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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Câmbio

Dólar dispara e Banco Central oferta liquidez no mercado à vista

Autoridade monetária fará leilão de linha com compromisso de recompra. Serão até US$ 2 bilhões com vencimento em fevereiro e março

26 de novembro de 2018
19:09
Imagem: Shutterstock

Depois da disparada de 2,6% na cotação do dólar, maior em cinco meses, que puxou a taxa de câmbio a R$ 3,9227 no pregão desta segunda-feira, o Banco Central (BC) anunciou uma intervenção no mercado à vista. Serão ofertados até US$ 2 bilhões com compromisso de recompra para os meses de fevereiro e março de 2019.

"O leilão de linha é para prover liquidez ao mercado de câmbio, como é normal nesta época do ano", disse o BC, por meio de sua assessoria.

Todo fim de ano se intensificam as remessas de moeda para fora do país conforme as empresas estrangeiras fecham os balanços do ano. Entre novembro e dezembro do ano passado, por exemplo, o fluxo financeiro foi negativo em cerca de US$ 18 bilhões.

Pelo menos desde 2011, o BC atua com leilões de linha com compromisso de recompra entre os meses de novembro e dezembro para acomodar esse sazonal fluxo de saída.

Um sinal de que a demanda por dólar à vista está aumentando vem do comportando do FRA de cupom cambial. De forma simplificada, quando a taxa de curto prazo sobe é sinal de que a procura por moeda americana está aumentando. As taxas para janeiro e fevereiro, por exemplo, voltaram a se aproximar dos 4%, vindo de mínimas na linha dos 3,4% no fim de outubro.

Esse volume de US$ 2 bilhões ofertados ao mercado em leilão nesta terça-feira é "dinheiro novo". Até o fim da semana, o BC deve se pronunciar sobre o vencimento de US$ 1,25 bilhão em leilão de linha feito no fim de agosto com vencimento no começo de dezembro.

Nessa modalidade de atuação, o BC oferta uma espécie de financiamento ao mercado, “emprestando” os dólares das reservas internacionais que posteriormente serão devolvidos à autoridade monetária. Essa atuação reduz a pressão nas taxas do FRA de cupom cambial, tentando trazer o mercado de volta à normalidade.

Swaps cambiais

No mercado futuro, o BC segue com a rolagem integral dos US$ 12,2 bilhões em swaps cambiais que vencem no começo de dezembro. Esses contratos equivalem à venda de dólares no mercado futuro.

Até o fim da semana, o BC também deverá acenar qual será a estratégia para os swaps que vencem em janeiro. O estoque vincendo é de US$ 10,3 bilhões e deve ser rolado ao longo do mês de dezembro.

Quando o BC faz a rolagem integral dos swaps ele se mantém “neutro” no mercado futuro. Atualmente o estoque de swaps está na casa dos US$ 68,8 bilhões.

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