Petrobras (PETR4) pode pagar até US$ 3,5 bilhões em dividendos após os astros se alinharem no 2T26: o que esperar do balanço?
A combinação entre produção recorde, petróleo perto de US$ 100 por barril e refinarias operando em capacidade máxima levou bancos e casas de análise a projetarem lucro de cerca de R$ 45 bilhões e uma nova distribuição bilionária de dividendos

A Petrobras (PETR4) chega ao balanço do segundo trimestre embalada por uma combinação rara de produção recorde, petróleo perto dos US$ 100 por barril e refinarias operando em capacidade máxima — cenário que levou bancos e casas de análise a projetarem um dos resultados mais fortes dos últimos anos, com espaço para dividendos robustos.
A estatal divulgará os números referentes ao período nesta quinta-feira (6), após o fechamento dos mercados. O trimestre foi marcado pela forte execução operacional da companhia, como você pode conferir nesta reportagem do Seu Dinheiro.
A produção própria de petróleo atingiu um recorde de 2,69 milhões de barris por dia, impulsionada principalmente pelo avanço do pré-sal, pela entrada em operação de novos sistemas de produção e por ganhos de eficiência que reduziram as perdas com paradas para manutenção.
Para o BB Investimentos, essa combinação reforça a tese de que a companhia consegue crescer mesmo em um ambiente de maior volatilidade para o petróleo.
A Petrobras também exportou cerca de 1 milhão de barris de petróleo por dia no segundo trimestre de 2026, um avanço de 40% na comparação anual, impulsionado pela produção recorde. As exportações de óleo combustível e de outros derivados também aumentaram.
Outro destaque foi o segmento de refino. As refinarias operaram com fator de utilização recorde, próximo de 101%, permitindo à Petrobras ampliar a produção de derivados, especialmente diesel e querosene de aviação, ao mesmo tempo em que reduziu drasticamente a necessidade de importações de diesel.
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O cenário externo também jogou a favor da companhia. A guerra no Oriente Médio levou o preço do petróleo Brent a se manter em patamares elevados durante boa parte do trimestre, elevando as receitas com exportações.
Segundo a XP, o Brent teve preço médio de US$ 97 por barril entre abril e junho, uma alta de 24% em relação aos US$ 78 registrados no primeiro trimestre, chegando a superar a marca de US$ 100 por barril no auge do conflito entre Estados Unidos e Irã.
Na avaliação do BB Investimentos, além da guerra, a redução da oferta global e as limitações na capacidade ociosa da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) contribuíram para sustentar as cotações da commodity.
Ao mesmo tempo, o aumento de cerca de 40% nos embarques de petróleo e derivados reforçou a capacidade da estatal de capturar esse ambiente mais favorável.
O que esperar do balanço da Petrobras
As principais instituições financeiras do país também esperam um salto expressivo nos indicadores financeiros da companhia, impulsionado pela combinação entre maior produção, petróleo em patamares elevados e forte desempenho do segmento de refino.
Abaixo, você confere as projeções de mercado para as principais linhas do balanço, de acordo com o compilado Bloomberg:
| Indicador | Projeção 2T26 (R$ bilhões) | Var. anual (R$) | Projeção 2T26 (US$ bilhões) | Var. anual (US$) |
|---|---|---|---|---|
| Lucro líquido | 45,536 | +70,9% | 8,911 | +88,2% |
| Ebitda | 91,300 | +74,7% | 17,963 | +94,4% |
| Receita líquida | 161,620 | +35,7% | 31,819 | +51,3% |
Os pontos de atenção no balanço da Petrobras
Embora o consenso seja amplamente favorável ao balanço, os analistas também apontam alguns riscos para os próximos trimestres. Um dos principais diz respeito à sustentabilidade dos preços do petróleo.
O BB Investimentos avalia que o atual cenário geopolítico favorece a Petrobras no curto prazo, mas alerta que um período prolongado de petróleo muito caro pode acabar pressionando a inflação global, reduzindo o crescimento econômico e enfraquecendo a demanda pela commodity.
Outro ponto observado pelos analistas é que parte dos valores relacionados às compensações no mercado de combustíveis ainda não deve ter sido convertida em caixa até o fim do trimestre.
BTG Pactual e XP afirmam que esses créditos permaneceram registrados como contas a receber, o que pode limitar temporariamente o fluxo de caixa livre, embora o efeito seja considerado apenas de timing e deva ser revertido ao longo do terceiro trimestre. Já o Citi destaca que o reconhecimento dessas compensações deve contribuir positivamente para o Ebitda do período.
E os dividendos?
A Empiricus avalia que a combinação entre produção recorde, Brent elevado e forte desempenho do refino reforça a confiança de que a Petrobras seguirá apresentando uma geração de caixa capaz de sustentar pagamentos expressivos aos investidores.
As projeções das principais casas de análise variam entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3,5 bilhões, refletindo as diferenças nas estimativas de geração de caixa e de capital de giro.
O Citi é o mais otimista e espera que a Petrobras anuncie cerca de US$ 3,5 bilhões em dividendos ordinários, o equivalente a um dividend yield de aproximadamente 3%.
A XP projeta distribuição de US$ 3 bilhões (yield de 2,9%), enquanto o Safra estima US$ 2,8 bilhões (yield de 2,7%) e o BTG Pactual trabalha com US$ 2,5 bilhões (yield de cerca de 2,2%).
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