Menu
2018-12-05T16:15:13+00:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Câmbio

Novembro marca maior saída de dólares do país em 10 anos

Fluxo cambial foi negativo em US$ 6,6 bilhões no mês passado, embasando atuações do Banco Central no mercado à vista. No mercado futuro, estrangeiro tem “aposta” recorde de US$ 41 bilhões contra o real

5 de dezembro de 2018
14:58 - atualizado às 16:15
Dólares
Imagem: Shutterstock

Os dados do Banco Central (BC) sobre o fluxo cambial confirmam o que se falava nas mesas de operação no fim do mês passado. A saída de dólares superou a entrada em expressivos US$ 6,614 bilhões. As retiradas se concentram na conta financeira, com saque de US$ 12,987 bilhões, enquanto a conta comercial registrou ingresso de US$ 6,373 bilhões.

Tal resultado negativo para o fluxo cambial é o maior do ano e se considerarmos apenas meses de novembro, essa foi a maior saída líquida desde 2008, quando US$ 7,159 bilhões deixaram o país.

Nos meses de novembro e principalmente dezembro há um aumento na remessa de dólares para fora do país conforme as empresas fecham seus balanços. Normalmente o grosso do dinheiro é remetido em dezembro, mas parece ter acontecido uma antecipação agora em 2018, percepção que poderá ser confirmada ao longo das próximas semanas. Outra sazonalidade também atinge o mercado, a redução dos embarques de exportação, principalmente da área agrícola. Já os meses de janeiro, por exemplo, são de fluxo positivo.

Em novembro do ano passado, o fluxo tinha sido negativo em apenas US$ 636 milhões, mas em dezembro a saída tinha aumentando para US$ 9,331 bilhões. No acumulado de 2018, no entanto, o fluxo cambial ainda é positivo em US$ 11,761 bilhões.

Atuação do BC

Diante desse aumento de demanda, o Banco Central (BC) realizou atuações no mercado à vista, provendo liquidez via leilões de linha com compromisso de recompra. Nessa modalidade há uma espécie de empréstimos dos dólares que retornam ao BC em data definida.

O primeiro leilão ocorreu na terça-feira da semana passada, depois que o dólar tinha dado um salto de 2,6% na segunda-feira, indo a R$ 3,92. No mesmo dia da atuação, terça-feira, o fluxo foi negativo em US$ 2,675 bilhões, quase que exclusivamente pela conta financeira. Mas no dia da disparada do dólar, de 2,6%, o fluxo foi negativo em apenas US$ 573 milhões, evidenciando que expectativas e outros vetores são mais relevantes que o movimento efetivo de capital para ditar o preço.

 "O leilão de linha é para prover liquidez ao mercado de câmbio, como é normal nesta época do ano", disse o BC, por meio de sua assessoria, quando retomou os leilões.

Da semana passada até ontem, o BC somava três leilões de linha, totalizando US$ 4 bilhões, e uma rolagem de linhas que tinham sido ofertadas em agosto, no montante de US$ 1,25 bilhão. Esse dinheiro deve retornar ao BC entre fevereiro e março de 2019.

Esse fluxo negativo de recursos se refletiu na posição dos bancos no mercado à vista de câmbio. A posição vendida subiu de US$ 5,659 bilhões no fim de outubro para US$ 11,827 bilhões no fim do mês passado. Normalmente, os bancos são os provedores de liquidez ao sistema financeiro, com o BC entrando apenas em momentos atípicos, quando há grande concentração de saída ou quando as condições não permitem que os bancos locais usem suas linhas externas para prover dólares ao mercado local.

Mercado futuro

Normalmente, a formação de preço da moeda ocorre no mercado futuro, onde o volume de operações é substancialmente maior. É lá que comprados, que ganham com a alta do dólar, e vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.

No fim de novembro, os estrangeiros apresentavam posição comprada de US$ 37,711 bilhões em dólar futuro e cupom cambial (DDI, juro em dólar). Os bancos estavam vendidos em US$ 14 bilhões e os fundos de investimento também tinham posição vendida de US$ 25,25 bilhões.

Neste começo de dezembro, os estrangeiros ampliaram essa posição comprada. No fechamento do pregão de terça-feira, o estoque comprado estava em US$ 41,111 bilhões, novo recorde. Na ponta oposta, estavam os fundos, com US$ 26 bilhões e os bancos com outros US$ 16,5 bilhões.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
CUIDADO COM OS ATRAVESSADORES

Onde está o seu iate?

Está na hora de tirar os intermediários do processo de investimento para deixar o dinheiro com os investidores

Apoio declarado

Em podcast, Maia diz que decisão do governo de transferir Coaf para BC é boa

Presidente da Câmara afirmou também que a Casa irá discutir a proposta de autonomia do Banco Central

Seu Dinheiro na sua noite

Belo, recatado e dólar

Foi Edmar Bacha, um dos criadores do Plano Real, quem ensinou a jamais fazer previsões sobre o dólar. É dele a conhecida frase de que a taxa de câmbio foi criada por Deus apenas para humilhar os economistas. Hoje foi um típico dia de humilhação para quem acompanha o mercado financeiro. Mesmo com o noticiário […]

Google e Facebook na mira

Procuradores dos EUA preparam investigação antitruste de gigantes de tecnologia

Investigações devem se concentrar no uso de algumas plataformas de tecnologia dominantes para ofuscar a concorrência

Dança das cadeiras

Receita confirma substituição do subsecretário-geral João Paulo Ramos Fachada

Servidor de carreira, Fachada era o número dois da Receita e é, na prática, o responsável pela gestão do dia a dia do Fisco

Agilidade

Líder do governo defende votar reforma tributária em 45 dias no Senado

Se executado, o prazo coincidiria com a tramitação da reforma da Previdência na Casa

Grupo das aéreas

Avianca Brasil deixará Star Alliance em setembro

Com o movimento, a rede global de companhias aéreas não terá mais empresas brasileiras entre seus membros

Enquanto isso, no Congresso...

Projeto de Lei que reduz para 1% royalties de campos de petróleo marginais avança no Congresso

PL 4663/2016, de autoria de Beto Rosado (Progressista/RN) propõe cortar de 10% para 1% o royalty sobre a produção de campos marginais

BR Distribuidora na conta

Postos ‘bandeira branca’ ganham força e geração de caixa de gigantes de distribuição decepcionam no 2º tri

No centro do problema, as gigantes do setor BR Distribuidora, Raízen Combustíveis e Ipiranga apontaram um vilão em comum: a crise econômica

Expectativas

Vice-presidente da Toyota Brasil diz que venda direta deve chegar a 50% no país em 2019

Vendas diretas são como o setor chama os veículos vendidos pelas montadoras diretamente para os clientes

Comércio com o exterior

Balança comercial tem superávit de US$ 701 milhões na terceira semana de agosto

Em agosto, o superávit acumulado é de US$ 1,222 bilhão. Já no total do ano, o superávit é de US$ 29,697 bilhões

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements