O que muda no governo depois de Lula ter confirmado Alckmin como vice e anunciado a saída de 18 ministros
Segundo Lula, mais auxiliares podem deixar a Esplanada, mas ainda precisam avisá-lo

Enquanto 26% da população brasileira ainda nem está pensando na corrida presidencial deste ano, o governo já começa a ver uma dança das cadeiras por conta das eleições. A primeira mudança veio já nesta terça-feira (31), com o anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de que Geraldo Alckmin (PSB) será novamente candidato a vice-presidente em sua chapa à reeleição.
Com a participação na disputa em outubro, Alckmin deixará o comando do Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Até o anúncio de hoje, havia pressões políticas para ele abrisse mão da vaga de vice para disputar o Senado em São Paulo.
Porém, Lula encerrou o assunto ao informar a saída do vice em discurso na abertura de uma reunião ministerial no Palácio do Planalto. "Companheiro Alckmin vai ter que deixar o MDIC. Ele vai ter que deixar porque ele é candidato a vice-presidente da República outra vez", afirmou.
O encontro foi realizado com o intuito de apresentar um balanço dos ministros que vão deixar a Esplanada. Isso porque quem for disputar as eleições precisa deixar os cargos no Executivo até este sábado (4) por causa do prazo de descompatibilização exigido pela legislação eleitoral.
Saída de 18 ministros... ou mais
O presidente também confirmou que pelo menos 18 ministros vão deixar o governo até a noite da quinta-feira (2). Segundo Lula, mais auxiliares podem deixar a Esplanada, mas ainda precisam avisá-lo.
“Pelo menos 14 companheiros já comunicaram que deixarão o governo. A partir de hoje, mais quatro companheiros que vão anunciar daqui a pouco. E depois, quem sabe, mais alguns, porque até quinta-feira à noite é tempo de me avisar”, disse Lula.
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Um dos membros do governo que já confirmou a saída foi Rui Costa, que deixará o comando da Casa Civil para disputar uma vaga de senador pela Bahia. Segundo o presidente, o cargo passa a ser ocupado por Miriam Belchior.
“Agora vocês vão saber a força da mulher. Porque não é mais o Rui Costa que vai chamar vocês, é a Miriam Belchior que vai encarar vocês. Esse rosto angelical dela é só hoje. A partir de amanhã vocês vão ver como é que as coisas vão acontecer aqui”, disse o presidente.
Simone Tebet (PSB) também deixará o Ministério do Planejamento e Orçamento para disputar o Senado por São Paulo.
Além das confirmações feitas por Lula durante o encontro, o ministro da Educação, Camilo Santana (PT), também é cotado para disputar o governo do Ceará.
Caso se torne candidato, ele substituiria o atual governador do estado, Elmano de Freitas (PT). Pesquisas vêm indicando que Camilo é um nome mais forte para enfrentar o candidato tucano, Ciro Gomes (PSDB).
Já José Múcio (PTB), ministro da Defesa, fica até o fim do governo porque, segundo Lula, ele foi chamado para ficar um ano e completará todo o mandato.
"Eu acho que cada um de vocês tem um desejo, tem uma vocação, tem uma aspiração e que Deus abençoe que vocês cumpram essa vocação de vocês. Naquilo que eu puder ajudar, eu vou ajudar", disse o presidente durante anúncio.
Lula manda recado: nada de invenções
Na reunião, o presidente aproveitou para mandar um recado direto aos políticos que vão assumir os ministérios a partir da próxima semana. A ordem de Lula é que os novos ministros não devem "começar tudo outra vez" e que terão o dever de concluir o trabalho do governo, sem a criação de novos programas.
“Nós temos uma máquina funcionando há 3 anos e 4 meses. Ela está funcionando. Eu não quero que nenhum ministério comece tudo outra vez, inventar um novo programa de governo. Não tem novo programa de governo. A máquina está aí andando e ela tem que continuar andando”, afirmou Lula.
O presidente também destacou que escolheu os secretários-executivos – os número 2 de cada ministério – para grande parte das vagas deixadas nas pastas. O objetivo da decisão é dar continuidade das iniciativas do mandato.
Além do recado aos recém-chegados, o presidente também deu direcionamento para quem deixa o Executivo. Lula afirmou que os ministros que serão candidatos a cargos no Legislativo devem ajudar a mudar a “promiscuidade” que, segundo ele, existe no Congresso Nacional.
O presidente disse ainda que a política perdeu a “seriedade” e parafraseou uma máxima do ex-presidente da Câmara Ulysses Guimarães. “Quando a imprensa estava dizendo que era preciso reformar, que era preciso mudar, o doutor Ulysses Guimarães dizia sempre que toda vez que se discute mudança, o resultado é para pior. E eu não canso de dizer que a política piorou muito”, afirmou em reunião.
“Outro dia alguém me disse que um deputado federal não será eleito por menos de 50 milhões de reais. Se isso for verdade, nós chegamos ao fim de qualquer seriedade na política brasileira”, completou.
Apesar disso, ele afirmou que os ministros candidatos terão “orgulho” de destacar o trabalho deles no Executivo.
*Com informações do Money Times e Estadão Conteúdo.
Conteúdo Empiricus
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