Menu
2019-02-04T06:27:58+00:00
Olivia Bulla
Olivia Bulla
Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).
A Bula do Mercado

Mercado concentra atenção na política

Com a definição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para as presidências da Câmara e do Senado, atenção se volta para o andamento da agenda de reformas no Congresso

4 de fevereiro de 2019
5:30 - atualizado às 6:27
Congresso
Governo Bolsonaro teme reações após derrota de Renan Calheiros no Senado

Os democratas assumiram o poder no Congresso (Nacional) e o mercado financeiro ainda tenta entender o que o resultado representa para a agenda de reformas do governo. Apoiador das propostas, Rodrigo Maia confirmou o favoritismo e recebeu 334 votos para comandar a Câmara pela terceira vez seguida. Já no Senado, após muita polêmica, Davi Alcolumbre desbancou Renan Calheiros e foi eleito presidente com 42 votos.

A derrota do senador alagoano foi um triunfo pessoal do ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), que buscava uma sobrevivência na articulação política no Legislativo, coordenado as bancadas temáticas (boi, bala e Bíblia). Onyx já estava enfraquecido como interlocutor na Câmara, pois não queria Maia reeleito.

Agora, a Casa Civil e o Palácio do Planalto podem enfrentar dificuldades para aprovar projetos nas duas Casas. Afinal, Onyx precisa primeiro desobstruir a interlocução política com Maia, ao passo que Renan tem interlocutores em todos os partidos no Senado - enquanto Alcolumbre é apenas um representante do “baixo clero”.

Vitória de Pirro?

Mas a sensação é de que houve uma vitória de Pirro após o resultado das eleições no Congresso. O êxito de Onyx foi também uma derrota do ministro Paulo Guedes (Economia), que avaliava que Maia na Câmara e Renan no Senado teriam mais fibra para conduzir votações estratégicas no Congresso, principalmente a reforma da Previdência. Onyx, portanto, desagradou Guedes, ao jogar todas as fichas e apostar alto em Alcolumbre.

Para o governo, não há dúvida de que Renan vai “dar o troco” e o principal receio é a reação dos aliados ao senador e a capacidade de articulação da oposição, agora liderada por ele, dificultando votações de interesse e comandando comissões importantes. O ministro da Casa Civil também pode sofrer retaliações, à medida que as votações no Legislativo comecem a ganhar corpo.

Já para a equipe econômica de Guedes o temor é de que a Nova Previdência aprovada no Congresso seja muito mais suave - como quer Onyx. Mas há quem diga que Onyx é governo e, apesar das divergências com Guedes, irá fazer o que o presidente Jair Bolsonaro mandar, conduzindo a proposta a ser apresentada em “roadshow” e campanha publicitária.

O mercado financeiro, é bom lembrar, está otimista com a reforma da Previdência e espera que o texto a ser aprovado pelo Congresso seja amplo, gerando grande economia aos cofres públicos. É essa perspectiva que pode içar a Bolsa brasileira para além dos 100 mil pontos e derrubar o dólar para perto de R$ 3,00.

Mas a disputa entre Guedes e Onyx pode cobrar um preço alto é da agenda do governo. E em meio a essa queda-de-braço, Bolsonaro segue fora de campo. Durante o fim de semana, ele teve náusea e vômito, precisando colocar uma sonda. Ainda assim, não houve alteração na previsão de alta do presidente, que deverá ocorrer até quinta-feira.

Hoje, o Congresso se reúne sob a presidência de Alcolumbre para a sessão inaugural do ano legislativo de 2019. O ministro Onyx deve levar uma mensagem de Bolsonaro, que segue internado em São Paulo.

Semana tem Copom, IPCA e balanços aqui...

A agenda econômica desta semana traz como destaque a primeira decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom) neste ano. O encontro, que começa amanhã e termina na quarta-feira, quando será anunciada a atualização da taxa básica de juros (Selic) deve marcar a despedida de Ilan Goldfajn à frente do Banco Central.

Entre os indicadores, destaque para os índices de inflação IGP-DI, na quinta-feira, e IPCA, na sexta-feira, ambos referentes a janeiro. Também merecem atenção dados antecedentes sobre a atividade, entre eles, o desempenho do setor automotivo no mês passado. Hoje, o calendário doméstico traz a pesquisa semanal Focus do Banco Central (8h25).

Na safra de balanços, destaque para o resultado trimestral do Itaú, hoje, após o fechamento do pregão local. Na quinta-feira, saem os números contábeis da Kablin, antes da abertura, e das Lojas Renner, ao final da sessão.

...discurso do Trump e feriado na China lá fora

Já no exterior, a China pára por uma semana, em meio às comemorações do Ano Novo Lunar e da chegada do ano do porco. Com isso, as atenções se voltam para o Ocidente, onde o foco estará no discurso do Estado da União, a ser proferido pelo presidente norte-americano, Donald Trump, amanhã.

Entre os indicadores econômicos, a agenda reserva uma série de dados de atividade nos EUA e na zona do euro. Também são esperadas as divulgações de vários indicadores norte-americanos que foram adiadas por causa da paralisação do governo (shutdown). Já na Europa, merece atenção a decisão de juros do BC inglês (BoE), na quinta-feira.

Exterior a meio mastro

Os mercados internacionais iniciam a semana a “meio mastro”, com várias praças asiáticas fechadas, por causa das celebrações de ano-novo, o que reduz a liquidez financeira - particularmente na região - e deixa os investidores sem um catalisador para os negócios ao longo dos próximos dias.

Não houve sessão hoje em Xangai, Taiwan, Coreia do Sul, Malásia nem Vietnã. Esses mercados devem seguir fechados nos próximos dias. Ainda assim, o sinal positivo prevaleceu nas bolsas da região onde teve pregão, acompanhando os ganhos de sexta-feira em Wall Street, após os dados sobre o emprego nos EUA (payroll).

O destaque ficou com a Bolsa de Tóquio, que subiu 0,5%, em meio à fraqueza do iene. Hong Kong também encerrou no azul, com +0,2%. Na Oceania, a Bolsa de Sydney também fechou em alta de 0,5%.
Já no Ocidente, os índices futuros das bolsas de Nova York ensaiam ganhos, com os investidores confiantes de que haverá um desfecho favorável da guerra comercial, após comentários positivos de Washington. Durante o fim de semana, Trump afirmou que as conversas com Pequim estão “indo bem”. Essa perspectiva sustenta o dólar e o rendimento dos títulos norte-americanos (Treasuries), mas também embala as commodities.

O petróleo tipo WTI segue acima de US$ 55 o barril, no maior nível desde novembro, em meio à tensão na Venezuela, onde dois homens afirmam ser o líder da nação, cada um exortando seus seguidores a seguirem firmes. As perspectivas para o país vizinho ao Brasil é monitorada pelos negócios com petróleo, dado o papel nas exportações globais.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

será que vai?

Guedes não mostrou proposta de privatização da Petrobras, diz Bolsonaro

Ontem, reportagem disse que o governo quer concluir a venda da estatal até 2022; as ações da Petrobras dispararam

mais um que passou

Câmara aprova projeto que permite posse de arma em toda a propriedade rural

Projeto segue para Bolsonaro sancionar ou vetar; regra atual diz que posse só é permitida na sede da propriedade

Bolsa

Ação da Telebras dispara com privatização no radar, mas não deveria

Com a alta de mais de 60% ontem na bolsa, o valor de mercado da Telebras na bolsa passou para mais de R$ 1,9 bilhão, mas os resultados da estatal nem de longe justificam toda essa euforia. E os minoritários ainda correm o risco de diluição

O paraíso dos especuladores

Você prefere ser um abutre rico ou um argentino quebrado?

A Argentina jamais se soergueu ao governo peronista. Tornou-se a pátria da inflação, dos choques heterodoxos, das reformas monetárias e das moratórias – e o paraíso dos especuladores.

Mercado entre estatais e BCs

Mercado fez a festa com notícia “requentada” sobre privatização de empresas estatais, mas agora aguarda ata do BCE e discurso em Jackson Hole

Com acordo

Senado aprova MP da liberdade econômica sem previsão de trabalho aos domingos

Governo preferiu recuar e concordar com a retirada da autorização para trabalho aos domingos para garantir a votação da medida a tempo

Seu Dinheiro na sua noite

Temporada de caça às estatais

Uma das críticas mais recorrentes ao governo nesse começo de gestão Bolsonaro foi a aposta de todas as fichas na reforma da Previdência. Durante os longos meses de tramitação da proposta na Câmara, o país ficou praticamente parado. O saldo do projeto aprovado pelos deputados e que agora está no Senado revelou-se até melhor do […]

Dinheirinho na mão

Saque do FGTS terá impacto mais importante na renda de Norte e Nordeste

Saques médios a serem liberados representam 21,5% da renda habitual média da região Nordeste, e 20,1% da renda habitual média do Norte

Um pente-fino

Quais são e como atuam as empresas que o governo pretende privatizar

Equipe econômica de Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira as empresas que serão os novos alvos do governo nas privatizações do segundo semestre

Assunto que interessa

Câmara instala comissão especial para analisar novo marco legal para saneamento

Proposta será relatada pelo deputado Geninho Zuliani (DEM-SP) e o presidente do colegiado será o deputado Evair de Melo (PP-ES)

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements