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SINAL AMARELO

Itaú BBA vê crédito mais seletivo para o agronegócio e diz o que esperar a partir de agora

Diretor do Itaú BBA diz que financiadores devem priorizar produtores mais resilientes em meio ao aumento da inadimplência

Ação do agronegócio, etanol, açúcar, São Martinho (SMTO3).
Agronegócio - Imagem: iStock/JamesBrey

A palavra que deve guiar as decisões de crédito no próximo ciclo do agronegócio é seletividade, já que o cenário é de margens pressionadas, juros elevados e aumento da inadimplência no campo. Quem diz isso é Pedro Fernandes, diretor do segmento no Itaú BBA.

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Para ele, muitos produtores ampliaram investimentos em um período de juros baixos e rentabilidade elevada. Agora, se deparam com uma realidade bem diferente, marcada por preços mais fracos para as commodities, custos ainda altos e despesas financeiras pesando sobre o resultado operacional.

“Os produtores vêm de investimento alto em uma época de margens elevadas e taxas muito baixas e passaram para um cenário de margens bastante pressionadas e juros altos”, afirmou Fernandes durante a 12ª edição do Agro em Pauta, evento promovido pelo Itaú BBA.

O banco, segundo o executivo, já observa aumento da inadimplência no encerramento da safra 2025/26 em relação ao ciclo anterior — uma tendência que exige mais rigor na análise de crédito para a próxima temporada.

Crédito deve crescer, mas com mais filtros

Apesar do ambiente mais desafiador, Fernandes disse que o banco segue comprometido com o financiamento do agronegócio. A projeção do Itaú BBA é de crescimento de aproximadamente 10% da carteira de crédito em 2026/27, sem considerar os efeitos da variação cambial.

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Mas esse avanço não deve significar afrouxamento dos critérios de concessão. Pelo contrário: o crescimento tende a se concentrar em clientes considerados mais resilientes do ponto de vista financeiro.

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De acordo com o executivo, produtores mais alavancados, especialmente aqueles com maior participação de áreas arrendadas, devem encontrar mais dificuldade para acessar recursos.

Agronegócio: rentabilidade menor no campo

Fernandes também afirmou que praticamente todas as cadeias produtivas passaram a conviver com um cenário de menor rentabilidade.

Café e pecuária ainda preservam margens relativamente favoráveis. Já segmentos como soja, milho, cana-de-açúcar, aves e suínos enfrentam condições mais desafiadoras do que na safra anterior.

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O diretor do Itaú BBA ressaltou ainda que o início do ano-safra é um período decisivo para o produtor. É nesse momento que são definidas estratégias de compra de fertilizantes, adoção de tecnologia, rotação de culturas e comercialização da produção.

Na avaliação dele, essas decisões ganham ainda mais peso em um ambiente de custos elevados e maior restrição ao crédito.

“Continuamos acreditando no agronegócio no longo prazo, mas, no curto prazo, vemos uma série de desafios de financiabilidade”, afirmou.

*Com informações do Money Times

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