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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

REAÇÃO AO BALANÇO

O pior trimestre em 10 anos: WEG (WEGE3) decepciona no crescimento no 4T25. Ainda vale pagar caro pela excelência?

Lucro vem abaixo do esperado e receita perde força, mas analistas revelam “trunfo” do balanço; veja o que esperar

Camille Lima
Camille Lima
25 de fevereiro de 2026
12:39 - atualizado às 13:20
weg wege3 ações balanço
WEG (WEGE3) - Imagem: iStock/peshkov/Divulgação

As ações da WEG (WEGE3) amanheceram pressionadas nesta quarta-feira (25), após um quarto trimestre que reacendeu os temores de quem se acostumou à tradicional excelência da companhia. Uma dúvida ganhou força entre os investidores: após tantos anos de expansão acelerada, a “fábrica de bilionários” da B3 enfim perdeu tração? 

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Por volta das 12h20, os papéis caíam 2,45%, cotados a R$ 50,15. Desde o início do ano, no entanto, a empresa ainda sustenta valorizaçõ da ordem de 3%.

De olho na performance, o balanço do 4T25 trouxe números mais fracos na linha de crescimento. O lucro líquido somou R$ 1,59 bilhão, queda de 6,3% na comparação anual e de 3,8% frente ao trimestre imediatamente anterior.  

O resultado também ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava R$ 1,68 bilhão, segundo consenso da Bloomberg

No acumulado de 2025, a companhia ainda entregou avanço: lucro de R$ 6,38 bilhões, alta de 5,5% sobre o ano anterior. 

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Outros destaques do resultado da WEG 

Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a capacidade de geração de caixa operacional, caiu 4% em relação ao quarto trimestre de 2024, totalizando R$ 2,29 bilhões.  

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A margem Ebitda, por outro lado, ficou em 22,4%, avanço de 0,3 ponto percentual (p.p) na base anual. E é justamente aí que mora o contraste do trimestre: crescimento mais fraco, mas rentabilidade resiliente. 

A melhora da margem foi impulsionada por um mix de produtos mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo, ganhos de eficiência operacional e avanços de produtividade, especialmente nas operações internacionais. 

Já a receita operacional líquida caiu 5,3% na comparação anual, para R$ 10,2 bilhões. Desse total, R$ 3,88 bilhões vieram do mercado interno e R$ 6,35 bilhões do exterior.  

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Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o capital investido (ROIC) da WEG recuou 1,7 ponto percentual, atingindo a marca de 32,5% no quarto trimestre de 2025. 

A visão da WEG sobre o balanço do 4T25 

Na visão da própria WEG, o trimestre refletiu um desempenho saudável das margens e da rentabilidade, sustentado pelo bom momento dos negócios de ciclo longo e pela manutenção da disciplina operacional. 

Segundo a empresa, a queda na receita foi puxada principalmente pela menor demanda em projetos de geração solar centralizada e pela ausência de negócios de geração eólica no período.  

O câmbio também entrou na equação. A valorização do real frente ao dólar reduziu a conversão das receitas externas para a moeda brasileira, criando um vento contrário adicional em um trimestre já mais desafiador. 

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O dilema da WEG no 4T25: o que dizem os analistas? 

Na leitura do BTG Pactual, o resultado da WEG repete o dilema já observado no terceiro trimestre: receita mais fraca e margens mais fortes. 

Para uma ação negociada a um múltiplo de mais de 30 vezes o lucro, crescimento importa — e essa é justamente a linha que tem mostrado sinais de fraqueza.  

O banco ressalta que o mercado já espera uma retomada mais forte a partir do ano que vem, com a nova capacidade em transmissão e distribuição, mas alerta que o câmbio se tornou uma fonte adicional de risco, além de a base de comparação continuar difícil. 

Ao mesmo tempo, o BTG destacou a surpresa positiva nas margens, sem impactos negativos evidentes de tarifas, e vê espaço para melhora adicional caso o mix regional e de produtos continue evoluindo de forma favorável.  

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Já o Itaú BBA classificou o período como “o tão aguardado pior trimestre em uma década” — mas com um alívio: foi melhor do que muitos temiam. Para o banco, as margens foram a grande surpresa, com expansão no trimestre, contrariando a expectativa de retração.

Ainda vale investir na “fábrica de bilionários” da B3? 

Ao longo dos anos, a WEG construiu a reputação de atravessar ciclos preservando rentabilidade e disciplina — atributos difíceis de replicar e, por isso mesmo, precificados a prêmio na bolsa. 

O desafio agora não é provar eficiência, mas sustentar crescimento suficiente para justificar múltiplos elevados de valuation em um cenário de maior volatilidade cambial e base comparativa exigente. 

A leitura do mercado segue dividida. Segundo dados compilados pelo Seu Dinheiro, de seis recomendações para as ações WEGE3, três são de compra e duas, neutras. 

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O BTG manteve recomendação de compra após o balanço do quarto trimestre, com preço-alvo de R$ 52. O Itaú BBA também seguiu com classificação outperform (equivalente à compra), projetando R$ 50 para o fim de 2026. 

*Com informações do Money Times.  

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