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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

VEJA O QUE DIZ O CEO

Azul (AZUL53): depois da recuperação judicial relâmpago, fusão com Gol sai de cena de vez e aérea mira no “crescimento responsável”

Após concluir o Chapter 11 em apenas nove meses, a Azul descarta fusão com a Gol e adota expansão mais conservadora, com foco em rentabilidade e desalavancagem adicional

Bia Azevedo
Bia Azevedo
23 de fevereiro de 2026
12:30 - atualizado às 12:03
Aeronave da Azul (AZUL4)
Aeronave da Azul - Imagem: iStock.com/miglagoa

Não levou sequer um ano para que a Azul (AZUL53) colocasse um ponto final na recuperação judicial nos EUA, via Chapter 11, a lei de falências de lá. Agora, a meta é “crescer com responsabilidade”, segundo o CEO John Rodgerson.

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Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira (23), o executivo afirmou que a Azul adotará uma expansão mais criteriosa, com abertura de rotas em ritmo moderado e foco claro em rentabilidade.

Rodgerson também descartou a retomada das conversas sobre uma eventual fusão com a Gol: “era uma alternativa para reduzir o endividamento, não precisamos mais disso”.

De acordo com o CEO, a companhia saiu do Chapter 11 “muito mais leve” do que previa ao entrar no processo e teve sucesso em limpar o balanço dos efeitos da pandemia de covid-19 e da paralisação da malha aviária de Porto Alegre, em 2024.

A alavancagem líquida caiu para cerca de 2,5 vezes — bem abaixo das 5 vezes registradas antes da RJ e das 3 vezes que a própria empresa esperava em abril do ano passado, quando entrou com o pedido de recuperação.

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Por volta das 11h40 as ações da companhia saltavam 13,08% na B3, negociadas a R$ 294.

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O que esperar da Azul?

Sobre governança, a Azul permanecerá como uma corporation — ou seja, sem um acionista controlador definido. Segundo o CEO, o modelo visa tornar a Azul uma empresa mais estável institucionalmente, com decisões pautadas por um conselho diverso e sem a dependência de um único controlador.

Os acionistas de referência serão American e United Airlines, com 8% de participação cada. No caso da primeira, ainda é preciso que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove o aporte de US$ 100 milhões anunciado pela empresa.

No Conselho de Administração, a United já tem assento, enquanto a entrada formal da American ainda depende do sinal verde do órgão antitruste. Nenhuma das empresas terá o direito de indicar conselheiros.

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Operacionalmente, a expectativa da aérea é transportar mais passageiros em 2026 do que o ano passado, preservar o tamanho da frota e incorporar gradualmente entre cinco e seis aeronaves por ano.

“Houve épocas em que recebíamos mais de 20 aeronaves por ano, isso aumenta a chance de erro, de apostar em mercados que não vão dar certo. Agora seremos muito mais conservadores, alocando onde precisa e onde nós podemos ser mais rentáveis”, afirmou Rodgerson. No plano também está a volta ao serviço dos 13 aviões que permaneciam parados.

Além disso, a empresa prevê a continuidade do processo de desalavancagem, com a meta de atingir o patamar de 2,1 vezes (considerando o câmbio a R$ 5,50) nos próximos meses. Essa é a projeção conservadora; se a divisa norte-americana seguir perto dos R$ 5,20, a companha acredita ser possível chegar ao patamar de 2 vezes.

Como a Azul conseguiu sair da RJ tão rápido?

A recuperação judicial da Azul é apontada por especialistas ouvidos pelo Seu Dinheiro como um dos casos mais bem-sucedidos recentes. A companhia levou apenas nove meses para concluir o processo de Chapter 11 nos Estados Unidos — um prazo considerado curto para operações dessa complexidade.

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Na avaliação de quem acompanha reestruturações, o desfecho está diretamente ligado a escolhas estratégicas feitas ao longo do caminho.

Para o advogado Fábio Percegoni de Andrade, sócio da BVZ Advogados, o resultado foi fruto de uma sequência de decisões bem calibradas, que pavimentaram a saída acelerada da proteção judicial.

A escolha pelos Estados Unidos foi central, já que o Chapter 11 permitiu incluir credores de leasing (arrendamento de aeronaves) — que ficariam fora da recuperação no Brasil por causa da nossa legislação — e garantir acesso a financiamento DIP, concedido a empresas que estão em recuperação judicial lá nos EUA.

"Os credores de leasing, os principais da Azul, não estão sujeitos à nossa recuperação. Ou seja, se a Azul tivesse entrado com o pedido por aqui, o maior problema dela não teria sido resolvido", destaca Percegoni de Andrade.

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Assim, ela pôde finalizar em menos de 12 meses um processo que, no Brasil, poderia durar anos. Além disso, ela já entrou com o pedido contando com o apoio dos credores, o que acelerou as negociações.

No entanto, a recuperação veio com um custo: a diluição quase total da base acionária da empresa, algo que o próprio CEO endereçou na coletiva: “não tentamos proteger acionistas ou interesses particulares na reestruturação. A gente fez de tudo para preservar a Azul”, destacou.

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