Primeira farmácia do Assaí (ASAI3) é a pílula que vai salvar o atacarejo? O que os executivos esperam da estratégia
Assaí abre a primeira unidade de farmácia dentro de um supermercado desde a sanção de nova lei em março; expectativa é inaugurar mais 250 lojas

Enquanto os supermercados sofrem com o endividamento das famílias, aumento dos gastos em bets e os efeitos das canetas emagrecedoras, o Assaí (ASAI3) aposta em um outro segmento que tem performado melhor como uma estratégia de expansão: as farmácias.
A rede de atacarejo vai tirar do papel a primeira unidade de farmácia dentro de um supermercado, prevista para entrar em operação na loja Anhanguera, em São Paulo, nesta quinta-feira (16).
E o plano do Assaí é maior do que apenas essa primeira unidade. A expectativa da empresa é de abertura de mais de 250 farmácias dentro das lojas ao redor do país. Até o primeiro semestre de 2026, o Assaí tinha 313 supermercados.
A inauguração da farmácia do Assaí é a primeira desde que foi sancionada a lei que permite que supermercados incorporem operações farmacêuticas em seus pontos de venda, em março deste ano.
O que mudou com a lei
Apenas para recapitular, a lei em questão que autorizou a abertura de farmácias em supermercados é a nº 15.357. Mas ainda que seja permitida a comercialização, há uma série de regras sanitárias para as empresas que adotarem a estratégia.
Uma delas é a exigência de profissional habilitado. Outra é a obrigatoriedade de um espaço físico exclusivo para a operação farmacêutica.
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Ou seja, remédios para dor de cabeça e diabetes não ficarão ao lado das frutas, legumes e produtos de limpeza, nem no Assaí e nem em nenhuma outra rede de supermercado. Veja todos os detalhes da lei nesta matéria.
Para o Assaí, a lei representa uma nova frente de crescimento para a empresa. Segundo o CEO da companhia, Belmiro Gomes, a entrada no segmento faz parte da estratégia de ampliar a participação da rede nos gastos dos clientes.
Portanto, o atacarejo quer aproveitar o segmento para morder uma fatia de um gasto que os brasileiros já teriam normalmente, mas que precisariam recorrer a empresas não vinculadas ao Assaí para comprar esse tipo de produto, como as drogarias tradicionais.
Cabe destacar que o que essa lei permite é algo diferente das farmácias que alguns hipermercados já tinham em suas galerias.
O que muda agora é que essas operações farmacêuticas podem funcionar dentro das próprias redes, embora tenham uma separação física.
Assaí espera ganhar mais e diluir custos operacionais
O CEO do Assaí reforça que a maior parte dos custos de uma farmácia tradicional já é absorvida pela operação do atacarejo. Além disso, a estratégia é aproveitar o fluxo de cerca de 40 milhões de clientes por mês e a estrutura já existente nas lojas.
"O aluguel já está aqui. A despesa de IPTU está aqui. A despesa de segurança está aqui", disse.
O diretor de Operações e Novos Negócios da companhia, Sérgio Leite, tem visão semelhante. "O balcão já está aqui, o funcionário já está aqui, a iluminação já está aqui. Isso nos permite ter uma operação muito eficiente e oferecer preços competitivos", afirmou.
Remédios de uso recorrente são o principal foco
Desde que a lei foi sancionada, uma discussão que ronda o mercado é como os supermercados podem ser capazes de competir com redes gigantes do varejo farmacêutico, como a RD Saúde (RADL3), dona das redes Raia e Drogasil.
Mas, segundo Gomes, o foco do Assaí não devem ser os medicamentos de uso emergencial. A atuação deve ser mais intensa nos remédios de uso recorrente.
"Não imagino a pessoa saindo do hospital e indo ao Assaí comprar um medicamento. A maioria das compras de medicamentos no Brasil já é planejada", disse.
O executivo ainda destaca que uma pesquisa realizada pela companhia mostrou que 78% dos clientes demonstraram intenção de comprar medicamentos no Assaí.
Em reportagem especial publicada pelo Seu Dinheiro em abril, Rafael Freixo, sócio e managing diretor da divisão brasileira da L.E.K. Consulting, falou sobre essa competição dos supermercados com as varejistas de farmácias.
O especialista levantou dúvidas sobre a conveniência e a proximidade entre os consumidores e as unidades. Segundo Freixo, o supermercado acaba perdendo para as farmácias tradicionais nesse quesito porque normalmente a possibilidade de ter uma drogaria perto de casa é maior.
As grandes lojas — como é o caso dos atacarejos —, que podem abarcar uma estrutura de farmácia, acabam ficando mais distantes dos bairros residenciais.
Ainda assim, há também um outro cenário. Existe o cliente que irá lembrar de comprar um medicamento somente ao passar pelas gôndolas, além do consumidor de remédios de uso contínuo que pode passar a fazer a compra mensal no mercado.
O que vem por aí para o Assaí
O objetivo do Assaí é abrir mais 250 farmácias, com cerca de 25 unidades até o fim deste ano, sendo cinco ou seis ainda em julho e outras três em agosto.
E o diretor de Operações e Novos Negócios enxerga essa estimativa com bons olhos, devido a uma maior facilidade de replicação do modelo.
"Diferentemente do segmento alimentar, o consumo de medicamentos é muito parecido entre as regiões. A molécula usada para tratar pressão alta é a mesma em São Paulo e no Nordeste", destaca.
A primeira farmácia do Assaí já será inaugurada com operação integrada ao e-commerce. Inicialmente, os medicamentos poderão ser comprados pelo sistema de clique e retire, com entregas previstas para uma segunda etapa.
Resultados do 2T26 se aproximam: o que esperar?
A primeira farmácia do Assaí será inaugurada semanas antes da divulgação de resultados da companhia, prevista para o dia 6 de agosto, com números referentes ao segundo trimestre de 2026.
Na visão do BTG Pactual, este deve ser mais um trimestre difícil para o varejo alimentar, considerado o mais fraco entre os segmentos varejistas.
A prévia divulgada pelos analistas aponta para números que ainda refletem tendências de consumo pressionadas e baixa alavancagem operacional.
A estimativa de crescimento do banco é de apenas 0,5% nas vendas mesmas lojas, uma métrica fundamental para o varejo, em comparação ao mesmo trimestre do ano passado, apesar de esperar um aumento no lucro líquido de 24,3%.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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