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Sessão para votar a reforma tem início previsto para as 9h; mercados podem ter volatilidade na abertura
Os deputados favoráveis à reforma da Previdência esforçaram-se até a última hora para tentar votar ainda ontem a proposta de emenda à Constituição que reforma a Previdência social no Brasil. Entretanto, uma série de medidas de últimas hora, a pressão para a liberação de verbas bilionárias para emendas parlamentares em troca do voto favorável e uma série de requerimentos da oposição na tentativa de obstruir o caminho da reforma fizeram com que os debates se iniciassem apenas por volta das 21h de ontem.
As discussões estenderam-se até perto da 1h de hoje, quando um requerimento encerrando a fase de debates foi aprovado por 353 votos a favor e 118 contra e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM/RJ), convocou para as 9h da manhã de hoje uma sessão com o objetivo de votar a reforma da Previdência em primeiro turno.
A média da expectativa dos principais observadores do Congresso é de que a reforma da Previdência passe em primeiro turno com aproximadamente 330 votos. Isso já atenderia à expectativa da maioria dos agentes do mercado financeiro, que esperavam a proposta aprovada ao menos em primeiro turno antes do recesso parlamentar, com início previsto para 18 de julho.
Ao término da sessão, porém, Maia disse considerar o placar da votação do requerimento para encerrar os debates uma sinalização favorável à possibilidade de angariar apoio suficiente para contornar o interstício - intervalo de cinco sessões entre primeiro e segundo turnos de votação - e encerrar a tramitação da reforma na Câmara ainda esta semana.
Antes disso, porém, os deputados favoráveis à reforma precisam, por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, aprovar a reforma com pelo menos 308 votos favoráveis e limpar a pauta dos destaques para votação em separado, além dos esperados requerimentos da oposição para adiar ao máximo a conclusão do primeiro turno.
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O fato é que a maior parte da votação deve ocorrer com o mercado financeiro local reaberto após a pausa do feriado, o que pode trazer alguma volatilidade, especialmente pelo fato de o Ibovespa ter renovado mais uma vez seu nível recorde de fechamento na segunda-feira.
Na Ásia, as bolsas de Tóquio e Xangai fecharam em queda, enquanto a de Seul subiu em meio a um clima de cautela entre os investidores à espera dos testemunhos do presidente do Fed, Jerome Powell, perante o Congresso dos Estados Unidos. Na Europa, as principais bolsas de valores também abriram sem direção clara, enquanto os índices futuros de Nova York sinalizam queda.
Nos Estados Unidos, além da expectativa em relação ao testemunho de Jerome Powell hoje na Câmara e amanhã no Senado, o Fed divulgará às 15h a ata de sua mais recente reunião em meio a especulações sobre o início e a extensão de uma nova rodada de afrouxamento monetário.
Na última sexta-feira, o relatório mensal sobre a situação do mercado de trabalho dos EUA em junho aliviou em parte a pressão sobre o Fed para cortar juros. Segundo o documento, 224 mil vagas de trabalho foram abertas nos EUA em junho, bem acima da abertura de 165 mil vagas prevista pelos analistas.
Especialistas observam que os dados mais recentes do payroll poderiam levar o Fed a promover dois cortes em sua taxa de juros de referência até o fim do ano, um a menos do que os três anteriormente esperados até a divulgação dos dados referentes a junho.
Por aqui, com a perspectiva de aprovação da reforma da previdência, porém, a expectativa para hoje e para os próximos dias nos mercados financeiros locais é de que o Ibovespa volte a renovar recordes e as taxas dos contratos futuros de juros mantenham-se em queda.
A quarta-feira também começará movimentada em relação aos indicadores da economia brasileira. Os dados oficiais de inflação (IPCA e INPC) referentes a junho serão divulgados pelo IBGE às 9h em meio à expectativa de uma forte desaceleração.
Projeções apontam que a inflação anual ao consumidor medida pelo IPCA deve desacelerar de 4,66% em maio para em torno de 3,30% em junho, bem abaixo do centro da meta de inflação do Banco Central para 2019 (4,25%).
Se confirmadas as projeções, os dados da inflação em junho se somarão a uma série de indicadores mostrando as dificuldades da economia brasileira para retomar o caminho do crescimento.
E isto deve aumentar a pressão dos agentes do mercado financeiro sobre o Banco Central para cortar juros já a partir da reunião do Comitê de Política Monetária marcada para o fim deste mês em Brasília.
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