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Segunda feira de arte mais importante do calendário paulistano, ArPa acontece até dia 31 de maio na Mercado Livre Arena Pacaembu – e oferece boas chances para comprar obras e começar uma coleção

Em apenas quatro anos, a ArPa consolidou-se como a segunda feira de arte mais importante do calendário de São Paulo. Aberta desde esta quarta-feira (27) na Mercado Livre Arena Pacaembu, ela ocorre em formato mais reduzido que a SP-Arte, mas prima por propostas curatoriais mais amarradas. O resultado é um evento mais acessível, principalmente para quem planeja adquirir alguma obra ou mesmo começar sua coleção. E, quando o assunto é o ingresso no mercado de arte, é quase inevitável o retorno às questões: qualidade e preço acessível são coisas que combinam? Arte boa também cabe no bolso?
A resposta mais direta é: com certeza. Inclusive porque a maneira com que se precifica uma obra é diferente da forma com que se precifica produto. O valor de uma obra não é só a soma de custo mais lucro. O que se paga não é a qualidade do material mais a mão de obra de execução.
E talvez essa seja uma das maiores dúvidas de quem começa a colecionar, tanto os colecionadores apaixonados quanto quem busca a arte como investimento: entender a diferença entre quanto vale e quanto custa, na prática. Ter essa percepção, junto com repertório, é o que garante boas compras e investimentos nos lugares (e carreiras) certos.

Antes de mais nada, tem arte de todo preço. Desde alguma centenas de reais até muitos milhares. Mas como saber se o que pago também compra qualidade ou relevância?
Assim como todo investimento de risco, tem risco. Principalmente em mercado primário, com artistas entrando agora no circuito. Qualquer promessa de valorização é um exagero, futurologia. O quanto um artista se valoriza e, por sua vez, sua obra, dependem de variáveis que não estão sob controle do artista. Por isso que o colecionismo tem tanto de paixão: parte do ganho já está em investir em algo que dá prazer, sem a certeza de um grande retorno financeiro.
Porém, dá pra reduzir esse risco com formação e informação. Se interessar por arte, por artistas e pesquisar, é o que vai manter seu senso estético apurado e seu tino pros negócios, afiado. O segredo é orçamento: predefinir o quanto e como se pretende gastar é essencial até se desenvolver os relacionamentos e capital pra barganhar.
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E assim como qualquer outra compra, vai ter aquilo que ganha os olhos e se compra por impulso. “Me mimei"é bastante recorrente e bem recomendado quando se coleciona arte. A graça de colecionar e e o que vai dar personalidade para a coleção vão ser essas peças. Como no universo da tatuagem, às vezes a que agrada mais não é a melhor desenhada.
Feiras menores, mercados regionais, galerias de pequeno porte são ótimos lugares pra conhecer artistas e achar obras com valores mais acessíveis. Mercados menores vão ter sempre um teto de preço, enquanto os mercados centrais tem um piso. A aposta está em achar as oportunidades de boas obras, artistas interessantes, que cabem no orçamento e estejam nessa margem.
A parte mais divertida e recompensadora do colecionismo, para quem entende, está justamente na busca.
Muita gente que compra arte nem sempre se interessa em como se precifica uma obra: acredita-se no valor como o resultado justo de uma soma e se consulta formas de negociar o preço.
Com arte não é diferente, mas entender como se chega no valor de uma compra ajuda tanto o artista, que entende de fato o preço, quanto o colecionador. Quem compra uma obra não se identifica apenas com a poética, mas espera que essa obra valorize. Obras valorizadas constróem coleções importantes. Mais do que ter uma casa "bem decorada", quem coleciona como investimento quer saber a rentabilidade.
Acontece que o preço de uma obra muitas vezes é uma especulação de quanto ela vale. É a soma do valor material da peça com a percepção do valor simbólico do artista. Um quadro, por exemplo, vai ter seu preço calculado levando em consideração as dimensões, a técnica, se faz parte de uma série ou não, o suporte (tela, papel, madeira, etc), o tempo de execução, os materiais. Tudo isso é o custo material. Mas seu valor vai a construção feita a partir dali.
Entra em jogo, portanto, o tamanho da galeria e sua articulação com o mercado, o tempo de carreira e trajetória desse artista, sua presença em coleções privadas ou acervos de museus. Ou seja, a percepção que o mercado tem desse artista e a relevância do trabalho.
Novamente, não se mede necessariamente a qualidade artística, mas aderência ao mercado e aquilo que o mercado valoriza hoje. Essa distinção é fundamental pra orientar a que se destina sua coleção, se é fomentar arte ou investir em arte.

Voltemos à ArPa. Com um formato que prima por uma quantidade limitada de artistas, até três por galeria, a feira promove uma experiência mais imersiva e educativa que outros eventos. Ainda que isso limite a oferta, facilita pro novo colecionador. Além da menor quilometragem de passada, é o que permite mais tempo de conversa, mais ambiente pra escuta. A sola do sapato agradece. Sua coleção, também.
Ir em feira é essencial, frequentas as aberturas é extremamente recomendável, conhecer os ateliês é ideal. Isso porque o mundo das artes é profundamente social. Mais que uma vaidade, é fundamental para os negócios. Outros colecionadores, galeristas e artistas são ótimas fontes de informação, além de boas companhias.
Carente de informação oficial de vendas, valorização e investimento, o mercado da arte relega ao tempo e à qualidade da informação indicativos importantes de acesso. (O que não desobriga o comprador de acompanhar o estudo anual feito pela Art Basel e alguns relatórios menores pontuais, naturalmente.)
Com 53 galerias participantes na edição 2026, a ArPa promove 12 conversas que ajudam a compreender o panorama artístico do Brasil hoje. São mesas como "Publicar Arte no Brasil", que reúne Paula Plee e Ana Roman, da revista Piscina, com a programadora Yasmin Abdalla e a jornalista Marina Dias Teixeira. Ou ainda o encontro do curador Diego Matos com o artista Eustáqui Neves, promovido em parceria com A Feira do Livro, que também ocupa o Pacaembu este fim de semana.
Falando praticamente, um colecionador, veterano ou iniciante, observa o que está sendo mostrado em uma feira, qual tipo de linguagem está em voga. Comparar preço entre obras parecidas em tamanho e técnica é uma forma de começar a entender a precificação.
A idade do artista, seu curriculum e pesquisa também ajudam, pouco a pouco, a informar qual direcionamento de carreira cada galeria propõe aos criadores. É dessa comparação que se avalia qualidade da compra, a relevância do artista do posicionamento no mercado e, sobretudo, a margem de valorização da obra.
Artistas com curriculum extenso de exposições individuais e coletivas, que participa de residências artísticas dentro e fora do Brasil, que estão em coleções privadas e acervos institucionais vão, portanto, custar mais. Já artistas emergentes, cuja a carreira está sendo construída, têm uma margem maior de valorização.
As primeiras aquisições, os primeiros acervos institucionais e coleções alavancam os valores de artistas iniciantes no mercado. Mais que o preço final, avalia-se quanto uma obra se valorizou em determinado tempo.
Contrastar informação, afinal, talvez seja o diferencial de uma feira: várias galerias lado a lado, com obras e artistas de diversos formatos, momentos de carreira e linguagens, no mesmo lugar. Isso não só permite que um colecionador veja coisas diferentes, mas facilita a comparação de obras semelhantes. É entender como carreira orienta valor – o que, em última instancia, afeta preço.

A ArPa acontece até o dia 31 de maio na Mercado Livre Arena Pacaembu, das 13h as 20h30.
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