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CANCELADO

Quem é John Galliano e por que o Met cancelou a exposição do estilista após polêmica

Homenagem ao designer britânico estava prevista para 2027 e o colocaria no seleto grupo de estilistas vivos com uma retrospectiva no museu

John Galliano durante desfile da Maison Margiela em 2018
Estilista britânico John Galliano se envolveu em escândalo em 2011 - Imagem: Pierre Suu/Getty Images

O que deveria ser uma das maiores homenagens da carreira de John Galliano terminou antes mesmo de começar. O Metropolitan Museum of Art, o Met, de Nova York, anunciou nesta segunda-feira (31) que não realizará a exposição John Galliano: Horizons, prevista para a primavera de 2027.

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O projeto, anunciado apenas um mês antes, percorreria quatro décadas da trajetória do estilista britânico, da coleção de formatura na Central Saint Martins, em 1984, aos trabalhos para Givenchy, Dior e Maison Margiela.

A exposição também colocaria Galliano em um grupo extremamente restrito: seria apenas o terceiro estilista vivo a ganhar uma retrospectiva individual no Costume Institute, depois de Yves Saint Laurent, em 1983, e Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, em 2017.

A decisão veio depois de semanas de críticas à escolha do designer, que carrega um histórico de declarações antissemitas e racistas. Galliano, por sua vez, afirmou que decidiu desistir da exposição após conversar com o Met e outras pessoas envolvidas no projeto.

“Após muita reflexão e discussão com todos os envolvidos, decidi, com grande tristeza, que o melhor é que a exposição não aconteça neste momento”, afirmou o estilista em comunicado. Ele ainda pediu desculpas: "Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, particularmente pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido."

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Metropolitan Museum of Art, o Met, de Nova York
Metropolitan Museum of Art, o Met, de Nova York - Imagem: Georgia Sheridan/ Unsplash

O que aconteceu com John Galliano

O episódio que voltou ao centro da discussão ocorreu em 2011, quando vídeos do designer fazendo comentários antissemitas e racistas à frequentadores de um bar em Paris vieram a público. Em uma das gravações, Galliano aparece dizendo “I love Hitler” e fazendo referências ofensivas a pessoas judias.

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O caso levou à sua demissão da Dior e, posteriormente, a uma condenação pela Justiça francesa por insultos públicos relacionados a raça, religião, etnia ou origem. Na época, Galliano pediu desculpas e afirmou que estava procurando ajuda. Durante o processo judicial, também falou sobre sua dependência de álcool e medicamentos. A Justiça francesa determinou uma multa de 6 mil euros.

A queda ganhou ainda mais peso porque Galliano estava no auge da carreira. Seus desfiles teatrais misturavam referências históricas, personagens e narrativas. Com esse estilo, o designer se consolidou como um dos nomes mais influentes da alta-costura contemporânea.

Depois do escândalo, ele passou por tratamento contra a dependência química e iniciou um longo processo de reconstrução profissional. Em 2014, retornou à alta moda como diretor criativo da Maison Margiela. A passagem pela marca marcou uma espécie de renascimento profissional para Galliano. O processo culminou no desfile de alta-costura de 2024, seu último trabalho para a grife, amplamente elogiado pela crítica.

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Desfile de alta-costura de 2024, último trabalho de John Galliano para a Maison Margiela
Desfile de alta-costura de 2024, último trabalho de John Galliano para a Maison Margiela - Imagem: Reprodução/ @maisonmargiela

Por que a exposição gerou tanta resistência

Quando John Galliano: Horizons foi anunciada, em 31 de julho, o Met deixou claro que a exposição não ignoraria o episódio de 2011.

O projeto seria dividido em três partes. A primeira, chamada “Bearings”, abordaria a ruptura provocada pelas declarações antissemitas, racistas e anti-asiáticas de Galliano, além de seu tratamento contra a dependência e do processo de reconstrução de sua imagem pública. As outras duas partes seriam dedicadas às referências criativas e ao processo de criação do estilista.

Mesmo assim, a escolha provocou reação. Entre os críticos estava Dana Thomas, jornalista de moda e autora da biografia Gods and Kings: The Rise and Fall of Alexander McQueen and John Galliano. Em artigo publicado no New York Times, ela questionou a decisão do Met de transformar Galliano em protagonista de uma de suas mais importantes exposições.

A controvérsia, aliás, mobilizou líderes da comunidade judaica, políticos de Nova York e doadores do museu. Um dos principais pontos de tensão envolveu o calendário. O Met planejava abrir a exposição em maio de 2027, próximo ao Met Gala, em um período que coincidiria com o Yom HaShoah, o Dia da Lembrança do Holocausto. Para os críticos, a escolha tornava a homenagem especialmente problemática.

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A pressão aumentou a ponto de envolver Jonathan Greenblatt, CEO da Anti-Defamation League (ADL), organização americana dedicada ao combate ao antissemitismo e ao preconceito. O Met já havia consultado líderes judeus antes de anunciar a exposição, para discutir como abordar o passado de Galliano.

A reação mudou, porém, após o anúncio público do projeto. Segundo relatos, Greenblatt conversou com representantes do museu em meio à pressão crescente para rever a homenagem.

Galliano reconhece que a obra não apaga o passado

Em seu comunicado sobre o cancelamento, o estilista afirmou que continua responsável pela dor provocada por suas palavras, especialmente às comunidades judaica e asiática. Também disse entender que uma exposição, um reconhecimento institucional ou um único gesto público não são suficientes para representar uma reparação.

Além disso, Galliano mencionou os 15 anos de sobriedade e recuperação do alcoolismo e da dependência química e agradeceu às pessoas que o acompanharam durante esse período. A decisão, portanto, não representa uma nova expulsão de Galliano da moda. O estilista continua sendo reconhecido por sua influência criativa e por seu trabalho, especialmente na Maison Margiela.

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O Met terá de encontrar uma nova exposição para o Costume Institute na primavera de 2027. O cancelamento também exige a definição de um novo tema para o Met Gala, previsto para maio do ano que vem. Segundo o museu, os detalhes serão divulgados posteriormente.

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