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2019-04-02T15:43:43-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Em tempos de juro baixo

Fundos de pensão terão de aumentar em quatro vezes investimento em ativos de maior risco

Afirmação é de Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp, fundação dos funcionários da Cesp, que administra R$ 26,5 bilhões em recursos

2 de abril de 2019
15:43
Ilustração sobre planejamento de aposentadoria
Com juro baixo, fundações terão de correr mais riscos para cumprirem meta atuarial - Imagem: Pomb/Seu Dinheiro

No admirável mundo novo dos juros baixos no Brasil, os fundos de pensão terão de aumentar em até quatro vezes a parcela de investimentos com maior risco para se manterem dentro das metas atuariais. A afirmação é de Jorge Simino, diretor de investimentos da Funcesp.

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Com os títulos públicos pagando hoje ao redor de 4% ao ano além da inflação, os fundos precisarão deter até 20% do patrimônio em uma cesta de ativos como ações, títulos privados e aplicações no exterior.

Com R$ 26,5 bilhões em patrimônio administrado, a fundação dos funcionários da ex-estatal de energia Cesp possui hoje por volta de 15% alocado em ações, mas já chegou a ter 18%.

"Como o ano já demonstrou que deve ser uma montanha russa, não se justifica ter 20% em renda variável", disse Simino, que participa de evento promovido pelo Bradesco BBI, em São Paulo, e em uma referência às incertezas sobre o andamento da reforma da Previdência.

Poucas ações

O aumento da participação dos fundos de pensão em ativos de risco esbarra em outros problemas, como o tamanho do mercado brasileiro.

"Existem 110 papéis pra comprar hoje", afirmou, em uma referência à quantidade de empresas listadas na B3 que possuem liquidez.

Nesse cenário, será inevitável para as fundações investir uma parcela dos recursos no exterior, segundo Simino. As regras permitem aos fundos de pensão aplicarem no exterior há uma década, mas só recentemente alguns entraves que dificultavam a alocação.

Nesse meio tempo, os fundos perderam o maior ciclo de alta dos mercados internacionais. "É como se tivéssemos chegado em uma festa às 4h30 da manhã", diz o diretor da Funcesp.

Risco concentrado

Com R$ 67 bilhões em ativos, a Funcef, fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal, já tem na carteira uma alocação maior em ativos de risco.

O problema da fundação é outro, segundo Paulo Werneck, diretor de investimentos da Funcef. "Temos 12,5% do patrimônio alocado em uma única empresa de mineração", afirmou, em referência à Vale.

Werneck criticou o uso político dos recursos e disse que a função dos administradores dos fundo de pensão não é sentar no conselho de empresas ou fazer investimentos diretos, e sim selecionar gestores profissionais que façam esse trabalho.

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