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OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

Caso Banco Master: Toffoli devolve inquérito envolvendo Tanure à 1ª instância; entenda os detalhes da decisão

Decisão marca o primeiro processo da Operação Compliance Zero a retornar à base judicial; STF mantém apenas relatoria por prevenção

O empresário Nelson Tanure
O empresário Nelson Tanure - Imagem: Divulgação

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um novo rumo ao inquérito que investiga o suposto uso de informação privilegiada envolvendo os empresários Nelson Tanure e Gilberto Benevides na Gafisa (GFSA3) no caso do Banco Master.

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Após concluir que não havia provas de ligação direta com o Master, Toffoli devolveu o caso à primeira instância, onde seguirá tramitando na Justiça Federal de São Paulo. O STF, por prevenção, manterá apenas a relatoria.

Essa investigação, iniciada em 2020 e mantida sob sigilo, nasceu de uma tentativa da defesa de Tanure de conectar o processo à chamada Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no banco.

Mas, para Toffoli, não há elementos suficientes para manter o caso na Corte. Assim, esse se tornou o primeiro processo ligado à operação a “voltar” do STF.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Tanure e Benevides teriam se aproveitado de informações estratégicas ainda não divulgadas ao mercado durante a compra da incorporadora Upcon pela Gafisa.

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A suposta manobra teria inflado artificialmente o valor da empresa adquirida, gerando um sobrepreço estimado em R$ 150 milhões.

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Para o MPF, o mecanismo teria aumentado indiretamente a fatia acionária de Tanure na Gafisa, sem a devida comunicação ao mercado — o que configura, em tese, uso de informação privilegiada.

A denúncia surgiu a partir de representações da gestora Esh Capital, liderada por Vladimir Timmerman, acionista minoritário da construtora.

Timmerman foi alvo em 2024, acusado de calúnia em uma queixa-crime movida por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, após afirmar que o CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, estaria envolvido em “operações fraudulentas entre Gafisa e o Fundo Brazil Realty”.

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Participação de Tanure no caso Banco Master

Tanure é um investidor e empresário com atuação no mercado financeiro brasileiro, já identificado em outros desdobramentos da Operação Compliance Zero — inclusive com buscas da Polícia Federal em sua casa e bloqueio de bens autorizados por Toffoli em razão de supostos vínculos com o Banco Master.

Sua defesa, porém, nega qualquer ligação societária com a instituição financeira, afirmando que ele atuou apenas como cliente.

Benevides, por sua vez, é acionista controlador da Upcon na operação questionada e figura na denúncia por suas movimentações financeiras e papel na transação com a Gafisa.

O que acontece agora?

Com o processo em primeira instância novamente, a Justiça Federal de São Paulo deve prosseguir com a análise dos elementos apresentados pelo MPF, inclusive a qualificação dos fatos e a definição de citados, bem como o debate sobre eventual continuidade do processo até recebimento formal da denúncia em ação penal.

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Caso no curso do processo surjam indícios relevantes de envolvimento de autoridade com foro por prerrogativa de função, a questão de competência poderá ser revisitata oportunamente — hipótese que Toffoli deixou aberta em sua determinação.

Até lá, o foco segue na análise das práticas de insider trading atribuídas a Tanure e Benevides, bem como na relação jurídica entre fundos e estruturas potencialmente envolvidos no caso.

*Com informações do Money Times

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