Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) tenta impedir que Casino ‘saia à francesa’, enquanto agência classifica varejista como risco de inadimplência
Varejista tenta congelar a venda da participação de 22,5% do Casino enquanto discute na arbitragem quem deve pagar passivo tributário de R$ 2,5 bilhões; em paralelo, Fitch corta rating para faixa de alto risco

O Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) deu um novo passo na disputa com o Casino, determinado a não encerrar a relação com o ex-controlador sem antes ter um desfecho sobre o potencial passivo tributário de R$ 2,5 bilhões da operação brasileira.
A companhia informou na última segunda-feira (2) que entrou com um pedido para bloquear a fatia de 22,5% que o grupo francês ainda na varejista, além de eventuais valores obtidos com a venda desses papéis.
A solicitação foi feita no âmbito de uma arbitragem já em andamento e tem caráter cautelar — ou seja, busca preservar garantias até que o mérito da disputa seja julgado. O movimento mostra o receio do GPA de que o Casino saia de vez do quadro acionário e se livre de eventuais obrigações sobre o passivo.
O potencial passivo bilionário
O pedido foi feito dentro da arbitragem aberta em maio de 2025, que trata de uma cobrança da Receita Federal sobre possíveis valores de Imposto de Renda pagos a menos entre 2007 e 2013.
A discussão envolve o uso do chamado ágio. Quando uma empresa compra outra por um valor maior do que o seu patrimônio, essa diferença pode ser usada para reduzir o imposto a pagar em determinadas situações.
No entanto, a Receita enquadrou a companhia por entender que esse mecanismo não foi corretamente aplicado e agora cobra a diferença. A disputa busca definir se essa conta é válida e quem deve arcar com ela.
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A preocupação do GPA aumentou com os rumores de que o grupo francês estaria determinado a vender completamente sua fatia na varejista e sair do Brasil.
O corte no rating do Pão de Açúcar
Além da disputa tributária, o Pão de Açúcar também entrou no radar dos investidores ontem por outro motivo: a Fitch Ratings revisou sua recomendação de crédito para a companhia.
A casa retirou sua observação negativa e rebaixou o rating nacional de longo prazo da varejista caiu de ‘A(bra)’ para ‘CCC(bra)’. O GPA saiu de uma faixa considerada como grau de investimento para um nível associado a risco de inadimplência ou reestruturação de dívida.
A agência cita risco elevado de refinanciamento, liquidez pressionada e contínua geração de caixa negativa. Segundo a avaliação, é improvável que a empresa consiga refinanciar suas dívidas de curto prazo e fortalecer o fluxo de caixa em uma capitalização relevante ou venda de ativos.
O corte para a faixa de alto risco ocorre em meio a um cronograma apertado de vencimentos. Com R$ 1,7 bilhão em dívidas batendo à porta neste ano, a varejista encerrou o ano passado com capital circulante negativo de R$ 1,2 bilhão.
Em bom português: o Pão de Açúcar tem mais dívidas vencendo no curto prazo do que caixa para quitá-las.
Em relatório, o time, liderado pelo analista Renato Donatti, afirma que “o rebaixamento reflete os maiores riscos de refinanciamento do GPA, o enfraquecimento da liquidez e a expectativa de fluxos de caixa livre negativos a médio prazo, na ausência de uma redução material do endividamento”.
A agência vai além e reconhece que “uma reestruturação de dívidas é possível”, mas ressaltando que a disposição dos credores em estender prazos em condições adequadas de custo e prazo é “altamente incerta”.
Para a Fitch, o caixa de R$ 2 bilhões ao fim de 2025 deve ser consumido já no primeiro semestre de 2026 para pagamento de fornecedores e cobertura do fluxo de caixa livre negativo.
Confira em detalhes a situação da empresa e como ela chegou até aqui nesta reportagem do Seu Dinheiro. Por volta das 13, as ações PCAR3 caíam mais de 12%, negociadas a R$ 2,07.
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