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O colchão financeiro deve ser o primeiro objetivo financeiro de qualquer pessoa; mas quanto dinheiro deixar na reserva de emergência, afinal?
Agora que investimento virou tema de conversa de bar e almoço de família, quem tem condição de guardar algum dinheiro já está mais ou menos familiarizado com a expressão "reserva de emergência".
Mas a verdade é que esse assunto é pouco sexy diante da concorrência de tópicos como bolsa de valores e criptomoedas.
As pessoas parecem mais interessadas em saber quais ações podem decolar diante da perspectiva de crescimento da economia brasileira ou em como investir em bitcoin do que em começar do começo: ter um colchão financeiro aplicado em investimentos bem tranquilinhos para situações de emergência.
A verdade é que, mesmo no mundo dos investimentos, se começa de baixo. Não dá para começar a investir se você tem dívidas de juros altos, como a do cartão de crédito; também não dá para começar a comprar em ações, debêntures e cripto se você não tem o básico: uma reserva de emergência.
Então antes de alçar voos maiores, é essencial fazer o dever de casa: juntar uma boa reserva financeira, nem que isso leve certo tempo, e mantê-la aplicada em investimentos conservadores, mesmo que eles não rendam muito.
É o famoso “dinheiro em caixa”. Assim, quando falamos de caixa, estamos falando justamente da reserva de emergência, e não de dinheiro parado na conta-corrente.
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Somente depois de completar a sua reserva de emergência é que os recursos que você conseguir poupar devem ser destinados à chamada diversificação.
Em outras palavras, só o que você juntar além da reserva de emergência deve ir para investimentos com mais risco e com a capacidade de render acima da renda fixa tradicional, como ativos de crédito privado, renda variável, fundos multimercados e até criptomoedas.
Antes de mais nada, quero que fiquem bem claros os objetivos e a importância da reserva de emergência.
Ela se destina a situações como a manutenção do padrão de vida no caso da perda de um emprego; problemas de saúde graves na família; urgências domésticas, como a necessidade de fazer um conserto ou obra emergencial em casa ou no carro, e assim por diante.
Se você precisar mexer na sua reserva de emergência, deve começar a repor esses recursos assim que puder voltar a poupar.
Especialistas recomendam que a reserva de emergência seja suficiente para cobrir os seus gastos por, no mínimo, três meses, mas eu acho esse prazo muito curto.
Eu recomendaria pelo menos um ano, uma vez que, no caso de desemprego, a recolocação no mercado de trabalho pode demorar.
Certa vez eu conversei com uma planejadora financeira que atende famílias com grandes fortunas, e ela foi ainda mais conservadora.
Para ela, quem ainda está construindo patrimônio deve manter o equivalente a três anos de despesas na reserva de emergência.
Já aquelas famílias que já têm um grande patrimônio devem reservar o equivalente a pelo menos cinco anos de despesas, uma vez que esse é o prazo médio dos ciclos econômicos e das crises.
Os recursos da reserva de emergência devem ficar aplicados em investimentos de baixo risco de crédito e alta liquidez, isto é, aplicações seguras e que possam ser resgatadas a qualquer momento.
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