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O banco suíço cita uma desconexão entre lucro e valuation para a nova avaliação das ações, que agora tem potencial de queda de 8,40%
O churrasco de domingo corre o risco de ficar com o freezer vazio para o investidor da Ambev (ABEV3). Depois de uma alta de 32% acumulada nos últimos seis meses, o UBS BB resolveu recolher os engradados e rebaixou a recomendação das ações da gigante das bebidas de neutra para venda.
O banco cortou o preço-alvo de R$ 15,00 para R$ 14,50, o que representa uma desvalorização potencial de 8,40% em relação aos níveis atuais.
Para os analistas Rodrigo Alcantara, Kevin Zavala e Sanjeet Aujla, a festa da valorização recente já deu o que tinha que dar e, agora, o risco de uma ressaca financeira pesa mais que o retorno esperado.
Por volta de 13h55, as ações ABEV3 recuavam 2,46%, cotadas a R$ 15,44. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,40%, aos 196.903,57 pontos.
O diagnóstico do UBS BB é que existe uma desconexão crescente. De um lado, o lucro da Ambev caminha a passos lentos; de outro, o custo de capital no Brasil segue elevado.
No cenário-base do banco, a projeção é de um lucro por ação estagnado em 2026, com uma média de crescimento anual de apenas 5% nos próximos cinco anos.
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O problema é que o mercado parece estar pagando o preço de uma cerveja premium por um ativo que entrega um crescimento comum, de acordo com o UBS BB.
A Ambev negocia hoje a 16 vezes o lucro projetado para 2026 — um prêmio de 19% em relação à média dos últimos cinco anos.
Se a ideia era celebrar um avanço forte no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), o UBS BB sugere cautela. A estimativa é de uma alta modesta de 4,6% em 2026 e 5,5% em 2027.
O risco vem de dois lados: ambiente macroeconômico e custos. Segundo o banco, a pressão das commodities globais e o desempenho da economia brasileira podem apertar as margens da Ambev.
Por isso, o UBS BB pede atenção: o investidor que espera um balanço mais agressivo pode se decepcionar, dada a relutância da Ambev em alavancar a estrutura para turbinar os retornos.
Nem a Copa do Mundo ou o calendário generoso de feriados em 2026 parecem suficientes para garantir o brinde. O UBS BB considera improvável que o volume de vendas em 2026 supere o patamar de 2024.
Além do cenário econômico desafiador, um fator demográfico acende o alerta vermelho: pesquisas do UBS Evidence Lab indicam que os consumidores brasileiros mais jovens estão com menos predisposição ao consumo de álcool.
Após uma queda estimada de 4,5% nos volumes em 2025, o banco até projeta uma recuperação de 3,5% para 2026, mas nada que justifique o otimismo do mercado.
Para quem está posicionado em ABEV3, o recado dos analistas é claro: talvez seja hora de pedir a conta antes que fique cara demais.
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