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Queda de braço entre governo e Congresso pelo protagonismo na reforma da Previdência e temor de retaliação da China contra os EUA mantêm a cautela entre os investidores
Os dois temas de maior relevância para o mercado financeiro - a saber, reforma da Previdência e guerra comercial - continuam ditando o rumo dos ativos. A disputa entre Executivo e Congresso pela “paternidade” da proposta de novas regras para aposentadoria soma-se à batalha entre Estados Unidos e China, que vai muito além do comércio. Ambos os confrontos elevam a cautela entre os investidores.
Enquanto lá fora crescem os temores de que Pequim possa retaliar a decisão do governo Trump que afeta diretamente a Huawei; por aqui, a queda de braço entre o governo e o Legislativo na busca pelo protagonismo na reforma da Previdência tende a potencializar as incertezas em relação ao timing e à diluição da proposta. E qualquer novidade sobre esses assuntos tem repercussão direta nos preços dos ativos.
Aparentemente, tanto a China quanto o governo Bolsonaro parecem posicionados para “dobrar a aposta”, mantendo o clima beligerante. Lá fora, o governo chinês pode suspender negócios com os fornecedores que concordaram em revogar contratos com a Huawei, taxando empresas norte-americanas, como a Apple, e deixando de contribuir para o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas do Google.
Segundo o fundador e executivo-chefe da gigante chinesa, Ren Zhengfei, os EUA subestimam a “força” da Huawei, que, para ele, irá liderar a tecnologia 5G em poucos anos. Em contrapartida, Washington decidiu aliviar temporariamente as restrições à exportação da Huawei, isentando alguns fornecedores e clientes de duras penas durante um prazo de 90 dias. Para Ren, tal medida é “insignificante”, pois a empresa tem estocado chips.
As bolsas na Ásia encerraram a sessão de hoje de forma mista, em meio aos relatos envolvendo o governo Trump e a Huawei. Hong Kong e Tóquio fecharam com perdas moderadas, de -0,45% e -0,15%, enquanto Xangai subiu 1,23%. Em Wall Street, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para uma sessão positiva, respirando aliviados com o indulto temporário concedido pelo governo Trump às exportações da Huawei.
Outras empresas norte-americanas, como as gigantes esportivas Nike e Under Armour, escreveram uma carta ao presidente dos EUA, Donald Trump, pedindo a retirada do setor de calçados da lista de tarifas sobre as importações chinesas. A carta é assinada por mais de 200 empresas do segmento e diz que a taxação de 25% sobre os produtos será uma “catástrofe” aos consumidores, às empresas e à economia dos EUA como um todo.
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Na Europa, as principais bolsas da região iniciaram a sessão no terreno positivo. Entre as commodities, o petróleo avança, enquanto o ouro recua. Nas moedas, o dólar segue firme, ganhando terreno das rivais de países desenvolvidos, como o euro e a libra, e de moedas correlacionadas às commodities. Essa recuperação ensaiada pelos mercados no exterior abre espaço para uma continuidade do alívio visto nos negócios locais ontem, principalmente na Bolsa brasileira, mas as atenções por aqui seguem na cena política.
Já na cena política nacional, a desarticulação do governo e a falta de diálogo com os parlamentares têm colocado em risco a aprovação da proposta de reforma da Previdência apresentada pela equipe econômica do ministro Paulo Guedes. Com isso, não se sabe o quanto da versão original sobre a estrutura para a aposentadoria (idade mínima, tempo de contribuição e regra de transição) e a economia fiscal será preservado.
Ainda que não seja um projeto substitutivo, mas mudanças em alguns pontos, o assunto é um foco de tensão no mercado financeiro, que tem preferência pela proposta de Guedes. Afinal, mesmo que a Previdência seja tocada pelo Congresso, os investidores sabem que o Executivo não terá condições de impor nada ao Legislativo, diante do desgaste no relacionamento entre os dois poderes.
Esse sentimento pode ficar mais tenso à medida que se aproximar a data para os atos pró-governo. A meta dos aliados do presidente Jair Bolsonaro é de levar mais gente às ruas pelo país no domingo do que a paralisação nacional contra cortes na educação, na semana passada. A expectativa é saber se as manifestações serão um “tiro no pé”, com um número reduzido de apoiadores, ou se irão piorar ainda mais o clima político no país.
A estratégia “morde-assopra” do governo, que ora “demoniza” os outros dois poderes; ora, valoriza o Parlamento, é uma aposta arriscada. A atitude do presidente flerta com o desejo por instalar um caos institucional, declarando guerra ao establishment e à “classe política”, colocando em risco as futuras tratativas do governo no Congresso e a agilidade para outras reformas, como a tributária.
Enquanto isso, a agenda econômica desta terça-feira segue fraca, no Brasil e no exterior. Aqui, o calendário do dia traz apenas os dados prévios sobre a confiança do empresário na indústria neste mês (8h). Lá fora, saem a leitura preliminar do sentimento do consumidor na zona do euro e números do setor imobiliário norte-americano, ambos às 11h.
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