bem-estar. Logo em seguida, a necessidade de encontrar o maior número possível de serviços online. E isso não deve mudar tão cedo.
O setor farmacêutico é um dos que tiveram que se adaptar com 'a bola rolando'. Com restrições nas lojas, adiamento de procedimentos eletivos, uma temporada de crise mais branda e menos pessoas circulando pelos estabelecimentos, as farmácias sofreram.
O desafio, no entanto, parece ter sido superado. As empresas vêm mostrando bons resultados no terceiro trimestre e devem seguir o movimento de recuperação. Tanto é que os analistas de Varejo da XP Investimentos estão otimistas e com uma visão construtiva para o setor.
Leia Também
Segundo o IQVIA (referência global de informações na área de saúde), o mercado varejista farmacêutico brasileiro tem espaço para crescer 4,1% em 2020 e 10,3% em 2021.
Pensando em investir no setor? Em relatório que marca a retomada da cobertura do setor de farmácias pela corretora, os analistas Danniela Eiger, Marco Nardini e Thiago Santos contam quais as tendências que devem ditar o mercado no ano que vem e que você deve ficar de olho.
Saúde em primeiro lugar
Quando se vive em meio a uma pandemia, o cuidado com a saúde e bem-estar tende a ser maior. Talvez tenhamos aprendido isso da pior forma, mas as farmácias tendem a se favorecer desse movimento.
Agora, os consumidores estão preocupados com o aparecimento de possíveis doenças e querem fazer de tudo para evitar adoecer.
Esse comportamento 'preventivo' já tem feito as farmácias investirem em um mix de produtos cada vez maior. A tendência é que elas se tornem verdadeiras unidades de saúde, com serviços diversos que vão desde testes rápidos para detecção de doenças, até alimentos, bebedas e claro, medicamentos.
Levando em consideração essa tendência, os analistas acreditam que a Raia Drogasil e a Pague Menos são as empresas que mais têm condições de se beneficiar do movimento.
Elas se anteciparam e já durante a pandemia passaram a atuar de forma mais completa. Atualmente, 65% das lojas da Raia já aplicam injetáveis e 42% oferecem testes para a covid-19. Na rede da Pague Menos, mais de 65% das unidades já possuem uma sala 'Clinic Farma'.
Para os especialistas do setor, a farmácia do 'novo normal' deve resgatar o papel do farmacêutico e funcionar como uma verdadeira loja de conveniência da saúde.
Digital marcante
Uma boa estrutura das lojas é essencial, mas não é a única coisa. Impossibilitada de sair de casa, o e-commerce foi a solução encontrada por grande parte da população, que não deve abandonar a nova prática com o fim das restrições impostas pelo distanciamento social.
Para a XP Investimentos, atuar em mais de um canal é essencial para o sucesso nos próximos anos. Mais uma vez, a Raia Drogasil e a Pague Menos saem na frente das concorrentes.
"O futuro é claramente omnicanal, e as farmácias que não oferecem isso ao consumidor terão dificuldades".
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADECONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Consolidação e competição
Não precisa ser nenhum gênio ou acompanhar de perto o setor de saúde para reparar que as farmácias estão em uma competição intensa.
Vira e mexe é possível encontrar mais de uma na mesma rua e o ritmo acelerado de expansão acaba até virando piada na internet.
Longe de ser um mercado saturado, a XP Investimentos vê espaço para mais consolidação no setor e não está preocupada com a dinâmica competitiva no curto prazo.
O tendência de envelhecimento da população brasileira é um ponto a ser considerado. O número de idosos no Brasil, que hoje é de 60 milhões, deve dobrar até 2050 - o que tende a favorecer as empresas do setor, já que é uma faixa de idade com maior probabilidade de desenvolver doenças crônicas e ter um consumo maior de remédios.
A XP vê um cenário onde as novas inaugurações não devem superar a demanda, já que nos últimos dois anos as companhias focaram em aumentar a produtividade de suas unidades, fechando lojas e desacelerando a expansão - afinal, um mercado saturado não é de interesse de ninguém.
A consolidação do mercado, no entanto, ainda precisa caminhar mais. Atualmente, um terço do mercado está nas mãos das mesmas cinco empresas. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, três empresas principais dominam o setor.
Para os analistas, a estratégia de apostar em formatos menores e mais populares deve acelerar o processo. "A concorrência tende a ser principalmente com redes independentes e/ou menores, que são muito menos estruturadas, capitalizadas e oferecem um mix de produtos com menor sortimento", explicam.
Genéricos em alta
A tendência de crescimento no uso de genéricos é outra boa notícia para o setor, já que eles abrem a porta para o crescimento da margem. A XP Investimentos vê potencial elevado de avanço desse mercado: enquanto no Brasil o segmento representa apenas um terço das vendas, no exterior os genéricos chegam a dominar 70% do mercado.
"Estimamos que, para cada 1 p.p. de participação (% das vendas) que os genéricos ganham de medicamentos de marca, as margens brutas aumentam em aproximadamente 0,3 p.p.."
Último, mas não menos importante...
Em qualquer que seja o segmento, só se fala dele. O ESG (que pesa ações ligadas ao Meio Ambiente, o Social e a Governança) é a tendência do momento no mercado e tem um peso cada vez mais maior na tomada de decisões dos investidores.
O setor de farmácias não fica de fora dessa. Para a corretora, o Social é o que mais pesa para as empresas do segmento, já que têm um papel importante para desempenhar quando o tema é saúde e devem realizar um movimento para melhorar os acessos aos cuidados básicos e aumentar a acessibilidade dos medicamentos - o que não é uma tarefa fácil quando também é preciso manter as suas margens.
Em um outro relatório recente que analisa como cada uma das empresas do setor está posicionada com relação ao ESG, a corretora destaca que a Raia Drogasil vem se destacando, principalmente apoiada em ações sustentáveis - como a redução da pegada de carbono - e uma ótima governança corporativa.
Enquanto isso, a Pague Menos parece ter abraçado a causa da diversidade de gênero e a d1000 precisa avançar em questões relacionadas a governança.
Qual a melhor?
Os analistas, no entanto, ressaltam: a Pague Menos é a preferência da casa no setor. "Acreditamos que a companhia oferece o maior potencial de ganhos para os investidores (54%), que deve ser concretizado à medida em que a empresa entregue ganhos de eficiência operacional".
Confira um resumo das indicações da XP Investimentos para o setor de farmácias em 2021.

Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos
Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano
Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha
A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro
Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP
Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real
Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal
Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais
3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley
O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar
Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro
Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira
Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?
No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%
LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro
Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana
R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista
Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias
Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana
O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo
Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques
Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas
Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking
Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel
De olho na alavancagem, FIIs da TRX negociam venda de nove imóveis por R$ 672 milhões; confira os detalhes da operação
Segundo comunicado divulgado ao mercado, os ativos estão locados para grandes redes do varejo alimentar
“Candidatura de Tarcísio não é projeto enterrado”: Ibovespa sobe e dólar fecha estável em R$ 5,5237
Declaração do presidente nacional do PP, e um dos líderes do Centrão, senador Ciro Nogueira (PI), ajuda a impulsionar os ganhos da bolsa brasileira nesta quinta-feira (18)
‘Se eleição for à direita, é bolsa a 200 mil pontos para mais’, diz Felipe Miranda, CEO da Empiricus
CEO da Empiricus Research fala em podcast sobre suas perspectivas para a bolsa de valores e potenciais candidatos à presidência para eleições do próximo ano.
Onde estão as melhores oportunidades no mercado de FIIs em 2026? Gestores respondem
Segundo um levantamento do BTG Pactual com 41 gestoras de FIIs, a expectativa é que o próximo ano seja ainda melhor para o mercado imobiliário
Chuva de dividendos ainda não acabou: mais de R$ 50 bilhões ainda devem pingar na conta em 2025
Mesmo após uma enxurrada de proventos desde outubro, analistas veem espaço para novos anúncios e pagamentos relevantes na bolsa brasileira
Corrida contra o imposto: Guararapes (GUAR3) anuncia R$ 1,488 bilhão em dividendos e JCP com venda de Midway Mall
A companhia anunciou que os recursos para o pagamento vêm da venda de sua subsidiária Midway Shopping Center para a Capitânia Capital S.A por R$ 1,61 bilhão
Ação que triplicou na bolsa ainda tem mais para dar? Para o Itaú BBA, sim. Gatilho pode estar próximo
Alta de 200% no ano, sensibilidade aos juros e foco em rentabilidade colocam a Movida (MOVI3) no radar, como aposta agressiva para capturar o início do ciclo de cortes da Selic
Flávio Bolsonaro presidente? Saiba por que o mercado acendeu o sinal amarelo para essa possibilidade
Rodrigo Glatt, sócio-fundador da GTI, falou no podcast Touros e Ursos desta semana sobre os temores dos agentes financeiros com a fragmentação da oposição frente à reeleição do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva
