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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
Bolsa e dólar hoje

Bolsa fecha em leve alta e dólar cai à menor cotação desde maio, abaixo de R$ 3,70

Contra tendência global, dólar se enfraqueceu perante o real pela perspectiva de entrada de fluxo estrangeiro no país com captação de empresas brasileiras lá fora

17 de outubro de 2018
11:06 - atualizado às 19:06
Só três moedas se fortaleceram ante o dólar nesta quarta, e o real foi uma delas - Imagem: Seu Dinheiro

O Ibovespa fechou em leve alta de 0,05% nesta quarta-feira (17), aos 85.763 pontos, em dia de sobe e desce. Já o dólar à vista recuou 1,00% e fechou a R$ 3,6852, menor valor desde 25 de maio.

O dia foi marcado por realização de lucros no Brasil e no exterior depois do rali de ontem. A bolsa brasileira começou o dia em queda, com as fortes desvalorizações das ações negociadas em Nova York.

Mas na hora do almoço, o Ibovespa reverteu o movimento e passou a operar em ligeira alta, com a desaceleração das perdas no exterior.

A queda do dólar em relação ao real se deveu principalmente à perspectiva de uma grande entrada de fluxo estrangeiro no país via mercado de capitais.

Duas empresas brasileiras anunciaram grandes captações de recursos no exterior hoje: a JBS planeja captar US$ 500 milhões, enquanto a Invepar, dona da concessão do aeroporto de Guarulhos, está captando até US$ 650 milhões.

Segundo fontes ouvidas pelo "Broadcast", serviço de notícias em tempo real do "Estadão", apenas a sinalização de que esses recursos entrarão no país levou investidores locais a desmontarem suas posições compradas em dólar. A defesa de um Banco Central independente por Jair Bolsonaro em entrevista no "SBT" ontem à noite também pode ter ajudado.

Em entrevista ao "Broadcast", a estrategista em moedas em Nova York do Royal Bank of Canada, Tania Escobedo, disse acreditar que o dólar pode cair a R$ 3,50 após o segundo turno se Jair Bolsonaro, caso vença, sinalizar mais claramente sua agenda de políticas econômicas.

Mas, para ela, esse patamar pode não ser sustentável, considerando que o cenário externo pode continuar menos favorável aos emergentes na medida em que o Fed siga elevando os juros, o que atrai recursos para os títulos públicos americanos, mais atrativos.

Além disso, diz a estrategista, Bolsonaro, se eleito, pode ter dificuldades de negociar com o Congresso, passar reformas e se relacionar com seu futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Ela acredita que o dólar pode voltar para a casa dos R$ 4,30 na primeira metade do ano que vem, caso isso ocorra.

O movimento de queda do dólar por aqui foi totalmente na contramão dos mercados internacionais. O real foi uma das três moedas a se valorizarem frente ao dólar hoje. A moeda americana se fortaleceu ante todas as outras.

Os juros futuros fecharam em queda, em linha com o câmbio e com o otimismo do mercado com o provável governo de Jair Bolsonaro. O DI com vencimento em janeiro de 2021 caiu de 8,454% para 8,41%. Já o DI para janeiro de 2023 caiu de 9,633% para 9,45%.

Eletrobrás tem maior perda do dia

As ações da Eletrobrás registraram as maiores perdas do dia, com recuo de 3,72% (ELET3) e 5,38% (ELET6). O motivo foi a rejeição, pelo Senado, do projeto de lei que destrava a venda das distribuidoras da estatal na noite de ontem.

Mesmo sem aprovação do texto, o BNDES disse que o leilão da Amazonas Energia está mantido para o dia 25. Mas analistas ouvidos pelo "Broadcast" acreditam que ele possa ser cancelado.

A rejeição do PL ameaça o futuro da subsidiária e cria uma dificuldade para a Eletrobrás.

Se houver licitação da concessão de forma separada e não aparecer lance, a Amazonas Energia pode ser liquidada, e a Eletrobrás herdaria suas dívidas. O custo para a estatal, neste caso, é estimado em R$ 13 bilhões.

As ações da Petrobras também caíram hoje, acompanhando a queda nos preços do petróleo. Os papéis fecharam com recuo de 0,67% (PETR3) e 1,05% (PETR4).

Balde de água fria nas estatais mineiras

Os papéis da Cemig (CMIG4) fecharam com queda de 0,84%. Fora do Ibovespa, Copasa (CSMG3) fechou estável depois de ter passado o dia em baixa.

Depois de essas ações se valorizarem com a expectativa de Minas Gerais eleger um governador liberal, a favor de privatizar as duas estatais, o favorito nas pesquisas jogou um balde de água fria no mercado ontem à noite.

Em entrevista ao "G1", Romeu Zema, do Partido Novo, recuou dos planos de privatização, afirmando que o maior problema das companhias é a má gestão.

O candidato defendeu a concorrência e uma gestão profissional, que atenda bem o consumidor. Disse ainda que "bem lá na frente pode privatizar, mas talvez nem seja necessário".

Vale sobe com minério e projeções para o ano

Vale (VALE3) acompanhou a aceleração dos preços do minério de ferro no exterior e refletiu a atualização das projeções da companhia para 2018. Os papéis da mineradora fecharam em alta de 1,91% nesta quarta.

Para este ano, a companhia espera ter fluxo de caixa livre (excluindo desinvestimentos) de, aproximadamente, US$ 10 bilhões. Na China, no porto de Quingdao, o preço do minério de ferro subiu 2,60% nesta quarta, para US$ 73,36 a tonelada.

Bolsas de NY recuaram com queda do petróleo e ata do Fed

Em Nova York, a manhã foi de realização de lucros após o rali de ontem, e de compasso de espera por novos balanços.

As perdas, porém, desaceleraram no início da tarde e os índices das bolsas chegaram a ensaiar reversão depois que Donald Trump disse que o governo vai pedir a membros do gabinete que cortem 5% do orçamento, sem deixar claro se isso valeria já para este ano fiscal.

No meio da tarde, o Fed divulgou a ata da sua última reunião. De acordo com os dirigentes do banco central americano, as altas graduais nos juros são consistentes com a expansão econômica.

Alguns deles julgaram que seria necessário aumentá-los temporariamente acima da taxa neutra a fim de atingir a meta de 2% de inflação.

Para o mercado, a ata mostra um viés mais conservador, o que levou o dólar a se fortalecer frente a quase todas as moedas e acelerou o ritmo de alta dos juros dos títulos do Tesouro americano, sacrificando os ativos de risco.

A alta das ações dos bancos, beneficiados quando os juros sobem, segurou um pouco os índices, que terminaram o dia em baixa modesta.

O Dow Jones fechou em queda de 0,35%, aos 25.708 pontos; o S&P500 fechou em baixa de 0,03%, aos 2.809 pontos; e a Nasdaq caiu 0,04%, aos 7.642 pontos.

A queda do preço do petróleo contribuiu para puxar os índices para baixo, pois penalizou as ações de empresas de energia.

Mais cedo, os preços da commodity recuaram em meio a relatos de que o secretário-geral da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), Mohammed Barkindo, declarou que o cartel trabalhará para garantir que não ocorra escassez do produto no mercado.

Pela manhã, relatório semanal do Departamento de Energia dos EUA (DoE) mostrou aumento de 6,49 milhões de barris de petróleo nos estoques dos EUA, bem acima da previsão dos analistas de 1,5 milhão de barris. Contudo, também houve queda na produção do país.

As bolsas europeias também fecharam em queda, influenciadas pelas bolsas americanas e por questões relacionadas ao Brexit e à crise fiscal italiana.

O presidente do Conselho Europeu disse hoje que, para ele, não há motivo para otimismo em relação a um acordo para o Brexit.

Outro ponto de preocupação para os investidores europeus é o Orçamento de 2019 da Itália, que prevê déficit de 2,4% do PIB. Aprovado pelo governo do país, o plano seguiu para aprovação da Comissão Europeia.

Mas hoje o comissário de Orçamento e Pessoal da comissão disse ao site da revista alemã Spiegel que a proposta orçamentária será rejeitada por não cumprir as obrigações fiscais estipuladas pela União Europeia.

*Com Estadão Conteúdo

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