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GRANDES FORTUNAS

Brasil ‘formou’ 9 mil milionários em 2025 — mas a classe média estagnou e o país é o 4º mais desigual do mundo, diz UBS

O brasileiro médio ficou mais pobre nesta década, com a riqueza média real do país caindo 3,13% desde 2020

Desigualdade xadrez dinheiro investimentos
O Brasil era o país com maior concentração de milionários da América Latina em 2025. Imagem: Shutterstock

O ano de 2025 foi extraordinário para a riqueza global. O patrimônio pessoal no mundo cresceu 10,8% em termos nominais (sem ajuste pela inflação) — alta mais acelerada desde 2017. Esse avanço superou a expansão econômica mundial.

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Ao todo, o mundo ganhou quase um milhão de novos milionários, com destaque para a liderança dos Estados Unidos e da China.

Os dados são do relatório de riqueza global do banco UBS e indicam que o impulso deste crescimento veio dos mercados financeiros e da valorização de ativos.

O Brasil também aumentou a sua parcela de cidadãos com mais de sete dígitos em patrimônio. O relatório do UBS indica a formação de 9.215 novos milionários brasileiros em dólares — um crescimento de 2,4% em relação ao ano anterior.

Mas, como a canção de As Meninas já dizia, “o motivo todo mundo já conhece: é que o de cima sobe, e o de baixo, desce”.

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Enquanto o topo da pirâmide financeira atinge novos recordes, a ascensão social do brasileiro médio parece ter encontrado um teto de vidro.

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Ao olhar a economia por inteiro, os dados do banco suíço indicam que a riqueza média real por adulto do Brasil caiu 3,13% desde 2020, ajustada pela inflação e em moeda local.

Os milionários e os bilionários brasileiros

Com 9 mil milionários a mais, o Brasil consolidou sua posição como o país com maior concentração de milionários da América Latina.

Segundo o UBS, há cerca de 386 mil brasileiros com patrimônio superior a US$ 1 milhão (cerca de US$ 5,19 milhões na cotação do dia).

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Para quem já estava no topo da riqueza no Brasil, o fôlego foi ainda maior. O relatório destaca que os segmentos "acima dos US$ 5 milhões" vêm crescendo a uma taxa composta anual de 10% desde o início do milênio.

Atualmente, o país abriga 43 mil adultos com patrimônio milionário, entre US$ 5 milhões e US$ 100 milhões.

O salto mais impressionante, contudo, ocorreu entre os bilionários: a riqueza coletiva desse grupo no Brasil aumentou em mais de 50% entre 2025 e 2026. O relatório, entretanto, não informa de quanto é essa riqueza — mas dá informações relevantes sobre a sua origem.

Diferentemente do que acontece na maior parte dos outros países do mundo, cerca de 73,3% da riqueza bruta dos brasileiros está em ativos financeiros.

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Este percentual é superior ao de países como Suíça (65,3%), China (51,9%) e Alemanha (43,6%), onde imóveis têm maior peso. Por outro lado, o número está próximo ao dos Estados Unidos: 78,9%.

O UBS aponta que, à medida que mercados emergentes amadurecem, suas taxas de crescimento da riqueza tendem a se alinhar com as de mercados desenvolvidos.

Para o Brasil, entretanto, o desafio do futuro não é a geração de riqueza bruta, mas sim a capacidade de protegê-la da inflação e fazê-la circular para além do topo.

A classe média no mesmo lugar

A estagnação social da classe média brasileira já dura uma década, segundo o relatório do UBS

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A linha do tempo traçada pelo banco suíço mostra que a era de ouro da mobilidade brasileira aconteceu entre 2000 e 2010. Naquela década, a base da pirâmide (pessoas com patrimônio abaixo de US$ 10 mil) encolheu de 90% para 66% da população adulta.

Mas parou por aí. Desde 2010, a classe média, que tem entre US$ 10 mil e US$ 100 mil, parou de crescer. Em 2025, o percentual de brasileiros nessa faixa ainda era de 69% — um nível maior do que o registrado há 15 anos.

Os cálculos do UBS consideram ganhos reais de patrimônio durante o período, ou seja, eles ajustam os valores de acordo com a inflação. E isso faz muita diferença. Demonstra a perda do poder de compra da população média nos últimos anos.

Em outras palavras: o brasileiro médio ficou mais pobre nesta década. A riqueza média real do país, por adulto, caiu 3,13% desde 2020.

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Enquanto países como a Coreia do Sul viram sua riqueza real saltar mais de 50% no mesmo período, o Brasil faz parte de um grupo de 15 mercados onde a alta dos preços (inflação) e as condições econômicas durante a pandemia (2020 a 2023) corroeram o patrimônio acumulado.

O peso da desigualdade e da dívida

Embora esses 3,13% já sejam negativos, como é uma média, é um número suavizado pelo excelente desempenho das fortunas dos milionários nos últimos anos. A realidade é mais dura para a população média.

A riqueza mediana, que representa exatamente o meio da escala social, sofreu uma queda significativamente maior: contração superior a 20% no acumulado de 2020 a 2025.

O resultado foi um coeficiente Gini, que mede o nível de igualdade de riqueza dentro de uma população, de 0,81 para o Brasil em 2025. Com isso, o país é hoje o 4º mais desigual do mundo em riqueza.

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O coeficiente Gini varia de 0 a 1; quanto mais próximo de 1, maior a concentração de riqueza.

Desigualdade de riqueza, medida pelo coeficiente de Gini

Classificação País Coeficiente de Gini  
Emirados Arábes Unidos  0,82 
Rússia 0,82 
África do Sul 0,81 
Brasil 0,81 
Arábia Saudita  0,78 
Fonte: UBS Global Wealth Report 2026

Segundo o UBS, esse cenário de desigualdade é agravado pelo nível endividamento da população.  

O relatório diz que o Brasil apresenta um nível de dívida de 23,4% em relação à sua riqueza bruta. O número é superior a outros mercados globais.  

Na tabela comparativa de 28 países selecionados, o Brasil tem o maior percentual, superando economias como o Reino Unido (20%), os Estados Unidos (10,9%) e o México, onde a dívida representa apenas 5,2% da riqueza bruta. 

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Para a classe média, que já enfrenta a erosão do poder de compra pela inflação, esse nível de endividamento é uma âncora — compromete uma parcela considerável do patrimônio, limitando a capacidade de investimento e de subida nos degraus da pirâmide social. 

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