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Relatório da Global X compilou as tendências globais dos próximos anos e fala como os ETFs podem viabilizar a participação nesses investimentos

Se você abre o aplicativo da sua corretora hoje e olha para o Ibovespa, o retrato é o mesmo de anos atrás: um índice dominado por bancos, exportadoras de commodities e empresas domésticas. Embora esses setores sustentem a economia local, eles não oferecem exposição às tecnologias que estão remodelando o mundo.
O banco X, Y ou Z pode estar integrando a inteligência artificial em seus serviços, mas não é uma empresa de tecnologia voltada para o desenvolvimento de IA. A drogaria A, B ou C pode se beneficiar da venda de Ozempic ou Mounjaro, mas não é uma farmacêutica focada em biotecnologia e criação de novos medicamentos.
A lista continua, e o mesmo pode ser dito de uma série de outras teses que estão crescendo mundo afora:
O relatório Charting Disruption, da Global X, afirma que essas inovações não são mais uma promessa para o futuro distante, mas uma realidade que já movimenta trilhões de dólares.
Para o investidor comum, a pergunta mudou de "isso vai acontecer?" para "como eu participo desse crescimento?". Seu Dinheiro conversou com Flavio Vegas, especialista em produtos da Global X, para entender os caminhos para participar desses movimentos.
A inteligência artificial está deixando de ser apenas um processador de dados digitais para ganhar um "corpo" via robótica. Se a IA é o cérebro, os robôs humanoides representam cada vez mais a camada de execução que permite que essa inteligência realize tarefas físicas complexas no mundo real.
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Na China, os robôs humanoides já atuam em fábricas, hotéis e hospitais — tudo isso mesmo sem ter, ainda, alcançado o raciocínio de nível humano. Por lá, os robotáxis também prosperam operando frotas sem motorista em cidades como Pequim, Wuhan e Shenzhen.
Em paralelo, a tese de eletrificação e energia nuclear ganha força como combustível estável e limpo. Com a IA, os veículos elétricos e os data centers consumindo volumes massivos de eletricidade, o surgimento de pequenos reatores nucleares (SMRs) reduz o tempo de construção de usinas de 15 para apenas três anos, garantindo o suprimento que as grandes empresas de tecnologia precisam para crescer.
Já na biotecnologia, o ano de 2025 marcou um ponto de inflexão histórico, em que tratamentos biológicos complexos e terapias gênicas superaram as pílulas tradicionais em receita.
Os medicamentos da classe GLP-1, presentes nas famosas canetas emagrecedoras, também foram destaque ao ir além do combate à obesidade, com potencial clínico para tratar doenças como Alzheimer e insuficiência cardíaca.
Para o investidor brasileiro, o maior desafio dessas teses é a falta de exposição a elas na bolsa local. Mesmo as teses mais comuns, de mineração e infraestrutura, não correspondem ao modelo de negócios das companhias brasileiras.
A mineração, por exemplo, é de minerais críticos, como cobre, lítio, níquel, cobalto — não é petróleo ou minério de ferro. Já a tese de infraestrutura está ligada à desenvolvimento urbano sustentável, alinhado ao planejamento climático e a implantação de data centers. Nada visto ou desenvolvido no Brasil.
Por isso, a única forma de navegar essa onda é olhando para as empresas estrangeiras.
Nos Estados Unidos, é muito comum que teses grandes de investimento sejam viabilizadas por meio de fundos de índice, os ETFs (Exchange Traded Funds). Com esses ativos é possível investir em muitas companhias de uma única vez, sem necessidade de girar a carteira com frequência (gestão passiva), e com baixa taxa de administração.
A Global X, que elaborou o relatório, é especializada em ETFs. A empresa tem US$ 125 bilhões sob gestão ao redor do mundo, alocados em mais de 400 ETFs.
Todas as teses presentes no Charting Disruption têm pelo menos um ETF correspondente para investir. Em alguns casos, os fundos têm recibos listados na B3: os BDRs de ETFs.
| Tese de Investimento | O que você está comprando? | Ticker EUA | Ticker Brasil (BDR) |
|---|---|---|---|
| IA & Semicondutores | Empresas que desenvolvem IA e seus chips. | AIQ / CHPX | BAIQ39 |
| Robótica & IA Física | Robôs humanoides e automação industrial. | BOTZ | BOTZ39 |
| Defesa & Segurança | Tecnologias de proteção nacional e modernização militar. | SHLD / BUG | BBUG39 |
| Infraestrutura | Desenvolvimento urbano e reindustrialização. | PAVE | BPVE39 |
| Eletrificação | Redes elétricas, energia limpa e produtores de renováveis. | CTEC / ZAP | BCTE39 |
| Minerais Críticos | Mineradoras de lítio, cobre e urânio essenciais para baterias. | LIT / COPX / URA | BLBT39 / BCPX39 / BURA39 |
| HealthTech | Tecnologia que cura ineficiências no sistema de saúde. | HEAL | - |
| Biotecnologia | Medicina de precisão, terapias gênicas e os novos GLP-1s. | GNOM | BGNO39 |
Estes ETFs buscam a valorização da cota ao longo do tempo. Eles não são focados em dividendos; o retorno esperado vem do crescimento das empresas, dado o desenvolvimento do serviço ou produto oferecido.
Em alguns casos, pode até ter pagamento de dividendos, mas o rendimento anual (dividend yield) costuma ser baixo, segundo Flavio Vegas, especialista em produtos da Global X, por não ser o objetivo do fundo — ou das empresas.
Vegas também destaca a carteira diversificada dos ETF: a maioria desses produtos investe em empresas de diferentes países, reduzindo o risco de depender de uma única economia.
O BOTZ, de robótica, por exemplo, tem exposição a empresas de dez países. Dentre eles Japão, Suíça, Coreia do Sul, China e Finlândia. O SHLD, de defesa, tem mais de dez países, sendo alguns bastante raros de se ver em fundos, como Suécia, Israel, Austrália e Turquia.
“São empresas que normalmente não estão no radar do investidor, mas são relevantes na tese de cobertura do fundo. Elas têm grande parte de suas receitas voltada a esse tema”, diz Vegas.
Outra consideração muito importante é a exposição ao dólar. Mesmo no caso dos BDRs, que o investidor compra em reais no Brasil, a performance do ETF está atrelada ao desempenho da moeda norte-americana.
O especialista da GlobalX afirma que os fundos não têm proteção (hedge) à variação do dólar.
Neste momento, em que a maior parte dos agentes financeiros acredita que o dólar vai continuar enfraquecido contra seus pares globais — real incluso —, ter isso em mente é essencial.
Entretanto, Vegas pondera que se trata de um investimento para o longo prazo, de modo que, eventualmente, a performance do dólar deve voltar e faz parte do combo “diversificação no exterior”.
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