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Banco avalia que não há mais espaço para cortes nos juros e prevê que a redução será de apenas 1 ponto percentual no acumulado do ano

O plano de cortar a taxa básica de juros do Brasil ao longo do ano sofreu um revés importante. Com a inflação dando sinais de repique e resistência, a XP revisou suas projeções e agora espera que a taxa Selic encerre 2026 em 14% — apenas um ponto percentual abaixo de onde estava antes do início dos cortes.
A projeção anterior era de 13,75%, porém, já tinha sido muito menor antes da guerra entre Estados Unidos e Irã, de 12%.
Na prática, a nova expectativa significa apenas mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, seguidos de uma pausa por tempo indeterminado para a avaliação do cenário econômico local e global.
Para a XP, o problema não está concentrado na guerra no Oriente Médio, que se estende além do previsto inicialmente, e no choque do preço do petróleo. Há também:
Diante deste cenário, a única arma a postos para o Banco Central tentar conter a subida de preços é a taxa Selic.
A XP estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador de preços oficial do Brasil, deve fechar 2026 em 5,5%. Anteriormente, a previsão era de 5,3%. Um pouco mais atrás, antes da guerra, era de 4%.
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O aumento do custo de vida não é uniforme, mas atinge setores vitais da economia.
O relatório da XP destaca que a prévia da inflação de maio (IPCA-15) foi a mais alta para o mês desde 2016. Três frentes preocupam os analistas:
Esse aumento de preços tem sua raiz longe do Brasil. A guerra no Oriente Médio mantém a cotação do petróleo elevada (cerca de US$ 100 o barril), piorando o preço de seus derivados: desde combustíveis até fertilizantes e componentes plásticos.
Além disso, a corrida global pela inteligência artificial faz disparar a demanda por componentes eletrônicos, encarecendo produtos industrializados como computadores e celulares.
Internamente, o governo injetou cerca de R$ 200 bilhões em estímulos na economia por meio de subsídios.
Embora isso mantenha o consumo alto, também gera o que os economistas chamam de "inércia": a inflação de hoje impulsiona a de amanhã, e se retroalimenta da expectativa futura.
Por isso, a XP acredita que o Banco Central precisará ser mais conservador se quiser controlar essa nova onda de aumento dos preços. Os juros em 14% gerariam uma quebra de expectativas que pode ajudar a conter a inércia.
A situação só não é pior graças a valorização do real.
A moeda brasileira tem conseguido sustentar uma valorização significativa em relação ao dólar. A alta se aproxima de 10% no ano e ajuda a baratear os produtos importados.
Neste momento, o câmbio se equilibra na faixa dos R$ 5,00. A XP mantém esse valor como a projeção para fechamento do ano, embora espere que no período eleitoral tenha mais volatilidade.
Já o alívio para os juros ficou contratado para o futuro. A expectativa é que, se o novo governo sinalizar um controle maior de suas contas (ajuste fiscal), possa haver espaço para quedas mais significativas da Selic em 2027.
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