Cortes de geração, dificuldades de conexão e alta do dólar: mercado de energia solar cai 29% no Brasil
A potência adicionada no País, que considera tanto as grandes usinas quanto os sistemas de pequeno porte instalados em telhados e terrenos, somou 10,6 gigawatts (GW) no ano passado

O mercado de energia solar fotovoltaica no Brasil registrou forte retração em 2025. De acordo com levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a potência adicionada no País — considerando tanto as grandes usinas quanto os sistemas de pequeno porte instalados em telhados e terrenos — somou 10,6 gigawatts (GW) no ano.
O valor representa uma queda de 29% em relação a 2024, quando foram registrados 15 GW.
Entre os principais fatores que explicam o desempenho negativo estão os cortes de geração, as dificuldades de conexão à rede elétrica e a alta do dólar, que encareceu os equipamentos importados utilizados nos projetos fotovoltaicos.
O volume de investimentos também recuou de forma significativa. Em 2025, os aportes em novos projetos solares, tanto na geração centralizada quanto na distribuída, somaram R$ 32,9 bilhões nos últimos 12 meses, ante R$ 54,9 bilhões em 2024. Isso representa uma queda de 40%.
Mercado de energia solar está retraído
Segundo a ABSOLAR, a retração é resultado de uma combinação de fatores. No caso das grandes usinas, a entidade aponta prejuízos financeiros impostos aos geradores, decorrentes da falta de ressarcimento pelos recorrentes cortes de geração.
Já nos pequenos e médios sistemas fotovoltaicos, a queda está relacionada aos entraves de conexão à rede, sob a justificativa de incapacidade das redes e inversão de fluxo de potência. Com isso, consumidores ficam menos interessados em produzir a própria energia renovável localmente.
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O setor também enfrentou, ao longo do ano passado, um ambiente macroeconômico desfavorável, marcado pelo alto custo do capital para crédito, elevada volatilidade do dólar e alíquotas altas do imposto de importação sobre equipamentos fotovoltaicos. Esse conjunto de fatores impactou diretamente a tomada de decisão de investimentos em novos projetos no País.
Panorama da energia solar no Brasil
Apesar da retração recente, a energia solar segue com peso relevante na matriz elétrica brasileira. Atualmente, a fonte representa 24,5% da potência instalada nacional, o que posiciona a solar como a segunda maior fonte do País. As grandes usinas solares estão presentes em 27 estados, distribuídas por todas as regiões. Desde 2012, os investimentos acumulados no segmento ultrapassam R$ 88 bilhões, com arrecadação superior a R$ 29,1 bilhões para os cofres públicos.
Na geração distribuída, os investimentos somam mais de R$ 196 bilhões no mesmo período, com R$ 59,7 bilhões em arrecadação e mais de 1,3 milhão de empregos acumulados. A modalidade está presente nas cinco regiões do Brasil, e a tecnologia solar responde atualmente por 99,98% das conexões de geração própria no País.
Dos 10,6 GW adicionados em 2025, a geração distribuída foi responsável por 7,8 GW, enquanto a geração centralizada contribuiu com 2,8 GW. No acumulado desde 2012, o Brasil conta com 63,7 GW de potência operacional em energia solar, sendo 43,7 GW provenientes da geração distribuída e 20 GW da geração centralizada.
Mesmo com a redução dos investimentos, o setor gerou mais de 319,8 mil empregos verdes em 2025, espalhados por todas as regiões do território nacional. Desde 2012, a fonte solar já atraiu mais de R$ 282,6 bilhões em investimentos acumulados e gerou mais de 1,9 milhão de novos postos de trabalho.
Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR, afirma que a fonte fotovoltaica segue tendo papel fundamental no atendimento à sociedade com energia limpa, especialmente em períodos de maior calor, quando há aumento da demanda e níveis mais baixos dos reservatórios hidrelétricos.
“Esse cenário reforça a importância de o setor avançar em inovação, eficiência e novos modelos de negócios. A combinação da geração solar com sistemas de armazenamento em baterias representa uma oportunidade estratégica para ampliar o suprimento, aumentar a segurança da operação do sistema elétrico e contribuir de forma ainda mais consistente para o desenvolvimento do Brasil”, diz.
“A fonte solar tem o menor preço de geração de eletricidade do País e ajuda a aumentar a competitividade dos setores produtivos, com mais economia e redução de gastos aos consumidores em geral.”
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