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NAS VÉSPERAS DO COPOM

Inflação pega o elevador e IPCA-15 de abril é o pior desde 2022. Os cortes de juros podem acabar mais cedo?

Índice acelera de 0,44% em março para 0,89% em abril, e qualitativo preocupa: alimentação e transportes pressionam; saiba o que pode acontecer com a Selic daqui para frente

Imagem: Montagem Seu Dinheiro/iStock/Andrey Shadrin

Se a economia brasileira fosse um filme de suspense, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) divulgado nesta terça-feira (28) seria aquele barulho estranho no porão logo antes da cena principal: o corte dos juros.

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O índice, considerado uma prévia da inflação oficial, subiu 0,89% em abril, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). À primeira vista, o número assusta: é a maior taxa para o mês desde 2022 e o maior avanço mensal desde fevereiro de 2025. 

Mas, como diz ditado, o diabo mora nos detalhes — e, neste caso, ele veio com um pequeno alívio. 

Entre o susto e a realidade 

Apesar de ter acelerado em relação aos 0,44% de março, o IPCA-15 de 0,89% foi, tecnicamente, uma surpresa positiva. 

O mercado esperava um avanço mais forte. As projeções coletadas pelo Broadcast iam de 0,90% a 1,11%, com mediana de 0,98%. Ou seja, o resultado veio abaixo do piso das expectativas. 

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No acumulado de 12 meses, no entanto, a inflação acelerou de 3,90% em março para 4,37% em abril, interrompendo dois meses de calmaria. Mais uma vez, o número ficou abaixo do piso das estimativas (4,47%). 

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Ninguém escapou ileso em abril. Todos os nove grupos de produtos e serviços subiram. 

Mas os grandes protagonistas dessa história, segundo o IBGE, foram Alimentação e Bebidas, com alta de 1,46%, e Transportes, com alta de 1,34% na esteira do aumento dos preços de energia e combustíveis por conta da guerra no Irã. 

Em nível regional, Belém foi a capital que mais sentiu o peso (1,46%), enquanto Brasília teve o refresco mais brando (0,41%). 

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Juros: bomba ou estalinho? 

O IPCA-15 caiu como uma bomba — ou talvez um estalinho — um dia antes da Super Quarta, como é conhecido o dia em que ocorrem decisões simultâneas de juros no Brasil e nos EUA

A pergunta de um milhão de reais (corrigidos pelo IPCA) é: a Selic vai continuar caindo? 

Para a Capital Economics, a resposta é sim. A consultoria britânica acredita que o Comitê de Política Monetária (Copom) tem espaço para um corte de juros de 0,25 ponto porcentual (pp) amanhã (29), levando a Selic para 14,50%. 

O argumento é que, apesar da alta nos alimentos e energia, as pressões subjacentes ainda não foram totalmente contaminadas. 

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O Inter e o Itaú também veem esse corte de 0,25 pp no horizonte, mas o otimismo para por aí. 

O economista sênior do Inter, André Valério, nota que, ao excluir as passagens aéreas (que caíram), a inflação de serviços continua resiliente. 

Já economista Luciana Rabelo, do Itaú, alerta que o qualitativo do dado foi pior, com itens de higiene pessoal e vestuário já refletindo os efeitos indiretos do petróleo. 

O balde de água fria do Citi 

Se o curto prazo ainda permite algum alívio, o longo prazo ganhou tons mais cinzentos. 

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O Citi revisou a previsão de inflação para 2026 de 3,8% para 4,5%. Com isso, o banco norte-americano projeta uma queda muito mais lenta dos juros daqui para frente. 

O banco acredita que o Copom será forçado a adotar uma postura mais conservadora, encurtando o ciclo de cortes. Na visão dos analistas, a Selic deve terminar 2026 em 13,25%, acima do que se esperava anteriormente. 

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