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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

VIROU A CHAVE

Nubank (ROXO34): mercado aperta “vender”, XP manda “comprar” — e vê rali de mais de 50% para as ações

Na visão de analistas, preço dos papéis caiu em Wall Street, mas fundamentos não. Veja o que está por trás da recomendação

Camille Lima
Camille Lima
31 de março de 2026
10:16 - atualizado às 9:50
Celular com logo Nubank
Nubank - Imagem: Shutterstock

Poucas ações dividem tanto as opiniões quanto o Nubank (NU; ROXO34). O banco digital sempre foi uma espécie de “ame-o ou deixe-o”. De um lado, os entusiastas do crescimento exponencial; do outro, os céticos com o valuation esticado. Mas, enquanto o mercado apertou o botão de venda, a XP Investimentos decidiu ir na contramão. 

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Após um tombo de quase 20% das ações em Wall Street desde o início do ano, a corretora decidiu que era hora de abandonar a recomendação neutra e carimbar o papel com um selo de compra

O novo preço-alvo de US$ 21,00 para as ações NU listadas em Nova York implica um potencial de valorização de 55,4% em relação ao último fechamento.  

Para o investidor brasileiro, o alvo para o BDR negociado na B3 sob o ticker ROXO34 foi fixado em R$ 18,60, o que representa um retorno potencial superior a 55%.  

Mas o que sustenta essa confiança? Na visão da XP, o recuo recente abriu uma janela rara: a "combinação atraente de oportunidades de crescimento estrutural, melhor visibilidade de lucros e um valuation pouco exigente". 

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Nubank: XP vê oportunidade no "descompasso"  

Para os analistas, o mercado exagerou na dose. Afinal, o que faz uma ação cair 20% sem que os fundamentos ou as perspectivas para lucro tenham mudado? Na leitura da XP Investimentos, isso costuma ser sinônimo de oportunidade. 

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Isso porque a queda de cerca de 20% das ações não veio acompanhada de revisões relevantes nas estimativas de lucro do Nu. Pelo contrário: os pilares operacionais seguem intactos — e, em alguns casos, até mais evidentes. 

Segundo a XP, o movimento recente da fintech diz mais sobre o ambiente macroeconômico do que sobre o banco digital em si. 

O resultado é que a ação agora negocia em múltiplos historicamente baixos, de cerca de 12 vezes o lucro projetado para 2027. 

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"Vemos o nível atual como um ponto de entrada atraente em um negócio que combina múltiplos motores de crescimento com alta rentabilidade estrutural", afirmam os analistas. 

O vento a favor vindo do bolso do brasileiro 

Ainda que o valuation abra a porta, o que sustenta a recomendação é o que vem pela frente. A XP aposta que 2026 será o ano dos catalisadores para o Nubank, tanto do lado macro quanto micro, que podem destravar crescimento e lucros ao mesmo tempo. 

Um dos principais gatilhos apontados pela XP está na renda do brasileiro. A proposta de reforma do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5 mil, pode colocar mais dinheiro no bolso de cerca de 16 milhões de pessoas — uma fatia relevante da base de clientes do banco digital. 

Na prática, isso pode significar até R$ 300 a mais por mês para essas famílias, segundo a XP — um alívio que tende a melhorar a qualidade do crédito e abrir espaço para expansão mais segura das carteiras. 

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"Este cenário macro deve apoiar um ambiente de crédito controlado, favorecendo credores com forte exposição a empréstimos pessoais e crédito granular, como o Nubank", diz a XP, em relatório. 

Os três pilares de crescimento do Nubank 

Para a XP, o Nubank deixou de ser apenas um banco de cartão de crédito há muito tempo. A tese de compra dos analistas se sustenta em três novos motores de crescimento: 

  1. Crédito consignado: O banco está escalando em linhas de crédito mais seguras, como o crédito consignado, incluindo o privado e INSS, que tende a ter inadimplência mais baixa e retornos ainda atrativos, com ROEs na casa dos 30%. 
  1. O "oceano azul" das PMEs: O mercado de pequenas e médias empresas, ainda pouco explorado pelo Nubank, representa um mercado potencial de cerca de R$ 730 bilhões — e, mais importante, que permanece subatendido pelos bancos tradicionais, na visão da XP 
  1. A alavanca internacional: A operação no México está ganhando corpo mais rápido que o esperado e se aproximando do breakeven, com crescimento acelerado da carteira, melhora de margens e inadimplência controlada. Para a XP, o México está no caminho de se tornar um contribuinte relevante de retorno sobre o capital — algo que pode surpreender o mercado nos próximos trimestres.  

“Mesmo em um cenário de compressão gradual de spreads, nossa análise indica que os empréstimos para PMEs ainda podem gerar retornos atrativos, reforçando esse segmento como uma frente relevante e rentável de crescimento”, afirmam os analistas. 

Outro ponto que reforça a tese é o uso mais intensivo de tecnologia. A aquisição da Hyperplane ampliou o uso de inteligência artificial na concessão de crédito. Isso permitiu que o Nubank aumentasse os limites não utilizados de US$ 18 bilhões para US$ 29 bilhões.  

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Embora isso gere uma pressão temporária no custo de crédito, já que provisões precisam ser feitas antes de a receita entrar, a XP vê isso como um "investimento deliberado" para garantir lucros sustentáveis à frente. 

Nem tudo é "roxo": os riscos no radar 

A visão otimista não significa ausência de riscos. Para a XP, a qualidade do crédito é vista como o ponto de preocupação número um para o Nubank.  

Se a inadimplência disparar acima do esperado devido a uma deterioração macroeconômica, o impacto no lucro seria direto.  

Além disso, a concorrência acirrada pressionando spreads e elevação do custo de funding são alguns dos fatores que podem afetar a tese. 

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Além disso, a expansão internacional — especialmente em mercados ainda em fase inicial — traz incertezas naturais. 

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