Virada de chave da Nvidia (NVDC34) após o balanço: ação sobe mais de 8% e grandes bancos dizem que é hora de comprar
O motivo para o avanço dos papéis nesta quinta-feira (27) é a projeção para o futuro da companhia; saiba o que está no caminho da fabricante de chips

Para os investidores que acompanham a Nvidia (NVDC34), a noite de quarta-feira (26) teve ares de um filme de suspense: após a divulgação dos resultados trimestrais, as ações da big tech chegaram 2% no mercado estendido de Nova York, ensombradas pelas dúvidas sobre o retorno financeiro dos pesados investimentos em inteligência artificial (IA). Só que esse filme era um curta metragem.
Nesta quinta-feira (27), o roteiro da Nvidia se transformou em um épico de otimismo em Wall Street. Com um salto de mais de 8%, a fabricante de chips reacendeu o fôlego das bolsas norte-americanas — o Nasdaq avança mais de 1% neste início de tarde embalado pelo ganho das ações da empresa.
O motivo para a virada de chave? As projeções para o futuro da Nvidia e números que comprovam que a demanda por infraestrutura de IA continua em ritmo acelerado.
Uma máquina de bater expectativas
Apesar da reação hesitante no curto prazo, o desempenho financeiro da Nvidia no trimestre foi uma demonstração de força, superando com folga as estimativas de Wall Street.
O lucro líquido da companhia atingiu US$ 58,69 bilhões, o que representa um salto de 126% na comparação anual. No resultado ajustado por ação, o ganho ficou em US$ 2,20 — uma alta de 120% no ano e acima dos US$ 2,10 previstos pela FactSet.
A receita total seguiu a mesma trajetória e avançou 106%, alcançando US$ 96,22 bilhões e deixando para trás o consenso do mercado de US$ 92,17 bilhões.
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O grande trunfo do balanço veio da divisão de Data Center, responsável pelos chips de processamento de IA. O segmento arrecadou US$ 89 bilhões, mais do que dobrando de tamanho e passando a responder por 92% de todas as vendas da empresa.
Apenas os clientes diretos desta unidade geraram US$ 40,3 bilhões no trimestre, um salto de 138%.
Nvidia e as projeções de encher os olhos
Mais do que o resultado passado, foi a visão de futuro apresentada pela diretoria da Nvidia que virou o jogo.
Para o terceiro trimestre fiscal, a companhia projeta vendas de US$ 108 bilhões e margem bruta de 74%.
Contudo, o grande divisor de águas ocorreu durante a teleconferência com analistas, na qual a Nvidia indicou uma meta de crescimento de receita de 70% para o ano fiscal de 2028, que começa em janeiro de 2027, bem acima da estimativa de 44% calculada pelo mercado.
A diretora financeira da empresa, Colette Kress, revelou que as projeções dos clientes apontam para uma demanda que pode dobrar no próximo ano e enfatizou que o principal obstáculo atual é a limitação na capacidade de fornecimento de chips — sem a qual as perspectivas seriam substancialmente maiores.
Vale compra a ação
Diante desse cenário, os grandes bancos de Wall Street reiteraram o entusiasmo com o papel. O Bank of America manteve a recomendação de compra com preço-alvo de US$ 350, avaliando que a Nvidia elevou ainda mais a régua da competição e garantiu a dominância no setor.
Embora tenha mantido a projeção de lucro por ação para o ano fiscal de 2027 em US$ 9,09, o BofA elevou a estimativa para o ano fiscal de 2028 em 19%, projetando US$ 15,72.
Já o JPMorgan elevou o preço-alvo da ação de US$ 280 para US$ 320, reiterando recomendação overweight (compra).
O banco classificou a projeção de 70% de alta da receita como conservadora diante do avanço veloz da IA agêntica — tecnologia com autonomia para tomar decisões e executar tarefas sem intervenção humana.
Além disso, o JPMorgan destacou o início dos embarques de produção da plataforma de computação de nova geração Vera Rubin, o produto de expansão mais rápida da história da Nvidia, o que reduz significativamente os riscos em relação à transição arquitetônica da companhia.
Quais os riscos no radar da Nvidia?
Apesar do momento brilhante, os investidores mantêm o olho atento em alguns pontos de cautela.
As margens de lucro da Nvidia foram revisadas levemente para baixo no curto prazo, devendo flutuar entre 71% e 73% nos próximos períodos devido ao aumento nos custos de memórias — uma postura considerada prudente pelo mercado.
No campo geopolítico, os envios de processadores Hopper para a China representaram menos de 1% da receita de Data Center.
Embora a projeção do trimestre seguinte continue sem contabilizar receitas do mercado chinês, a XP Investimentos avalia que a perda desse mercado endereçável foi absorvida com folga pelo forte crescimento de outras regiões.
Ao mesmo tempo, o mercado monitora o cenário global, no qual a S&P Global Ratings estima investimentos em infraestrutura de IA superiores a US$ 1,3 trilhão até 2027, enquanto investidores acompanham as discussões de novas tarifas sobre chips no governo de Donald Trump e a ascensão da startup chinesa DeepSeek.
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