Após 24 anos, Steinbruch deixa cargo de CEO da CSN (CSNA3) e outro peso-pesado assume; ação dispara no Ibovespa
A CSN inicia nova fase com Fabio Schvartsman na liderança para reduzir dívida bilionária, após saída de Steinbruch do cargo de CEO

Em meio a uma reestruturação e venda de ativos, a CSN (CSNA3) terá uma troca em seu principal cargo de liderança após 24 anos. Benjamin Steinbruch deixará a cadeira de CEO da holding, mostra documento enviado ao mercado nesta quarta-feira (2).
Em seu lugar, foi eleito um nome conhecido do setor de mineração: Fabio Schvartsman. Ele ocupou a presidência da Vale (VALE3) entre 2017 e 2019. Deixou o cargo naquele ano, após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG).
Schvartsman também é engenheiro de produção pela Poli-USP e ex-presidente da Klabin (KLBN11). Tem mais de quatro décadas de experiência em grandes empresas brasileiras, com passagens também por Duratex, Grupo Ultra, Telemar e San Antonio Internacional.
Já Steinbruch não sairá totalmente do dia a dia da empresa que comandou por décadas. Ele foi eleito presidente do conselho de administração da companhia.
A visão do mercado
A ação protagoniza a maior alta do Ibovespa hoje. Por volta das 11%, a alta é de 13,88%, e o papel é negociado por R$ 6,81.
Para o BTG Pactual, é uma mudança inesperada, mas bem-vinda.
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"Schvartsman é um executivo altamente respeitado e pró-mercado, com extensa experiência na Vale, Klabin e Ultrapar, e entende o que precisa acontecer para reconstruir a confiança do investidor e moldar a história da ação da CSN", escreveram os analistas em relatório.
O novo CEO chega com uma missão gigantesca: diminuir a alavancagem da holding. Hoje a dívida líquida ajustada é de R$ 42 bilhões, com uma alavancagem de 3,49 vezes sobre o Ebitda ajustado.
Mas para o BTG, a mudança de CEO tem outro componente importante: pode trazer mais luz aos planos de sucessão da empresa. Steinbruch estava há quase um quarto de século no cargo, e a dúvida sobre quem o substituiria era parte do debate entre investidores sobre a empresa já há algum tempo, diz o relatório.
"Ainda que Steinbruch permaneça como chairman, vemos a nova estrutura como uma evolução natural do modelo de liderança e um desenvolvimento positivo para a história da ação da companhia", escrevem Leonardo Correa, Marcelo Arazi e Rodrigo Gotardo.
A história de Steincruch na presidência da CSN
Steinbruch é um dos herdeiros dos fundadores do Grupo Vicunha, maior grupo têxtil da América Latina. Durante a década de 1990, o grupo comprou uma participação na CSN, criada por Getúlio Vargas e que estava sendo privatizada com leilões na bolsa de valores do Rio de Janeiro.
Ainda na década de 90, Steinbruch também participou do consórcio que comprou uma fatia na então Companhia Vale do Rio Doce, outra estatal criada por Vargas em processo de privatização.
Em 2002, o grupo da família Steinbruch vendeu sua participação na Vale, e usou o valor para aumentar sua fatia na CSN. Foi o empresário responsável por moldar seu crescimento nos setores de siderurgia, mineração e infraestrutura.
O Grupo Vicunha hoje é o principal acionista da holding: a Vicunha Aços é dona de 41,66% da CSN.
De 1995 a 2023, Benjamin Steinbruch foi presidente do conselho de administração da CSN e CEO desde abril de 2002.
O empresário também acumula o cargo de presidente do conselho de diversas outras empresas da holding, além de ser membro do conselho de administração do Jockey Club, de São Paulo.
Mudanças na CSN
A troca não aconteceu por acaso e ocorre em um momento de mudanças na CSN, que busca diminuir suas dívidas. Em entrevista ao NeoFeed, Steinbruch disse que Fabio “vem com a missão de desalavancar a CSN, dentro do que for possível”.
“Para que a gente consiga ter uma redução da dívida de forma significativa, para continuar nosso trabalho, e não pagando essa carga de juros absurda e desnecessária”, afirmou.
Atualmente, a empresa negocia a venda de uma fatia da CSN Cimentos. Segundo reportou a Coluna do Broadcast, Steinbruch escolherá nesta semana para quem dará exclusividade na compra do braço de cimentos da companhia.
A disputa envolve a chinesa Huaxin e o Grupo Votorantim, em conjunto com a italiana Cimentir. Steinbruch mirava até R$ 15 bilhões com a operação de venda, mas o negócio é avaliado em cerca de R$ 12 bilhões.
A companhia encerrou o segundo trimestre de 2026 (2T26) com uma dívida líquida próxima de R$ 40,5 bilhões, e uma operação na faixa de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões teria dimensão relevante frente a esse passivo.
O seu alto custo de capital e endividamento levaram a empresa a registrar prejuízo líquido de R$ 773 milhões no período, aumentando as perdas em 494,6% ante os R$ 130 milhões apurados entre abril e junho de 2025.
A ideia da gestão é continuar vendendo ativos para diminuir essa dívida. “Depois do cimento, vamos trabalhar em participações minoritárias na infraestrutura e energia, venda de unidades independentes no exterior, e depois trazer parceiro para siderurgia para avançar em inovação e tecnologia”, afirmou o novo CEO ao NeoFeed.
Com Money Times
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