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Fitch diz que Brasil vai crescer mais em 2026, mas inflação acima do teto, Selic mais alta e eleições complicam o caminho

Para o investidor pessoa física, o recado da agência é claro: a renda fixa segue atrativa por mais tempo do que se esperava, e o câmbio merece atenção

Imagem criada por IA traz a bandeira do Brasil de fundo e um gráfico de ações em alta
Imagem: ChatGPT

A Fitch Ratings tem boas e más notícias para o Brasil. A boa: o país vai crescer mais do que o esperado em 2026. A má: a festa pode ser curta. 

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Em relatório trimestral de Perspectiva da Economia Global, divulgado nesta quinta-feira (4), a agência de classificação de risco revisou para cima a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.  

A economia brasileira deve encerrar o ano com expansão de 2,1% ante 1,9% previstos anteriormente, puxado pelo desempenho surpreendente do primeiro trimestre.  

Mas o otimismo tem prazo de validade: para 2027, a Fitch projeta desaceleração para 1,7%, com leve recuperação para 2% em 2028. 

O que puxou o crescimento do Brasil para cima 

Três motores principais explicam o vigor recente da economia brasileira, segundo a Fitch. 

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O primeiro é o mercado de trabalho. Com a taxa de desemprego em mínima histórica e salários reais em alta, os brasileiros estão consumindo mais — o que sustenta a atividade econômica de forma consistente.

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O segundo é a reforma tributária aprovada em 2025, que reduziu impostos para a população de renda menor (compensada por aumento de tributos sobre famílias de renda mais elevada).  

O efeito prático: mais dinheiro no bolso de quem mais consome, o que aquece o varejo e os serviços. 

O terceiro motor são os setores de agricultura e extrativismo, que contribuíram para o resultado acima do esperado no início do ano. 

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Por que o Brasil de 2027 preocupa a Fitch 

Se 2026 ainda tem fôlego, 2027 aparece no radar da Fitch como um ano de arrefecimento — e o principal culpado é o calendário político.  

Com o fim do período eleitoral — as eleições de outubro de 2026 entram na conta —, o impulso fiscal que costuma acompanhar anos de disputa política no Brasil tende a perder força, pesando sobre a atividade. 

Além disso, a agência aponta um cenário de incertezas que também torna o Banco Central mais cauteloso: a própria indefinição da política doméstica às vésperas das eleições, o fenômeno El Niño e o choque global de energia provocado pela guerra no Oriente Médio formam um conjunto de riscos que justificam uma postura mais conservadora. 

Inflação furou o teto — e a Selic cai mais devagar 

Aqui está o ponto mais sensível para quem investe, especialmente em renda fixa. A Fitch alerta que a prévia da inflação medida pelo IPCA-15 de maio mostrou aceleração dos preços, e as expectativas de inflação também subiram.  

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A projeção é que a inflação chegue a 5% até o fim de 2026 — rompendo o teto da banda de tolerância do Banco Central — antes de recuar gradualmente para 4% em 2027. 

Esse cenário obriga o BC a ser mais cauteloso no ritmo de cortes da Selic, atualmente em 14,5%. A Fitch agora projeta que a taxa básica de juros encerre 2026 em 13% — acima dos 12% previstos no relatório de março. Para 2027, a projeção segue em 10,5%, sem alteração. 

Na prática: quem apostava em queda mais rápida dos juros precisa revisar as expectativas. O ciclo de afrouxamento monetário vai acontecer, mas em câmera lenta, segundo a agência. 

E o real? 

Para o câmbio, a Fitch projeta pressão sobre o real. A combinação de cortes graduais na Selic com o diferencial de juros em relação aos Estados Unidos — onde o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) mantém taxas elevadas — deve levar a um enfraquecimento gradual do real frente ao dólar.  

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Preocupações com o lado fiscal do Brasil reforçam esse movimento, de acordo com a agência.  

Para o investidor pessoa física, o recado da agência é claro: a renda fixa segue atrativa por mais tempo do que se esperava, e o câmbio merece atenção.

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