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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Eleições 2018

Caneladas e munição para o inimigo

Declarações de Bolsonaro e aliados sobre Previdência e privatizações repercutem mal

10 de outubro de 2018
10:57 - atualizado às 12:15
Presidenciável Jair Bolsonaro - Imagem: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Jair Bolsonaro tem por hábito chamar de “caneladas” as declarações controversas de aliados. Mas nos últimos dias é ele mesmo que tem perpetrado os golpes, fornecendo munição ao inimigo e levantando dúvida entre apoiadores.

Dois pontos abordados por Bolsonaro no “Jornal da Band” não soaram bem entre agentes de mercado. A questão de ir mais vagarosamente com a reforma da Previdência parece contrastar com ênfase que vinha sendo dada por seu assessor econômico, Paulo Guedes.

Outro tema foi a privatização da Eletrobras, com o candidato temendo os chineses, e falando em não vender à iniciativa privada os ativos de geração. Ainda no tema energia, Bolsonaro não falou o “petróleo é nosso”, mas que o “miolo” da Petrobras é nosso sim, e que a política de preços livres nos combustíveis tem que ser revisada, já não se pode salvar a empresa e quebrar e economia.

Dando o benefício da dúvida, um gestor avalia que pode ser só um discurso político, com o candidato tentando angariar mais votos para garantir a vitória agora no segundo turno.

“Mas começo a ficar com um pouco de receio. Vai fazer um discurso para ganhar eleição e perder o voto convicto? Os ativos vão começar a olhar isso”, pondera.

Para meu amigo gringo a entrevista deixa transparecer a característica autoritária de Bolsonaro, principalmente quando ele fala que Guedes e seus ministros notáveis terão liberdade, mas que é ele é quem define metas e diretrizes.

“Ele é autoritário e age por impulso. Não me parece que o Guedes vai atura-lo por muito tempo. Isso fica claro no seu comportamento. Ele realmente não se importa com as consequências, age apenas por impulso sobre o que percebe como certo. Isso é uma boa característica para um soldado, mas não para um chefe de Estado”, disse.

Argumento com ele que pode ser apenas política no que ele me responde: “meu caro, se você que é brasileiro não tem certeza, imagine eu”. Fiquei sem resposta.

Está claro que o mercado tem preferido dar o benefício da dúvida ao capitão, acreditando na conversão do nacional desenvolvimentista em um liberal. E certamente vai continuar preferindo já que o asco ao PT é maior.

Mas as lições de liberalismo de Paulo Guedes ainda parecem restritas à página um. Quando se olha a página dois, muita gente começa a desconfiar.

Olhando mais friamente, as declarações de Bolsonaro não são grande novidade, mas tem momentos em que isso pouco importa. Essa percepção de descompasso e falta de alinhamento é “munição para o inimigo”, como diz o próprio Bolsonaro. E vai ser utilizada contra ele nos debates. Por sorte o arsenal contra PT e Haddad também é vasto.

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