Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos
PREMIUM EM DEBATE

Caoa Changan CS75 e o paradigma de que premium precisa ser caro

Novo SUV médio nacional chega a preço de SUV compacto e, embora não seja eletrificado, entrega elementos de nível superior

Caoa Changan CS75
Caoa Changan CS75 - Imagem: Divulgação

A Caoa Changan apresentou nesta semana o CS75. O segundo modelo da marca chinesa produzido no Brasil é também o mais ambicioso já lançado por ela no país em termos de posicionamento. O SUV chega à fábrica de Anápolis, em Goiás, como sucessor direto do Uni-T. No objetivo, uma tentativa explícita de ocupar um espaço que, até aqui, pertencia quase exclusivamente a marcas estabelecidas como Volkswagen, Jeep e Toyota.

O preço de lançamento é R$ 199.990. Este valor coloca o carro em concorrência direta com o Jeep Compass Longitude, o Volkswagen Taos Comfortline e o GWM Haval H6, todos na mesma faixa.

Caoa Changan CS75
Caoa Changan CS75

Na apresentação conduzida pelo engenheiro-chefe da Caoa Changan, Riccardo Fulchignoni, ele descreveu o CS75 como o flagship da Changan no Brasil. É uma referência ao posicionamento do modelo dentro do portfólio nacional da marca, que já inclui o Uni-T (lançado em março por R$ 175 mil) e a linha de luxo Avatr (o modelo 11 já à venda por R$ 600 mil). De acordo com dados apresentados pela Caoa Changan, o CS75 já vendeu mais de 3 milhões de unidades em 117 países desde seu lançamento original há 12 anos. Foi o SUV a combustão mais vendido da China entre 2021 e 2025.

Esse histórico de vendas internacional não diz necessariamente algo sobre a percepção do consumidor brasileiro em relação à marca. Para entender se o discurso de SUV premium se sustenta, é preciso ser criterioso. Vale separar o que está nas especificações técnicas, o que aparece nas primeiras impressões da avaliação ao dirigir e o que continua sendo apenas “promessa”.

O que define um SUV como premium

Não existe um critério técnico único e universalmente aceito para classificar um carro como premium. O termo é usado pela indústria automotiva de forma flexível, geralmente associado a uma combinação de fatores. Há a qualidade percebida dos materiais internos, nível de equipamentos de conforto e tecnologia e a sofisticação do design. Além disso, considera-se também o posicionamento de marca construído ao longo do tempo.

Marcas tradicionalmente premium, como Audi, BMW e Mercedes-Benz, sustentam esse posicionamento não apenas com engenharia, mas com décadas de reputação, rede de concessionárias exclusiva e um histórico de desempenho em testes de confiabilidade e revenda.

Leia Também

ESTILO DE VIDA TRILIONÁRIO

Onde um trilionário moraria? Conheça as propriedades de Elon Musk

ENTRE TERRITÓRIOS

O que esperar do novo menu degustação do Metzi, que une México e Brasil em nove tempos

O premium da Caoa

A Caoa Changan usa o termo premium para descrever o CS75, citando “primeira classe sobre rodas”. Assim, compara o nível de conforto da cabine a uma experiência de aviação executiva. Entre outros features, aparece o banco do passageiro dianteiro tem ajuste elétrico em 14 posições e função de massagem em oito modos. Além do chamado conceito Zero Gravity, inspirado em tecnologia desenvolvida originalmente para a Avatr, marca (realmente) de luxo do grupo Changan. Essa tecnologia foi trazida especificamente para elevar o padrão de conforto do CS75 dentro do segmento.

Caoa Changan CS75
Caoa Changan CS75

Esses itens, isoladamente, de fato, aparecem com menos frequência em SUVs nesta faixa de preço de R$ 200 mil no Brasil. Bancos com massagem, ventilação dianteira e traseira simultâneas e três telas digitais somando 37,2 polegadas não são padrão em concorrentes diretos como Compass ou Taos. A terceira tela, inclusive, é voltada ao passageiro frontal, mas seus conteúdos são bastante limitados enquanto o carro estiver em movimento.

Banco Zero Gravity do Caoa Changan CS75
Banco Zero Gravity do Caoa Changan CS75

A questão é se a presença desses itens, por si só, é suficiente para justificar o posicionamento de marca que a Caoa Changan quer construir. Ou, ainda, será que o termo premium está sendo usado como recurso de marketing para compensar a ausência de outros atributos historicamente associados ao segmento, como eletrificação, herança de marca e rede de pós-venda consolidada.

A ausência de eletrificação como escolha estratégica?

Um dos pontos mais discutidos sobre o lançamento do CS75 no Brasil, inclusive, é justamente o que ele não traz: eletrificação. Diferentemente de boa parte das marcas chinesas que desembarcaram recentemente no país – caso de BYD, GWM e da própria Caoa Chery, controlada pelo mesmo grupo Caoa –, a Changan optou por trazer o CS75 brasileiro apenas com motor a combustão. Assim, mantém a mesma mecânica 1.5 TGDi turboflex de 180 cv e 29,2 kgfm de torque já usada no Uni-T, associada ao câmbio automático de oito velocidades da Aisin (mesma fornecedora da Toyota, Lexus, Volvo, BMW e Audi).

A estratégia de apenas oferecer um motor a combustão mira consumidores que ainda não desejam um veículo eletrificado. Nem por isso abrem mão de conforto, requinte e tecnologias. Isso fica claro ao entrar no CS75. Por dentro ele é todo minimalista, quase sem botões e quase todos seus ajustes são feitos pela tela do multimídia, como nos mais modernos modelos elétricos que temos no mercado.

O consumo e a resposta

O efeito colateral: a própria montadora “abafa” seus números de consumo. De acordo com o Inmetro, o Changan CS75 faz com etanol 7,2 km/l na cidade e 8,5 km/l na estrada. Abastecido com gasolina, 10,5 km/l e 12,3 km/l, respectivamente. Números aceitáveis, mas criticados quando comparado a modelos do mesmo porte e faixa de preço híbridos. Um GWM Haval H6 One HEV (híbrido que não requer tomada) faz 10,2/9 km/l com etanol e 15,8/13 km/l com gasolina (cidade-estrada), uma diferença respeitável.

Se o consumidor “reclamar”, a Changan está atenta e trabalha com a possibilidade de trazer ao Brasil uma versão híbrida plug-in do CS75. Na China, essa versão entrega 312 cv combinados entre motor a combustão e elétrico, com bateria de 18,4 kWh e aceleração de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos. Os chineses são muito mais rápidos nas decisões de lançamentos do que marcas europeias e americanas.

Uma questão de categoria

Em outras palavras, a ausência de eletrificação não parece ser, neste momento, uma limitação técnica da marca, mas uma escolha de posicionamento de produto e de preço. Antecipar um motor híbrido plug-in eleva o custo de produção e, consequentemente, o preço final ao consumidor. Com isso, estratégia entraria em conflito direto com a estratégia de oferecer um SUV grande pelo preço de um SUV compacto.

Caoa Changan CS75
Caoa Changan CS75

Do ponto de vista mercadológico, essa não é uma decisão irracional. O segmento de SUVs médios e grandes a combustão ainda representa a maior parcela das vendas no Brasil. A infraestrutura de etanol no país torna a flexibilidade de combustível um argumento de peso que SUVs puramente elétricos ou híbridos não oferecem com a mesma praticidade. Só nas últimas, por exemplo, tivemos lançamentos de GWM e BYD flex.

Questionar se a ausência de eletrificação diminui a qualidade do carro é muito diferente de avaliar se ela enfraquece seu status “premium”. Como produto, o SUV CS75 continua robusto. Já a sustentação do seu discurso de luxo enfrenta um desafio bem mais complexo.

Dimensões como argumento de venda

Se há um atributo em que o CS75 se diferencia da concorrência direta, é o tamanho. Com 4,77 metros de comprimento, 1,91 metro de largura e 2,80 metros de entre-eixos, o SUV supera rivais como Jeep Commander (de 7 lugares) e GWM Haval H6.

Esse argumento de espaço foi reforçado durante a apresentação à imprensa. Na ocasião, a equipe da marca projetou comparativos de silhueta sobreposta entre o CS75 a modelos como Mercedes-Benz GLC 300, Volvo XC60, Audi Q5, Mercedes-Benz GLB 220, GWM Haval H6 e Jeep Commander, demonstrando que o SUV chinês supera todos eles em comprimento e largura.

A escolha de comparar o CS75 com SUVs premium europeus, e não apenas com concorrentes diretos de preço, é associar visualmente o seu produto a um patamar de mercado mais alto do que o preço sugeriria.

No porta-malas, a capacidade declarada também chama atenção. São 725 litros na configuração convencional com assoalho rebaixado, podendo chegar a 1.620 litros com os bancos traseiros rebatidos.

Caoa Changan CS75: porta-malas
Caoa Changan CS75: porta-malas

Design que quer ser premium

Desenvolvido por estúdios globais para entregar uma estética que mistura o luxo europeu ao futurismo asiático, o Caoa Changan CS75 aposta em um visual robusto e altamente tecnológico.

Na dianteira agressiva, destaca-se a imponente grade infinita preta com grade ativa (aletas que abrem e fecham). Além disso, há faróis full led afilados. Parte de sua frente, aliás, lembra o também chinês Ford Territory e alguns elementos são bem parecidos com os do Nissan Kicks.

Caoa Changan CS75
Caoa Changan CS75

A lateral musculosa ressalta o porte do SUV com as rodas aro 20 e maçanetas retráteis ao estilo Tesla Model 3. Enquanto isso, a traseira adota a forte tendência das lanternas interligadas por uma barra de luz contínua, semelhante ao que se vê no Porsche Macan e no Audi Q8. O resultado é um design moderno, moldado sob medida para entregar a imponência exigida pelo consumidor na faixa dos R$ 200 mil.

Impressões ao dirigir

No primeiro contato que tivemos ao volante do Caoa Changan CS75, em um percurso basicamente de estrada em torno de 70 km, o SUV agradou. Com um rodar suave e silencioso, o motor de 180 cv foi suficiente, garantindo segurança em ultrapassagens e retomadas. O destaque foi para o câmbio automático de oito velocidades, que prioriza o conforto e a suavidade das trocas. Essa caixa permite que o motor trabalhe em rotações mais baixas nas rodovias. Isso se traduz na redução de ruído na cabine e otimização do consumo, o que mais uma vez alinha a dirigibilidade do carro ao padrão de refinamento visto no segmento de luxo.

Outro ponto é o acerto de suspensão, menos “chinês” (que prima pelo conforto e maciez, por causa das boas condições de suas vias) e mais “abrasileirado”. A engenharia da Caoa Changan fez ajustes para que o SUV estivesse mais adaptado ao piso repleto de irregularidades sem comprometer conforto e segurança.

Para isso, escolheu suspensão independente nas quatro rodas, arquitetura McPherson na frente e multibraço atrás. Além disso, há o uso de pneus Pirelli P Zero All Season em rodas de 20 polegadas (a maioria dos concorrentes usa 19”) com pneus 235/50 R20. O perfil lateral mais alto atua como o primeiro estágio de amortecimento e funciona para blindar a cabine contra impactos secos. Ou seja, medidas que reforçam a preocupação estética (rodas grandes), com conforto e segurança.

Cinco estrelas e assistências

Por falar em segurança, aliás, o reforço estrutural e seus conteúdos de assistências ao motorista também ganham contornos de segmento premium. A Caoa Changan afirma que o CS75 obteve classificação máxima de cinco estrelas em testes de impacto, com mais de 80% da carroceria construída em aços de alta e ultra-alta resistência.

Caoa Changan CS75: teto solar
Caoa Changan CS75: teto solar

A marca não especificou qual protocolo de teste gerou essa nota. Isso importa porque eles variam entre regiões, e nem sempre um resultado obtido em um mercado se transfere automaticamente para a versão vendida em outro país, ainda que o carro seja estruturalmente semelhante.

Já no campo dos sistemas de assistência à condução, o pacote chamado pela marca de Caoa Changan Vision System oferece itens como piloto automático adaptativo, alerta e assistência de permanência em faixa, frenagem automática de emergência e câmera de visão 540 graus.

Esse tipo de pacote, com nomenclatura e funcionalidades equivalentes ao que se classifica internacionalmente como Adas de nível 2, vem se tornando mais comum em SUVs de marcas chinesas no Brasil, e representa um dos poucos campos em que a tecnologia embarcada de fato avançou de forma mais rápida do que a renovação correspondente em marcas tradicionais na mesma faixa de preço.

Premium: preço ou acabamento?

Existe alguma contradição em vender por R$ 199.990 um carro descrito pela própria marca como produto de luxo? Se o critério for apenas tecnologia e conforto, o CS75 de fato supera rivais diretos, entregando itens, como bancos com massagem e três telas digitais, que não são padrão em um Compass Longitude ou Taos Comfortline. Porém, o conceito global de premium também exige solidez de marca, histórico de revenda e eletrificação, atributos que uma operação com menos de um ano de Brasil ainda precisa construir.

Caoa Changan CS75 tem painel três telas
Caoa Changan CS75 tem painel três telas

Para compensar essa falta de histórico, a aposta recai sobre o peso do grupo Caoa (que já consolidou marcas como Hyundai e Chery) e em uma agressiva garantia contratual de 7 anos ou 150 mil quilômetros. Das chinesas mais recentes, é uma das que possui a melhor estrutura inicial: já são 30 concessionárias e 20 oficinas em funcionamento, com meta de chegar a 50 pontos até o fim de 2026.

Acabamento do Caoa Changan CS75
Acabamento do Caoa Changan CS75

No fim das contas, a estratégia da Caoa Changan usa a linguagem do luxo como ferramenta de diferenciação. O que vimos no CS75 é um SUV com especificações robustas, boas impressões de dirigir e um pacote farto de equipamentos vendido a um preço que o aproxima mais de SUVs compactos do que do segmento médio-grande em que ele compete por dimensões.

Dessa forma, com o CS75, a Caoa Changan quebra o paradigma de que luxo e tecnologia precisam, obrigatoriamente, custar caro.

Praia Anakena do ar, uma vista aérea da praia mais famosa na ilha de Páscoa e talvez o melhor no Chile 22 de junho de 2026 - 9:01
Janice Wong 22 de junho de 2026 - 8:16
Vessel, nos Hudson Yards, promove evento para acompanhar a Copa do Mundo 20 de junho de 2026 - 10:57
Parque com lago e árvores no meio de prédios 19 de junho de 2026 - 8:16
O vinho Metropolitano Cabernet Sauvignon 2024, desenvolvido pelo Grupo Wine e elaborado no Chile, conquistou Medalha de Ouro no Concours Mondial de Bruxelles (CMB) 2026 18 de junho de 2026 - 18:30
Mercado gastronômico Time Out desembarca em São Paulo em 2027 18 de junho de 2026 - 12:47
Fachada do café Post Modern Times, em Minneapolis 18 de junho de 2026 - 10:58
Destaques no Decanter World Wine Awards 2026 17 de junho de 2026 - 13:03
Ilustração de um detetive investigando caso de mortes misteriosas 17 de junho de 2026 - 11:41
Paradeiro de joias roubadas em outubro no Louvre permanece um mistério 16 de junho de 2026 - 18:15
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar