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Lucro vem abaixo do esperado e receita perde força, mas analistas revelam “trunfo” do balanço; veja o que esperar
As ações da WEG (WEGE3) amanheceram pressionadas nesta quarta-feira (25), após um quarto trimestre que reacendeu os temores de quem se acostumou à tradicional excelência da companhia. Uma dúvida ganhou força entre os investidores: após tantos anos de expansão acelerada, a “fábrica de bilionários” da B3 enfim perdeu tração?
Por volta das 12h20, os papéis caíam 2,45%, cotados a R$ 50,15. Desde o início do ano, no entanto, a empresa ainda sustenta valorizaçõ da ordem de 3%.
De olho na performance, o balanço do 4T25 trouxe números mais fracos na linha de crescimento. O lucro líquido somou R$ 1,59 bilhão, queda de 6,3% na comparação anual e de 3,8% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O resultado também ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava R$ 1,68 bilhão, segundo consenso da Bloomberg.
No acumulado de 2025, a companhia ainda entregou avanço: lucro de R$ 6,38 bilhões, alta de 5,5% sobre o ano anterior.
O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que mede a capacidade de geração de caixa operacional, caiu 4% em relação ao quarto trimestre de 2024, totalizando R$ 2,29 bilhões.
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A margem Ebitda, por outro lado, ficou em 22,4%, avanço de 0,3 ponto percentual (p.p) na base anual. E é justamente aí que mora o contraste do trimestre: crescimento mais fraco, mas rentabilidade resiliente.
A melhora da margem foi impulsionada por um mix de produtos mais favorável, maior participação de negócios de ciclo longo, ganhos de eficiência operacional e avanços de produtividade, especialmente nas operações internacionais.
Já a receita operacional líquida caiu 5,3% na comparação anual, para R$ 10,2 bilhões. Desse total, R$ 3,88 bilhões vieram do mercado interno e R$ 6,35 bilhões do exterior.
Em termos de rentabilidade, o retorno sobre o capital investido (ROIC) da WEG recuou 1,7 ponto percentual, atingindo a marca de 32,5% no quarto trimestre de 2025.
Na visão da própria WEG, o trimestre refletiu um desempenho saudável das margens e da rentabilidade, sustentado pelo bom momento dos negócios de ciclo longo e pela manutenção da disciplina operacional.
Segundo a empresa, a queda na receita foi puxada principalmente pela menor demanda em projetos de geração solar centralizada e pela ausência de negócios de geração eólica no período.
O câmbio também entrou na equação. A valorização do real frente ao dólar reduziu a conversão das receitas externas para a moeda brasileira, criando um vento contrário adicional em um trimestre já mais desafiador.
Na leitura do BTG Pactual, o resultado da WEG repete o dilema já observado no terceiro trimestre: receita mais fraca e margens mais fortes.
Para uma ação negociada a um múltiplo de mais de 30 vezes o lucro, crescimento importa — e essa é justamente a linha que tem mostrado sinais de fraqueza.
O banco ressalta que o mercado já espera uma retomada mais forte a partir do ano que vem, com a nova capacidade em transmissão e distribuição, mas alerta que o câmbio se tornou uma fonte adicional de risco, além de a base de comparação continuar difícil.
Ao mesmo tempo, o BTG destacou a surpresa positiva nas margens, sem impactos negativos evidentes de tarifas, e vê espaço para melhora adicional caso o mix regional e de produtos continue evoluindo de forma favorável.
Já o Itaú BBA classificou o período como “o tão aguardado pior trimestre em uma década” — mas com um alívio: foi melhor do que muitos temiam. Para o banco, as margens foram a grande surpresa, com expansão no trimestre, contrariando a expectativa de retração.
Ao longo dos anos, a WEG construiu a reputação de atravessar ciclos preservando rentabilidade e disciplina — atributos difíceis de replicar e, por isso mesmo, precificados a prêmio na bolsa.
O desafio agora não é provar eficiência, mas sustentar crescimento suficiente para justificar múltiplos elevados de valuation em um cenário de maior volatilidade cambial e base comparativa exigente.
A leitura do mercado segue dividida. Segundo dados compilados pelo Seu Dinheiro, de seis recomendações para as ações WEGE3, três são de compra e duas, neutras.
O BTG manteve recomendação de compra após o balanço do quarto trimestre, com preço-alvo de R$ 52. O Itaú BBA também seguiu com classificação outperform (equivalente à compra), projetando R$ 50 para o fim de 2026.
*Com informações do Money Times.
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