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TATU-BOLA

Ameaçada de extinção, espécie que inspirou o mascote da Copa de 2014 ganha um novo plano de proteção

Plano nacional busca reduzir ameaça de extinção à espreita há décadas, fortalecendo a conservação do tatu-bola e de espécies semelhantes nos próximos anos

fuleco
Fuleco, mascote oficial da Copa do Mundo 2014. - Imagem: Fifa/Wikicommons

Há 12 anos, o tatu-bola ganhou status de celebridade global por intermédio do Fuleco. A espécie nativa inspirou o mascote da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil.

Mas sua importância vai muito além do evento. Encontrado na Caatinga e em parte do Cerrado, o mamífero tem papel fundamental na natureza, sobretudo no controle de pragas, na regeneração do solo e na cadeia alimentar.

O problema é que o tatu-bola agora corre o risco de extinção. Mesmo após toda a visibilidade que ganhou com o torneio, a espécie é classificada como “em perigo” — a segunda categoria mais preocupante entre as ameaças à fauna —, segundo órgãos de conservação de biodiversidade.

Por isso, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) está prestes a lançar o Pan Tatá, um plano de ação nacional para conservação do tatu-bola e de outras espécies de xenartros.

O intuito seria minimizar as principais ameaças que acometem o mamífero nos próximos cinco anos, por meio de ações como mapeamento genético e o combate ao atropelamento e à caça.

Os riscos ao Fuleco

De acordo com o ICMBio, o tatu-bola é o menor e menos conhecido tatu do Brasil. A sobrevivência da espécie é extremamente sensível às alterações de habitat, já que apresenta baixa taxa de crescimento populacional.

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Apesar de estar registrado predominantemente em mais de 70 municípios do semiárido brasileiro, o animal já perdeu cerca da metade de sua área original de ocorrência ao longo das últimas décadas.

Isso porque os biomas onde vive são alvos de ações humanas, como empreendimentos energéticos, a construção de estradas e o avanço da agropecuária — afetando o seu modo de vida e deixando-os expostos a incêndios e contaminações.

Além disso, a caça predatória e de subsistência, por mais que sejam ilegais, ainda fazem parte da cultura alimentar regional. E, pelo fato de os tatus-bola não escavarem tocas — tendo como uma de suas únicas defesas o ato de enrolar-se —, eles podem ser facilmente apanhados pelos humanos.

Eles também são ameaçados por colisões com veículos, perseguição por humanos, envenenamento por inseticidas e enfermidades associadas à proximidade de animais domésticos.

CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN
CONTINUA DEPOIS DO CONTEÚDO PAN

O Pan Tatá

Para garantir a sobrevivência do tatu-bola, foi instituído, pela Portaria nº 534/2022, o Plano de Ação Nacional para a Conservação do tamanduá-bandeira, tatu-canastra e tatu-bola — o Pan Tatá, como é conhecido.

Liderado pelo ICMBio, o plano busca garantir a sobrevivência das espécies ao longo de suas áreas de ocorrência. A proposta é reduzir as principais ameaças nos próximos cinco anos e melhorar o manejo das populações, ampliando os estudos científicos sobre elas.

As ações incluem a diminuição dos impactos do fogo, das estradas e da caça, e propõem o manejo integrado das espécies, tanto em cativeiro quanto na natureza.

Objetivos e ações do Plano de Ação Nacional do ICMBio. Imagem: Sumário do 1º ciclo de gestão do Pan Tatá

Nesse contexto, áreas prioritárias para a conservação foram delimitadas. Diante da maior ocorrência no Piauí, o governo federal ampliou as unidades de conservação local, como o Parque Nacional da Serra das Confusões.

*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.

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