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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

XÔ, VOLATILIDADE

‘Queridinha’ de Barsi na mira da B3: empresa em recuperação judicial leva enquadro da bolsa — e não é a única

Paranapanema (PMAM3), em recuperação judicial, foi notificada para sair da condição de penny stock; entenda

Camille Lima
Camille Lima
9 de janeiro de 2026
10:05
O megainvestidor Luiz Barsi Filho.
O megainvestidor Luiz Barsi Filho, em evento. - Imagem: Luiza Camejo/Divulgação

Uma empresa queridinha do megainvestidor Luiz Barsi Filho não conseguiu escapar da mira da B3. Em recuperação judicial, a Paranapanema (PMAM3) recebeu um enquadro da bolsa para deixar a incômoda condição de penny stock.

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Logo na virada do ano, a operadora da bolsa determinou que a Paranapanema apresente um plano concreto para retirar suas ações debaixo da linha de R$ 1. Hoje, os papéis são negociados a cerca de 67 centavos. 

A ofensiva da B3 contra penny stocks não é novidade no mercado brasileiro. Na última semana, a bolsa também cobrou a Espaçolaser (ESPA3) por algo parecido.

O motivo disso é que ações negociadas a preços muito baixos carregam um pacote conhecido — e pouco atraente: volatilidade exagerada, liquidez reduzida e maior espaço para movimentos especulativos.  

É um ambiente que dificulta a precificação correta dos ativos e eleva o risco para quem tenta entrar ou sair do papel. 

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Por isso, a B3 estabelece mecanismos de proteção contra penny stocks. Pelas regras, nenhuma ação pode permanecer por mais de 30 pregões consecutivos abaixo de R$ 1.  

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Quando isso acontece, a empresa é notificada e precisa apresentar um caminho para reenquadrar o preço. Se não houver reação, a bolsa pode aplicar sanções mais duras, como exclusões de índices. 

Queridinha de Barsi precisa deixar de ser penny stock 

No caso da Paranapanema, o cronômetro disparou em 13 de novembro de 2025. Desde então, os papéis não conseguiram retomar o nível mínimo exigido.  

Hoje, a ação é cotada a R$ 0,67, com uma queda acumulada de 17% no ano e de 97% nos últimos 10 anos. 

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Agora, a B3 cobra que a empresa divulgue os procedimentos e o cronograma a serem adotados para reenquadramento do preço das ações. A bolsa também estipulou um prazo para isso: a regularização deverá acontecer até 02 de julho de 2026.  

Em comunicado, a Paranapanema afirmou que “está avaliando as alternativas devidas em um esforço conjunto de seus órgãos de governança e adotará as medidas necessárias para promover tal reenquadramento dentro do prazo determinado para tanto, considerando-se a evolução da execução de sua atual estratégia de negócios”. 

O mercado já conhece o remédio mais comum para esses casos: o grupamento de ações. A operação eleva o preço unitário ao reduzir a quantidade de papéis em circulação, sem alterar o valor de mercado da companhia.  

Vale destacar que esta é uma solução técnica — que resolve o sintoma, mas não trata a causa. A operação não muda fundamentos financeiros ou resolve os desequilíbrios estruturais das empresas. 

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As finanças da Paranapanema (PMAM3), queridinha de Luiz Barsi 

A notícia desta sexta-feira (09) reforça o cenário de forte pressão sobre a Paranapanema. Outrora na mira da Vale (VALE3) — que chegou a oferecer mais de R$ 2 bilhões para assumir o controle em 2010 —, a produtora de cobre agora luta para manter as finanças de pé. 

No segundo trimestre de 2025, último balanço divulgado, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 258 milhões.  

Ainda assim, houve melhora: a perda foi 62% menor do que no mesmo período do ano anterior. Segundo a empresa, o resultado continuou pressionado por encargos financeiros de R$ 153 milhões, custos de ociosidade e provisões para contingências judiciais. 

Desconsiderando esses efeitos e outros itens não recorrentes, o prejuízo ajustado teria ficado em R$ 72 milhões — um número menos dramático, mas ainda distante do equilíbrio. 

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Em setembro de 2025, a Paranapanema anunciou a aprovação de um aumento do capital social de até R$ 1 bilhão. A capitalização acontecerá por subscrição privada de ações, ao preço de emissão de R$ 1,37 por ação. 

Além disso, os credores da produtora brasileira de cobre que tiverem créditos não sujeitos à recuperação judicial terão a possibilidade de capitalizar essas dívidas. 

É preciso destacar que o balanço do terceiro trimestre ainda não foi publicado. À Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Paranapanema afirmou em dezembro que o adiamento do resultado decorreu “exclusivamente da necessidade apuração final do teste de recuperabilidade de ativos (impairment), atividade tecnicamente complexa e que ainda exige análises adicionais por auditores independentes e pela administração". 

A recuperação judicial da Paranapanema 

Vale lembrar que a Paranapanema entrou em recuperação judicial em dezembro de 2022, declarando cerca de R$ 450 milhões em dívidas, incluindo passivos de controladas.  

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À época, Luiz Barsi classificou o movimento como um passo necessário para evitar o naufrágio do negócio e disse que a reestruturação “não era um bicho de sete cabeças”. 

De acordo com ele, tratava-se de uma forma de a empresa preservar a integridade operacional e, ao mesmo tempo, abrir uma oportunidade de voltar a gerar resultados. 

O investidor, conhecido por sua filosofia de longo prazo e foco em dividendos, manteve a confiança na Paranapanema. Em abril de 2025, chegou a elevar sua participação para 5% do capital social. Hoje, porém, sua fatia está em pouco mais de 3,5%, segundo dados de relações com investidores da empresa. 

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