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Nas redes

Bolsonaro: Quem não entende a lógica do contingenciamento é um abutre

Presidente usa redes sociais para dizer, também, que Dilma cortou R$ 10 bilhões da Educação e quem participou das manifestações foi usado como massa de manobra pelo bando do “Lula livre”

Bolsonaro e Guedes
O ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, e o ex-presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Marcos Corrêa/PR

O presidente Jair Bolsonaro já chamou os manifestantes que foram às ruas, na última quarta-feira, contra o contingenciamento de gastos na Educação de “idiotas úteis” e “imbecis” e agora volta a defender seu ponto de vista falando que quem não entende a lógica do contingenciamento é um “abutre” e que as pessoas que protestaram foram usadas como massa de manobra pelo bando do “Lula livre”.

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O presidente postou uma sequência de mensagens no seu “Twitter” atacando a “herança dos rombos causados pelo desgoverno do PT” e que seu governo tem trabalhado para manter, na medida do possível, a destinação dos recursos para áreas essenciais, mas que existe uma realidade e não podemos extrapolá-la.

A sequência de mensagem abre falando que a ex-presidente Dilma Rousseff cortou R$ 10 bilhões da Educação e doou R$ 50 bilhões para países amigos, sendo alguns deles ditaduras. “Quem participou dessa última manifestação e não tinha conhecimento disso eu lamento, mas foram usados como massa de manobra pelo bando do "Lula livre."

Depois, o presidente diz que: “há somente dois caminhos para evitar contingenciamento de gastos: ou imprime dinheiro e gera inflação, ou comete-se crime de responsabilidade fiscal. Quem finge não entender essa lógica age como um abutre, aguardando ansiosamente pelo mal do Brasil para no fim se alimentar dele”.

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Ainda segundo o presidente, nosso momento atual serve para mostrar quão grave são as consequências de “um governo socialista, populista e completamente corrupto. Não há responsabilidade com o futuro do Brasil, mas apenas com seus propósitos ideológicos”.

Falando só para as bases

As manifestações que correram na quarta-feira foram o primeiro “grito das ruas” contra o Bolsonaro e ilustram como a falta de cuidado com a comunicação de ações de governo pode gerar desgastes desnecessários.

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Contingenciamentos orçamentários têm ocorrido ano após ano dado o cenário de baixo crescimento econômico, mas sem grandes consequências políticas.

O caso atual parece ter saído do controle, por assim dizer, quando o ministro da Educação, Abraham Weintraub, falou que cortaria verbas de universidades que promovem “balbúrdia”, transformando assim um problema orçamentário em bandeira político/ideológica.

Foi atiçada, assim, uma base organizada e mobilizada que ganhou adesão de outros segmentos que não necessariamente são da turma “Lula livre”, que de fato estava presente, mas que também estão insatisfeitos com o governo.

O risco de manter a estratégia de carimbar todo o movimento como sendo “Lula livre” é perder o contato com os eleitores “menos fiéis”, ou de visão menos ideológica que também ajudaram a eleger o presidente.

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Essa estratégia de comunicação de Bolsonaro, de manter a sua base mais próxima aguerrida, é correta, mas ele não precisa agredir ou desmerecer demais aliados para fazer isso, como comentamos em outras ocasiões (textos abaixo).

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