Vale (VALE3) reforça capital e enxuga estrutura. O que está por trás do movimento de R$ 500 milhões?
Mineradora capitaliza reservas e incorpora duas empresass em meio a questionamentos do mercado sobre o fôlego das ações VALE3

A Vale (VALE3) decidiu reforçar seu capital. Após um rali que quase dobrou o valor das ações em menos de um ano — e em meio a um trimestre marcado por números pressionados —, a mineradora optou por reorganizar a casa.
O conselho aprovou na última quinta-feira (26) uma proposta de aumento de capital no valor de R$ 500 milhões, sem emissão de novas ações.
A operação será feita por meio da capitalização de parte da reserva de incentivo fiscal, um movimento técnico que não altera a participação dos acionistas, mas fortalece formalmente a estrutura de capital.
Segundo a companhia, a proposta também prevê a alteração do estatuto social para refletir o novo valor do capital social.
Ao mesmo tempo, a companhia deu mais um passo em seu processo de simplificação societária, com a aprovação da incorporação das subsidiárias integrais Baovale Mineração S.A e CDA Logística S.A.
A proposta, segundo a empresa, busca racionalizar a estrutura do grupo e reduzir complexidades internas. Assim como no aumento de capital, não haverá emissão de novas ações.
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As medidas ainda precisam passar pelo aval dos acionistas. A assembleia foi convocada para 30 de abril de 2026, com edital previsto para 12 de março.
A situação financeira da Vale (VALE3)
O pano de fundo dessas decisões é um quarto trimestre que misturou geração operacional robusta com forte impacto contábil.
A Vale (VALE3) registrou um prejuízo líquido atribuível de US$ 3,844 bilhões no quarto trimestre, bem aquém do esperado pelo mercado e ampliando as perdas do mesmo período do ano anterior.
Em 2025 como um todo, a mineradora registrou lucro líquido atribuível de US$ 2,352 bilhões, queda de 62% em relação a 2024.
O prejuízo líquido, por sua vez, foi de US$ 4,243 bilhões entre outubro e dezembro, depois de perdas de US$ 872 milhões no mesmo período do ano anterior. No ano de 2025 como um todo, o lucro líquido totalizou US$ 1,983 bilhão, com queda de 67% frente a 2024.
Segundo a mineradora, os números foram pressionados principalmente por dois efeitos não recorrentes: um impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals, no Canadá, após revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo do metal, e uma baixa de US$ 2,8 bilhões relacionada a imposto diferido em subsidiárias.
A receita líquida de vendas alcançou US$ 11,06 bilhões no quarto trimestre, alta de 9% na comparação anual e de 6% frente ao trimestre anterior. Em 2025, a receita totalizou US$ 38,4 bilhões, avanço de 1% ano a ano.
Já o Ebitda ajustado — indicador que mede a capacidade de geração de caixa operacional — subiu 21% na comparação anual no quarto trimestre, para US$ 4,59 bilhões. No acumulado do ano, o Ebitda ajustado atingiu US$ 15,46 bilhões, crescimento de 4%.
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Ação VALE3 já foi longe demais? É o que aposta o BofA
Se, por um lado, a Vale mostra disciplina operacional, por outro o mercado começa a questionar até onde vai o fôlego das ações VALE3.
O Bank of America (BofA) decidiu rebaixar a recomendação da Vale, de compra para neutra. Para os analistas, o rali de 94% desde abril de 2025 levou os papéis além do que os fundamentos do minério de ferro justificariam neste momento.
A diferença de performance entre ação e commodity chama atenção dos analistas: enquanto os ADRs da Vale negociados em Nova York acumulam alta de 35% no ano, o minério de ferro recua cerca de 7%, negociado próximo de US$ 99 por tonelada.
Na avaliação do banco, o mercado global de minério pode enfrentar um ambiente menos favorável nos próximos trimestres, o que recomenda cautela — especialmente considerando que cerca de 82% do Ebitda da companhia ainda depende do minério de ferro.
O BofA, no entanto, não ignora os pontos fortes. A disciplina de custos e a execução operacional seguem como pilares importantes de geração de valor.
O banco inclusive elevou o preço-alvo do ADR de US$ 17 para US$ 18 e o da ação no Brasil de R$ 89 para R$ 95 — potenciais de valorização de 6% e 8%, respectivamente.
*Com informações do Money Times.
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