“Feira boutique”: SP-Arte Rotas encerra 5ª edição com cara própria e oportunidades para colecionadores
Edição reduzida da SP-Arte dobra a aposta na arte latino-americana, com destaque para expografia chamativa e abertura de nomes independentes a coleções

Todas as rotas levam a... onde? É o que toda edição da SP-Arte Rotas tenta responder. Trata-se de uma versão mais pocket e focada em latino-americana da SP-Arte, uma das maiores feiras de arte do continente. Em sua 5ª edição, que aconteceu na semana passada, talvez tenha sido a Rotas mais interessante até hoje.
Tendo começado com uma proposta mais brasileira, sob o nome de SP-Arte Rotas Brasileiras, a feira logo percebeu que, ainda que conceitualmente interessante, a própria temática engessava demais sua viabilidade mercadológica. Focar exclusivamente em arte, artistas e galerias brasileiras segue sendo uma demanda presente, mas abrir espaço para parceiros latinos fortalece laços. Além disso, expande a presença nacional dentro desses mercados também.
Mas além da proposta, é uma feira que começa ter uma cara. Mais silenciosa, menor em tamanho, Rotas é uma versão mais humana da SP-Arte tradicional. Uma feira boutique que, com a obrigação de uma proposta de curadoria para cada estande, tem se tornado opção para quem se interessa por começar a colecionar. Nesse sentido, se assemelhando muito à ArPa, outra feira que acontece em São Paulo.

Muito além do cubo branco
É preciso ponderar. Sediada no espaço Arca, na Vila Leopoldina, longe do centro e de difícil acesso por transporte publico, a feira tem valor assumidamente salgado de entradas, estacionamento e alimentação. Nada que a tenha impedido de ficar permanentemente cheia, com grande presença de visitas guiadas, influenciadores, art advisors e seus clientes. Gente para todo lado.
E, por lá, o que se viu foi... cor. Apesar do que muitos estudos dizem, a estética asséptica de consultório que muitas feiras têm, de cubos brancos com arte entulhada, nem sempre são a melhor forma de apresentar ou vender obras. Arte precisa de contexto, de ambiente. Faz parte do trabalho de uma galeria pensar em expografia. Complementar uma obra com um fundo não serve apenas para chamar atenção ou emoldurar uma obra, mas para contextualizá-la com sensações, despertar conversas. E, sobretudo, apresentar esse artista de forma interessante para quem ainda não conhece.
Expor, afinal, também é contar história. E quem apostou em narrativas interessantes, se descolou do mar de mesmice que uma feira pode ser. Nenhuma obra fala por si só e acreditar no branco como forma imparcial de mostrar um trabalho é um erro. "Quem não é visto, não é lembrando” não serve só para pessoas, mas para galerias também. E nessa 5ª edição, muitas galerias não tiveram medo de chamar a atenção, para si e para suas propostas.
Leia Também
Escala cromática
A Gomide&Co chegou com um estande cor terra, criando um diálogo com obras de Nicolai Dragos e a curadoria de arte africana. Hpa ainda a galeria Mitre, com um azul cobalto emoldurando a instalação de esculturas de Sandro Ayê. A galeria Orma, em colaboração com a galeria MaPa, apareceu num amarelo claro, como que tirado da paleta dos artistas apresentados Luciano Maia e Sergio Lima.
Mesmo o setor Mirante, espaço dedicado a curadoria da feira, estava massivamente colorido. Assinado por Bernando Mosqueira, idealizador e responsável pelo Solar do Abacaxis, as cores quentes das paredes criavam um dialogo afetivo e energizante junto das obras. Estas, por sua vez, faziam um apanhado de artistas de do Brasil inteiro. E junto às altas temperaturas, somavam ainda mais calor.
Eram laterais pintadas, paredes ao fundo, paredes de suporte: cor, cor e cor. E ainda que muitas propostas ainda resumam arte brasileira como arte colorida com textura, a feira ter abraçado a cor pareceu, de fato, um movimento concreto em fazer uma feira com essência, latino-americana - e não só discurso.
A aposta como oportunidade de negócios
Realmente existe arte para além do que se vê, uma. E essa edição foi marcada por novidade. Eram apresentações e representações novas, artistas inéditos e projeto inédito, com propostas que fugiam do que se costuma ver.
E essa tem sido uma preocupação silenciosa: a falta de novidade e refresco. Com operações cada vez mais caras, galerias têm preferido apostar no certo em vez de arriscar com o novo. E isso pode soar como uma recomendação sólida de negócios, talvez funcione para muitos setores, mas não na arte.
A novidade, a proposta que surpreende, uma técnica, um artista desconhecido ou trabalho inédito ainda causam frisson que mantém o interesse. Principalmente entre colecionadores de longa trajetória que já têm pelo menos uma obra de cada um dos “carros-chefes” de cada galeria.

Claro, há risco. Como algumas galerias atestaram, grandes nomes nem sempre são os que vendem mais fácil. E nessa edição do Rotas, muitas galerias que apostaram no incerto viram seu investimento dando frutos.
Em outras feiras menores essa necessidade tem aberto espaços e facilitado a participação de coletivos independentes, estandes dedicados a universidade, projetos especiais. Já era, enfim, hora da maior feira nacional fazer o mesmo. Ampliar acesso é mais que distribuir ingresso, mas realmente possibilitar que haja uma maior absorção e participação dentro do mercado. E, ainda que a SP-Arte seja menos propicia para esse tipo de movimento, o Rotas é o lugar ideal.
Longe de mim o que cada um deve comprar, cada coleção é uma coleção. Mas, com mais e mais galerias chegando a mesma conclusão, vale ilustrar do que estamos falando e conhecer algumas obras que têm tudo para valorizar. Papel e caneta, vamos às dicas.
5 destaques da 5ª edição da SP-Arte Rotas
Ocupá, Jonathan Gomes
O primeiro projeto que vale a pena conhecer é o Ocupá, uma galeria carioca que participou pela primeira vez na feira. Com uma seleção dedicada a seis artistas mulheres, de diferentes gerações, a proposta é criar pontes entre a Zona Sul carioca e artistas de territórios periféricos do Rio de Janeiro. Idealizada por Jonathan Gomes, a galeria da Gávea conecta realidades distintas, com o intuito de expandir olhares e promover a inserção de artistas periféricos e emergentes em espaços culturais que historicamente lhes foram negados.
Jatobá Nascente, Sertão Negro
De Sertão Negro e o projeto Jatobá Nascente, que já falamos por aqui. Também participando pela primeira vez, de forma independente, o estande se apresentou como uma instituição sem fins lucrativos. Em vez de comercializar obras, ela oferecia formatos de incentivo e colaboração com obras em contrapartida.
A proposta consistiu na apresentação de um modelo de financiamento e emancipação artística baseado na autonomia coletiva, unindo ateliê, moradia, educação e gestão compartilhada. Com obras acessíveis de artistas como Lucélia Maciel, Genor Sales, Abraão Veloso, William Maia, Xica e Tor Teixeira, o estande foi um dos grandes destaques dessa edição.
Florian Raiss e Clara Moreira, Galeria Lume
O estande da galeria Lume foi, talvez, o grande destaque, com um dialogo entre Florian Raiss e Clara Moreira. Com uma curadoria linda e muito bem feita, a apresentação das pinturas inéditas da artista surpreendeu.
Clara, muito conhecida pelos autorretratos em desenho, apresentou uma série de médios e grandes formatos em óleo. Neles, apresentou mulheres pássaro com uma técnica primorosa, um visual impactando e, o melhor de tudo, um ótimo preço. Tão difícil o bom gosto casar com o acessível que essa é uma grande dica de ótimo investimento – para a parede e para o bolso.
Galeria Novos Para Nós
Para os amantes da arte popular, a galeria Novos Para Nós traz uma seleção divertida e irreverente. Com o tema “desdoidar”, a seleção brinca com festa populares, erotismo, cenas cotidianas, em pintura e escultura, com um recorte de artista que questionaram a ideia de lucidez. Realmente primoroso e divertido, o que faz falta em muita coleção.
Alcino Fernandes, Galeria Aura
Por fim, Alcino Fernandes, uma descoberta na galeria Aura. Com pinturas a óleo de medio formato, o artista traz um surrealismo a partir das paisagem de sua terra natal, no Rio Grande do Norte. Formas, figuras, frutos, sem confundem com cenários de sonhos e discutem as lembranças da terra e os rituais do corpo, misturando fé, território, pertencimento e tesão. Também uma ótima aquisição.
CIAO!
Velho mundo, nova febre: Itália lidera crescimento entre turistas brasileiros em 2026, diz estudo
31 de agosto de 2026 - 15:30SAPACROCS
Tênis da Crocs? Calçado de R$ 500 é híbrido e foi criado para usar no frio e no calor
31 de agosto de 2026 - 12:00AUTOVIGILÂNCIA
Os wearables inteligentes são úteis para a saúde ou estão nos deixando paranoicos? O que dizem os médicos
31 de agosto de 2026 - 8:16NOVIDADE
TotalPass para pessoa física: nova parceria libera planos de academia sem vínculo com empresa
29 de agosto de 2026 - 9:00AUTOR POBRE?
Autor de “Pai Rico, Pai Pobre” quebrou? Com US$ 1,2 bilhão em dívidas, escritor defende que esse é o segredo para ficar rico
29 de agosto de 2026 - 8:00NOVIDADE FITNESS
Lagree, o “primo do Pilates” que virou febre em Los Angeles e chegou ao Brasil
28 de agosto de 2026 - 8:16PONTINHOS DE MILHÕES
As bolinhas de R$ 50 milhões: os maiores valores em obras de Yayoi Kusama
27 de agosto de 2026 - 15:00A RESPOSTA DA TRADIÇÃO
Gazpacho, salmorejo e ajoblanco: as receitas espanholas para vencer o calor extremo
27 de agosto de 2026 - 8:16ESTRELA COUNTRY
Da casa humilde no Tennessee à fortuna de US$ 450 milhões: a carreira de Dolly Parton em números
26 de agosto de 2026 - 13:30O ATALHO DO CNPJ
As picapes de meio milhão e o hack tributário da alta renda
26 de agosto de 2026 - 8:16UMA NOITE NO MUSEU
Quanto custa uma noite no ‘Met Gala brasileiro’? Festa do MASP terá atração internacional e quer arrecadar R$ 5 milhões
25 de agosto de 2026 - 18:33WEARABLES
Oura Ring: o que é e como funciona o anel inteligente que mede seu sono e pode levar fabricante a valer R$ 82 bilhões
25 de agosto de 2026 - 14:30BRASÍLIA COM ASSINATURA
Com menu secreto, Paulo Tarso comanda um dos restaurantes mais autorais de Brasília: “A gastronomia me encontrou”
25 de agosto de 2026 - 8:16TCHAU!
Häagen-Dazs deixa o Brasil: a história por trás do sorvete premium que parece dinamarquês mas não é
24 de agosto de 2026 - 16:35RANKING
Brasil aparece no top 5 melhores países para estrangeiros morarem em 2026; veja ranking
24 de agosto de 2026 - 13:20VINHO PARA A PANELA
“Se eu não beberia, deveria cozinhar com ele?” Saiba como escolher vinho para preparar receitas de acordo com chef
24 de agosto de 2026 - 8:16COMO COMEÇAR?
Clube de Colecionadores: como começar a colecionar arte e qual o valor da obra seriada
23 de agosto de 2026 - 9:01MERCADO DE LUXO
Rolex, Cartier, Patek Philippe e mais: quanto custa montar a ‘coleção básica’ de relógios de um milionário
23 de agosto de 2026 - 8:30EXPANSÃO HOTELEIRA