Advent ganha cadeira na Natura (NATU3): acionistas aprovam entrada da gestora e dispensam OPA
Analistas enxergam a presença da Advent como um reforço para a tentativa de reestruturação da Natura; confira os detalhes dessa história

Depois de cinco meses de negociações, compras de ações e ajustes na governança, a Advent International finalmente garantiu seu lugar à mesa da Natura (NATU3).
Os acionistas da fabricante de cosméticos aprovaram, nesta quinta-feira (27), as mudanças necessárias para a entrada da gestora norte-americana no conselho de administração, encerrando uma das principais discussões societárias envolvendo a empresa neste ano.
No início do mês (1º), a Advent cumpriu a promessa de atingir uma participação mínima de 8% no capital da Natura.
Para a operação ser concluída, ficou pendente que os acionistas detentores de 38,82% do capital — incluindo os fundadores — fizessem duas assembleias: uma para votar a dispensa da obrigação da Advent realizar uma oferta pública de aquisição (OPA), e outra para votar mudanças na governança da companhia.
Foi isso que aconteceu nesta quinta-feira (27).
Na primeira Assembleia Geral Extraordinária (AGE), os investidores aprovaram a dispensa da obrigação de OPA para o Lotus Fundo de Investimento, veículo ligado à gestora.
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Já na segunda, deram sinal verde para alterações no estatuto social da companhia e para a eleição de dois nomes indicados pela Advent para o conselho de administração.
Os escolhidos foram o argentino Juan Pablo Zucchini, managing partner da Advent International, e Rafael Patury Carneiro Leão, managing director da Advent do Brasil.
Apesar do reforço na presença da gestora, a Natura ressalta que a Advent não assumirá o controle da companhia.
A minuta do novo acordo de acionistas deixa claro que o fundo terá direito de participar do conselho e alguns comitês, mas não haverá obrigação de votação conjunta em todas as matérias.
A coordenação entre as partes ficará concentrada principalmente em temas ligados à composição da administração da empresa.
O capítulo final de uma negociação iniciada em março
A votação desta quinta-feira (27) encerra um processo iniciado há cerca de cinco meses.
Em março, a Advent fechou um acordo com os fundadores Luiz Seabra, Guilherme Leal e Pedro Passos para ingressar no capital da Natura.
A gestora precisaria alcançar uma participação mínima de 8% para ter direito a indicar dois representantes ao conselho de administração.
Ao longo dos últimos meses, a gestora foi ampliando sua exposição à companhia, inicialmente por meio da compra direta de ações e também através de contratos de derivativos.
No fim de julho, a Natura informou que a Advent havia concluído a aquisição da participação mínima prevista no acordo.
Como consequência, foi necessário convocar as assembleias para liberar a gestora da obrigação de realizar uma OPA e formalizar sua entrada na governança da empresa.
O que muda para a Natura?
Analistas vêm enxergando a presença da Advent como um reforço para a tentativa de reestruturação da Natura.
O JP Morgan defende que a gestora pode contribuir para fortalecer a disciplina de capital, aprimorar a execução estratégica e aumentar a credibilidade da nova fase da empresa.
A Natura atravessa um período de mudança profunda depois de abandonar a estratégia que buscava transformá-la em uma gigante global de beleza.
Nos últimos anos, a companhia vendeu ativos considerados não estratégicos, incluindo a Avon International e a The Body Shop, reduziu sua complexidade operacional e voltou a concentrar esforços na América Latina.
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