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Fluxo cambial foi negativo em US$ 6,6 bilhões no mês passado, embasando atuações do Banco Central no mercado à vista. No mercado futuro, estrangeiro tem “aposta” recorde de US$ 41 bilhões contra o real
Os dados do Banco Central (BC) sobre o fluxo cambial confirmam o que se falava nas mesas de operação no fim do mês passado. A saída de dólares superou a entrada em expressivos US$ 6,614 bilhões. As retiradas se concentram na conta financeira, com saque de US$ 12,987 bilhões, enquanto a conta comercial registrou ingresso de US$ 6,373 bilhões.
Tal resultado negativo para o fluxo cambial é o maior do ano e se considerarmos apenas meses de novembro, essa foi a maior saída líquida desde 2008, quando US$ 7,159 bilhões deixaram o país.
Nos meses de novembro e principalmente dezembro há um aumento na remessa de dólares para fora do país conforme as empresas fecham seus balanços. Normalmente o grosso do dinheiro é remetido em dezembro, mas parece ter acontecido uma antecipação agora em 2018, percepção que poderá ser confirmada ao longo das próximas semanas. Outra sazonalidade também atinge o mercado, a redução dos embarques de exportação, principalmente da área agrícola. Já os meses de janeiro, por exemplo, são de fluxo positivo.
Em novembro do ano passado, o fluxo tinha sido negativo em apenas US$ 636 milhões, mas em dezembro a saída tinha aumentando para US$ 9,331 bilhões. No acumulado de 2018, no entanto, o fluxo cambial ainda é positivo em US$ 11,761 bilhões.
Diante desse aumento de demanda, o Banco Central (BC) realizou atuações no mercado à vista, provendo liquidez via leilões de linha com compromisso de recompra. Nessa modalidade há uma espécie de empréstimos dos dólares que retornam ao BC em data definida.
O primeiro leilão ocorreu na terça-feira da semana passada, depois que o dólar tinha dado um salto de 2,6% na segunda-feira, indo a R$ 3,92. No mesmo dia da atuação, terça-feira, o fluxo foi negativo em US$ 2,675 bilhões, quase que exclusivamente pela conta financeira. Mas no dia da disparada do dólar, de 2,6%, o fluxo foi negativo em apenas US$ 573 milhões, evidenciando que expectativas e outros vetores são mais relevantes que o movimento efetivo de capital para ditar o preço.
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"O leilão de linha é para prover liquidez ao mercado de câmbio, como é normal nesta época do ano", disse o BC, por meio de sua assessoria, quando retomou os leilões.
Da semana passada até ontem, o BC somava três leilões de linha, totalizando US$ 4 bilhões, e uma rolagem de linhas que tinham sido ofertadas em agosto, no montante de US$ 1,25 bilhão. Esse dinheiro deve retornar ao BC entre fevereiro e março de 2019.
Esse fluxo negativo de recursos se refletiu na posição dos bancos no mercado à vista de câmbio. A posição vendida subiu de US$ 5,659 bilhões no fim de outubro para US$ 11,827 bilhões no fim do mês passado. Normalmente, os bancos são os provedores de liquidez ao sistema financeiro, com o BC entrando apenas em momentos atípicos, quando há grande concentração de saída ou quando as condições não permitem que os bancos locais usem suas linhas externas para prover dólares ao mercado local.
Normalmente, a formação de preço da moeda ocorre no mercado futuro, onde o volume de operações é substancialmente maior. É lá que comprados, que ganham com a alta do dólar, e vendidos, que ganham com a queda da moeda, protegem suas exposições em outros mercados e fazem apostas direcionais na moeda americana.
No fim de novembro, os estrangeiros apresentavam posição comprada de US$ 37,711 bilhões em dólar futuro e cupom cambial (DDI, juro em dólar). Os bancos estavam vendidos em US$ 14 bilhões e os fundos de investimento também tinham posição vendida de US$ 25,25 bilhões.
Neste começo de dezembro, os estrangeiros ampliaram essa posição comprada. No fechamento do pregão de terça-feira, o estoque comprado estava em US$ 41,111 bilhões, novo recorde. Na ponta oposta, estavam os fundos, com US$ 26 bilhões e os bancos com outros US$ 16,5 bilhões.
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