Prio (PRIO3) recebe sinal verde final para produzir em Wahoo — e isso pode destravar o pagamento de dividendos já em 2026
Com licença do Ibama em mãos, petroleira conclui última etapa regulatória para iniciar produção no campo da Bacia de Campos; mercado agora volta os olhos para o impacto na geração de caixa e no potencial pagamento de dividendos

A notícia que os investidores mais ansiavam sobre a Prio (PRIO3) finalmente veio aí: a petroleira recebeu do Ibama a Licença de Operação (LO) do Campo de Wahoo, campo de petróleo localizado na Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. A autorização era a última etapa regulatória que faltava para a companhia.
Segundo fato relevante divulgado nesta terça-feira (3), com a emissão da licença, a empresa conclui o ciclo de aprovações necessárias para colocar o campo em operação. O ativo está atualmente em fase final de comissionamento, que antecede o início efetivo da produção.
Marco importante para a companhia
O mercado já vinha tratando Wahoo como um gatilho importante para a Prio. Em relatório recente, o Itaú BBA classificou o início da extração no campo como o principal catalisador micro da ação em 2026.
O banco projeta que o ramp-up — o aumento gradual da produção até atingir a capacidade esperada — deve ser rápido, com o campo alcançando cerca de 40 mil barris por dia após a conexão dos poços iniciais.
Essa conexão será feita com o campo de Frade, também operado pela Prio. Wahoo será interligado à infraestrutura já existente por meio de um sistema de tieback submarino, que conecta os poços por dutos ao navio-plataforma do campo. Assim, o óleo extraído em Wahoo será transportado até Frade para processamento, armazenamento e posterior escoamento.
Na prática, a produção deve começar com dois poços conectados ao sistema, com a entrada sequencial do terceiro e do quarto poço nas semanas seguintes.
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Essa estratégia permite acelerar o aumento de produção aproveitando a estrutura já instalada em Frade — reduzindo custos, encurtando prazos e diminuindo riscos operacionais.
No entanto, segundo os analistas, boa parte desse cenário já estava precificado nas ações, que chegaram a subir pouco mais de 1% ao longo do pregão na esteira da disparada do petróleo no mercado internacional nesta terça-feira (3). Por volta das 14h, os papéis estavam no zero a zero na bolsa.
Wahoo vai destravar dividendos para a Prio?
Na visão do analista da Empiricus, Ruy Hungria, a entrada de Wahoo em operação tende a reforçar de forma relevante a geração de caixa da PRIO, abrindo espaço para destravar o pagamento de dividendos já neste ano.
Mas essa equação ainda passa por variáveis importantes. O tamanho do caixa adicional dependerá não apenas da execução do projeto — isto é, se a produção vai de fato atingir os níveis esperados pelo mercado — como também do comportamento do preço do petróleo.
Para o Itaú BBA, há ainda um terceiro fator-chave nessa conta: a disciplina de capital da companhia e o nível de alavancagem que a gestão pretende manter.
Segundo informações do Brazil Journal, Wahoo poderá contribuir com até US$ 1,5 bilhão em geração de caixa livre neste ano. A estimativa, contudo, considera o Brent na casa dos US$ 60 por barril, patamar projetado antes da disparada recente da commodity em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Em relatório publicado também publicado antes da disparada do óleo, o Itaú BBA trabalhava com um cenário de Brent a US$ 60 e alavancagem alvo de 1 vez dívida líquida sobre Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para a Prio.
Nesse contexto, o banco via potencial de dividend yield, retorno apenas com dividendos, próximo a 24% em 2027 — número que poderia se tornar ainda mais robusto caso o petróleo permaneça em níveis mais elevados por mais tempo.
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