Você realmente precisa da nova escova de dente com IA de R$ 2 mil? O que dizem especialistas
Com câmera, inteligência artificial e jatos de água, a nova escova da Dyson custa cerca de R$ 2.500; especialista explica o que a tecnologia realmente acrescenta à rotina de higiene bucal

A Dyson já tinha se consolidado como uma das marcas favoritas das entusiastas de beleza desde que lançou a escova modeladora de cabelo mil e uma utilidades. Agora, a empresa britânica apresenta ao mercado uma nova escova, desta vez, para levar esse mesmo status para outro território, a higiene bucal.
A marca anunciou nesta terça-feira (1º) a Dyson CameraJet, uma escova de dentes elétrica que combina inteligência artificial, câmera, jatos de água e um aplicativo. O preço, aliás, chama atenção: US$ 499, o equivalente a cerca de R$ 2.500 na cotação atual.
O que você precisa saber:
- A Dyson CameraJet chega por cerca de R$ 2.500 e combina IA, câmera, jatos de água e aplicativo.
- O sistema identifica, em tempo real, áreas entre os dentes que podem estar sendo esquecidas e direciona jatos de líquido para esses pontos.
- Segundo dentista ouvido pela matéria, sensores e IA podem melhorar os hábitos de higiene e ajudar na prevenção, mas não garantem uma limpeza superior nem substituem escovação correta, fio dental e visitas ao dentista.

Como funciona nova escova com IA
A proposta é transformar a escovação em uma experiência guiada por tecnologia. Além de limpar os dentes, a CameraJet promete identificar áreas que costumam passar despercebidas e direcionar jatos de líquido para esses pontos. O aplicativo também reúne informações sobre a escovação e oferece orientações personalizadas.
"Ao combinar uma câmara, aprendizagem automática, dinâmica de fluidos de precisão, tecnologias avançadas de escovação, conectividade e Wi-Fi, a CameraJet apresenta uma forma totalmente nova de manter a sua saúde oral", diz James Dyson, fundador e engenheiro-chefe da marca, em comunicado.
Mas será que tanta tecnologia faz diferença de verdade para a saúde bucal? Para o cirurgião-dentista Ricardo Gaeta, da Gaeta Odontologia, a tecnologia não significa necessariamente uma limpeza superior. “A limpeza em si depende de o usuário usar de forma correta”, afirma.
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Segundo ele, sensores, inteligência artificial e conectividade ajudam o usuário a acompanhar os próprios hábitos e identificar o que pode melhorar na escovação. “Com as informações geradas, é possível perceber que é preciso melhorar a forma de escovação, orientar a necessidade de consultas ao dentista ou detectar de forma preventiva questões de saúde bucal”, diz.

Uma câmera dentro da escova
À primeira vista, a CameraJet se parece com uma escova de dentes elétrica convencional. O diferencial está escondido logo abaixo da cabeça: uma pequena câmera capaz de observar o interior da boca durante a escovação.
Segundo a Dyson, o sensor tem resolução de 100 mil pixels e captura 28 imagens por segundo. Com essas informações, o sistema identifica, em tempo real, os espaços entre os dentes.
Quando encontra uma dessas regiões, a tecnologia chamada Gap Optical Targeting dispara um jato de líquido diretamente no local. De acordo com a empresa, todo o processo acontece em até 100 milissegundos.
Para desenvolver o sistema, a Dyson afirma ter treinado um modelo de aprendizado de máquina com 470 mil imagens odontológicas coletadas durante o desenvolvimento do produto. A tecnologia, no entanto, não substitui a avaliação de um dentista. Seu principal benefício está em ajudar o usuário a acompanhar a escovação e identificar o que pode melhorar.

A escova também promete substituir o fio dental?
Aqui a proposta da CameraJet fica mais ambiciosa. A escova utiliza jatos de água para alcançar áreas entre os dentes e promete remover a placa com uma pressão mais baixa.
Segundo a Dyson, o formato cônico do jato atinge uma área maior e proporciona uma ação mais suave nas gengivas e no esmalte. O sistema conta ainda com um reservatório de 12,5 ml localizado ao redor do pescoço da escova. A estação de carregamento consegue reabastecê-lo automaticamente em cerca de três segundos.
Além dos jatos de água, a CameraJet traz cerdas com diferentes níveis de rigidez. Uma parte mais macia fica voltada para a linha da gengiva, enquanto a outra ajuda a remover manchas superficiais.
Apesar da combinação de funções, a tecnologia não elimina a necessidade de uma rotina básica de cuidados. Para Gaeta, antes de investir em equipamentos mais sofisticados, o paciente deve garantir que os fundamentos da higiene bucal estejam em dia.
“Antes de tudo, precisamos priorizar os cuidados básicos, visitas semestrais ou pelo menos anuais ao dentista, sempre mantendo uma boa escovação com itens básicos, mas de qualidade”, afirma.
O aplicativo mostra onde é preciso melhorar
A câmera não serve apenas para acionar os jatos. Ela também se conecta ao aplicativo MyDyson, que permite visualizar a boca e identificar regiões mais difíceis de enxergar, como a parte posterior dos dentes.
A partir desses dados, o aplicativo oferece orientações personalizadas sobre a escovação e permite ajustar a intensidade e os modos dos jatos de água. A CameraJet também consegue transmitir imagens da boca em tempo real para o celular, enquanto a Dyson afirma que essas imagens não são armazenadas no aparelho ou na nuvem.
É justamente nesse acompanhamento que, segundo Gaeta, está uma das principais vantagens de uma escova conectada. “Os benefícios são de fato a percepção do que pode ser melhorado nos cuidados e o fator de prevenção”, afirma.
Para o dentista, esses recursos podem ajudar o usuário a identificar hábitos que precisam ser corrigidos antes que problemas mais complexos apareçam. “Ambos são muito importantes para longevidade da saúde bucal e permitem evitar questões mais complexas e que podem ter tratamentos mais delicados”, diz.
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