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Gabriele Marques

Gabriele Marques

Engenheira Civil formada pelo Centro Universitário FEI. Atualmente é graduanda em Marketing pela Fatec Sebrae e escreve para os portais Empiricus, Seu Dinheiro e Money Times.

UM PASSO NO ESPAÇO

Como o foguete que pousa de ré da SpaceX mudou a corrida espacial e se tornou um trunfo de Elon Musk

Enquanto o Starship redefine o padrão dos lançamentos espaciais, a SpaceX avança rumo a um IPO histórico; confira

Gabriele Marques
Gabriele Marques
12 de abril de 2026
9:17 - atualizado às 17:44
Imagem: Gerada por IA

Tente imaginar um prédio de 40 andares decolando… Agora, pense nele chegando ao espaço e voltando para pousar na Terra. É exatamente isso que a SpaceX, de Elon Musk, faz com o sistema de foguete mais poderoso já construído: o Starship.

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O sistema é composto por dois elementos: o Super Heavy, o foguete propulsor com cerca de 71 metros de altura, e o Starship, a nave que é impulsionada pelo foguete e depois se separa dele para seguir viagem sozinha rumo ao espaço sideral.

Esse veículo de lançamento tem capacidade de transportar mais de 100 toneladas ao espaço. Mas, o verdadeiro trunfo do sistema de Elon Musk é o: “Mechazilla”.

O apelido, dado carinhosamente pela própria SpaceX, se refere ao mecanismo que ocorre durante o lançamento: o Super Heavy desacelera no ar, "dá ré” e é abraçado por dois enormes braços mecânicos na própria torre de lançamento.

É como se a estrutura estendesse as mãos para aparar o foguete antes que ele toque no chão. E isso não é ficção, é engenharia real.

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O foguete “não descartável”

Por muito tempo, os foguetes eram descartáveis. Cada missão exigia a construção de um veículo novo que, em seguida, não seria reaproveitado.

Segundo a The Strategist, do Instituto Australiano de Política Estratégica (ASPI), um dos grandes objetivos do Starship é a redução de custos com lançamentos espaciais.

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Para se ter ideia, estima-se que o SLS (Space Launch System), da NASA, custe de US$ 2,5 bilhões a US$ 4 bilhões por lançamento. Um custo exorbitante para um veículo que não será reutilizado.

Mas a SpaceX teve uma grande sacada: se o foguete volta, o custo com novos lançamentos cai. Foi assim que surgiu o Falcon 9 e, em seguida, o Starship.

De acordo com a empresa Voyager , que possui contrato para lançar sua primeira estação espacial, a Starlab, a bordo de uma nave Starship, o custo estimado desse lançamento é de US$ 90 milhões.

Assim, temos um exemplo de que, de fato, a redução de custos com o lançamento do Starship é algo real e expressivo.

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Não é à toa que o “foguete que dá ré” virou o símbolo mais poderoso da SpaceX. E, agora, a fabricante de foguetes reutilizáveis está prestes a dar um grande passo.

Um pequeno passo no espaço, um salto decisivo para a SpaceX

Toda essa engenhosidade possui um custo. E uma ambição ainda maior.

Após mais de duas décadas operando como uma empresa de capital fechado, a SpaceX protocolou no início de abril um pedido de oferta pública inicial de ações (IPO) nos Estados Unidos.

A empresa de Musk pretende captar cerca e US$ 75 bilhões no IPO. Se a expectativa se confirmar, a estreia na bolsa de valores fará a empresa alcançar uma avaliação de mercado de mais de US$ 1,75 trilhão. Assim, o movimento se consolidaria como o maior IPO da história.

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Dessa maneira, a fabricante de foguetes reutilizáveis será inserida imediatamente no seleto grupo das empresas mais valiosas do mundo, ao lado de Apple, Microsoft e Nvidia.

O roadshow do IPO está previsto para começar na semana do próximo 8 junho. Um evento especial para 1.500 investidores pessoa física está previsto para o dia 11.

Para dar conta do recado, a SpaceX contratou o maior sindicato de bancos já reunido para um IPO. Foram 21 instituições financeiras de diferentes países e perfis.

O único banco latino-americano selecionado foi o BTG Pactual.

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Marco histórico para o BTG Pactual

Em meio a gigantes de Wall Street, como Morgan Stanley, Goldman Sachs e JP Morgan, como o banco latino-americano entrou no IPO da SpaceX?

O BTG Pactual é considerado o maior banco de investimentos da América Latina. Além disso, a instituição tem um histórico concreto em operações internacionais.

Em 2014, por exemplo, o BTG Pactual foi distribuidor exclusivo na América Latina no IPO de um fundo da Pershing Square na Euronext. O banco também participou dos IPOs da espanhola Cellnex Telecom e do correio italiano, ambos em 2025.

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Agora, o BTG Pactual está prestes a fazer parte do maior IPO da história do mercado de capitais. O que torna este momento um marco tanto para o banco quanto para o mercado financeiro brasileiro.

Mas o que o mercado realmente vai comprar?

A SpaceX lidera lançamentos espaciais, opera a Starlink, serviço que oferece internet confiável de alta velocidade e baixa latência, em escala global e tem contratos bilionários com a NASA.

Logo, o seu valor vai além da receita atual. Parte do mercado vai comprar o que a SpaceX pode se tornar.

O foguete que pousa de ré, por exemplo, não é só engenharia. É o símbolo de um modelo com potencial de transformar toda a indústria.

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