Nvidia e outras empresas de IA enfrentam o “vale das sombras” após alerta da Anthropic; o que fazer com as ações?
Temores sobre o futuro da IA inteligência artificial pressionam os papéis do setor de tecnologia, enquanto valuations mais baixos colocam investidores diante do dilema: aproveitar a queda ou esperar por novos tombos?

As empresas ligadas à inteligência artificial (IA) passam por um momento delicado. Depois da euforia com o avanço da tecnologia, o clima começou a pesar, especialmente diante dos temores de que a IA poderia acabar com a humanidade.
O alerta veio de dentro do próprio setor. Enquanto CEOs das gigantes de IA defendem que o ritmo de desenvolvimento da tecnologia seja reduzido para “evitar danos aos seres humanos”, os investidores parecem ter levado o aviso a sério. E as ações sentiram as consequências na pele.
Um exemplo disso é que a Nvidia, uma das queridinhas do ramo, passou a penar para apresentar múltiplos convincentes.
Para quem detém algum desses papéis, fica a dúvida: é hora de recuar, aproveitar a queda para comprar ou apenas assistir à “faca caindo”?
O caso da Nvidia
Nesta segunda-feira (21), as ações da Nvidia subiram 2,30%, cotadas a US$ 227,38, acumulando uma valorização de 22% desde o começo do ano. Mas nem tudo são flores para a companhia.
Segundo análises, como a do agregador Alpha Spread e Barchart, a Nvidia está sendo negociada a um preço sobre lucros (P/E, na sigla em inglês) de 28,3 — valor 42% menor do que a média de 49 dos últimos três anos — e a um valuation mais barato em, pelo menos, uma década.
Leia Também
O P/E é uma métrica referente à capacidade da companhia de gerar retornos para os investidores. Ela é calculada a partir da divisão o valor de mercado da empresa pelo seu lucro total.
Para o investidor, o P/E deve ser lido como um indicador de que a empresa está barata demais em relação aos seus lucros ou refletir expectativas de crescimento mais contidas, além de riscos maiores dos negócios e, em último caso, problemas gerenciais. E é justamente esse dilema que aparece no caso da Nvidia.
Comprar ou vender?
Quem responde essa pergunta é Marcel Zambello, head de US Equities do BTG Pactual. Para o especialista, a Nvidia continua tendo “fundamentos bastante sólidos”, e um “crescimento resiliente”, mas que está presa em uma dicotomia entre os fatores microeconômicos e macroeconômicos.
“No caso da Nvidia, o quadro operacional segue muito forte. No entanto, como o ambiente macroeconômico permanece desafiador, o mercado tende a limitar a magnitude dos movimentos de alta, mesmo diante de resultados e perspectivas bastante positivos”, afirma.
Zambello descreve os desafios do cenário macroeconômico: juros mais altos por mais tempo, somados às discussões sobre a segurança e a sustentabilidade dos modelos de IA e ao petróleo elevado, que acabam pressionando os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro norte-americano para cima.
Com retornos maiores, esses títulos se tornam mais atraentes e reduzem o apetite por ativos de maior risco, como as ações, sobretudo de empresas de crescimento e tecnologia.
Do lado da companhia, porém, Zambello destaca que os fundamentos seguem sólidos. O crescimento permanece resiliente, enquanto os hyperscalers continuam aumentando seus planos de capex (investimentos em bens de capital), o que sustenta uma demanda robusta por infraestrutura de IA.
Por isso, o analista acredita que, no longo prazo, os fundamentos da Nvidia devem prevalecer, uma vez que o principal catalisador do preço das ações é a geração de lucros.
A história das IAs
A cautela dos investidores e a queda dos papéis das empresas se deu após a postagem, no último dia 12, de um ensaio escrito pelo presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, na plataforma X.
No texto, há um pedido às empresas de IA que diminuíssem o ritmo de avanço das capacidades dos modelos em meio a temores crescentes de uso indevido da inteligência artificial. Tanto Elon Musk, que tem sob seu guarda-chuvas a xAI, quanto Sam Altman, presidente-executivo da OpenAI, afirmaram concordar com Amodei.
Amodei também escreveu que, em seis a 12 meses, agentes de IA “poderiam ser capazes de assumir o controle de toda a internet, causando potencialmente centenas de bilhões de dólares em danos”.
O efeito cascata foi imediato: Altman reafirmou que a empresa não deve dar sequência na oferta pública de ações (IPO) neste ano, citando preocupações com segurança. No Japão, além do SoftBank, ações de fabricantes de chips também perderam até 9,8% no pregão da última segunda-feira (14).
Nesse mesmo dia, em Taiwan, a TSMC recuou 1,2%, enquanto na Coreia do Sul, a SK Hynix caiu 5,3% e a Samsung Electronics registrou queda de 3,7%. Em Xangai, a fabricante de chips de memória CXMT chegou a cair 3,6%, enquanto a Semiconductor Manufacturing International Corporation recuou 2,6%.
Em outras partes da Ásia também foram registradas fortes perdas de empresas do setor.
Um “banho de água fria”
O alerta de Amodei pode soar humanista, mas alguns analistas internacionais enxergam para além de uma mera preocupação com a sociedade. Para eles, trata-se de uma jogada para amenizar as expectativas do mercado em torno da própria IA.
Os analistas defendem que desde o lançamento das IAs, o mercado vem colocando dinheiro em teses cada vez mais arriscadas. As receitas e os investimentos em acompanhando o ritmo do influxo de dinheiro, com projetos multibilionários projetados para além de 2035 que, dada a dinâmica atual do setor, talvez demorem a se pagar.
Nesse contexto, esses analistas observam que os valores das ações de empresas, como AMD e Nvidia, já incorporam expectativas elevadas de crescimento futuro. Sob essa ótica, Amodei estaria “recalibrando as expectativas” em torno dos investimentos em IA para os próximos anos, diante da possibilidade de que as projeções de lucro não correspondam ao que vem sendo precificado pelo mercado.
O próprio megainvestidor Michael Burry, conhecido por ter “previsto” a crise de 2008 e por ser uma referência para teses alternativas, afirmou que OpenAI e Anthropic estariam fazendo avisos falsos sobre a IA devido ao crescimento mais lento dos modelos antes dos seus respectivos IPOs.
Burry escreveu sobre o tema em sua página no Substack após a publicação do texto de Amodei.
*Sob supervisão de Carlina Gama.
*Com informações de Money Times.
OPERAÇÃO REMOTA
Aposta feita pela internet fatura sozinha prêmio de quase R$ 12 milhões na Quina; Mega-Sena, Lotofácil e outras loterias acumulam
5 de novembro de 2026 - 5:56POLÍTICA MONETÁRIA
Copom segura Selic em 13,75% e interrompe ciclo de cortes iniciado há cinco reuniões
4 de novembro de 2026 - 18:48CALMA MERCADO
Chegou a hora: Lula fará pronunciamento neste domingo para anunciar medidas de ajuste fiscal
4 de novembro de 2026 - 17:43FREIO NOS CORTES
Há uma pedra no caminho da Selic – e o próximo corte de juros pode depender de Lula
4 de novembro de 2026 - 6:43SAIU DO ATOLEIRO
Lotofácil 3820 tem 41 ganhadores, mas só um deles vai sacar prêmio milionário; Mega-Sena promete R$ 46 milhões hoje, mas tem loteria pagando mais
4 de novembro de 2026 - 5:56NOVA ECONOMIA?
Análise: o que o ‘acusador’ André Lara Resende colocou em debate e vale mais do que a proposta em si
3 de novembro de 2026 - 14:33INSTABILIDADE
Banco do Brasil enfrenta instabilidade em aplicativos e clientes relatam dificuldades em usar Pix
3 de novembro de 2026 - 12:30NOVIDADES NO RADAR
Caixa abre apostas para a Mega da Virada 2026 com prêmio bilionário e mudança na data e no horário do sorteio
3 de novembro de 2026 - 9:42RESSACA ELEITORAL
Menos cortes nos juros, mais inflação: Focus muda de cara às vésperas do Copom
3 de novembro de 2026 - 9:10Conteúdo Empiricus
Pote de ouro? Esse setor pode ser a chave para proteger sistemas de ataques de IA; ativos ligados a ele podem se valorizar até 42 vezes, segundo analistas
3 de novembro de 2026 - 9:00POLÍTICA ECONÔMICA
Por que o possível encontro de Lula com um dos pais do Plano Real deixou o mercado financeiro em alerta
2 de novembro de 2026 - 13:58MAIS LIDAS DO SD
Cruzeiro que terminou com passageiros abandonados, planos de Lula para o MEI, anulação das eleições e mais: veja o que bombou nesta semana
1 de novembro de 2026 - 17:24ANOTE NO CALENDÁRIO:
Queda da Selic à vista? Copom e payroll dividem atenções em semana mais curta no Brasil; veja a agenda econômica
1 de novembro de 2026 - 15:04Dívidas
Oncoclínicas (ONCO3) consegue apoio de credores para avançar com plano de recuperação de R$ 5,7 bilhões
31 de outubro de 2026 - 11:00TOUROS E URSOS #294
O efeito Lula 4: sangria na B3 e dólar a R$ 5,40; o que fazer com seus investimentos após a virada nas urnas
30 de outubro de 2026 - 19:39O QUE ABRE E O QUE FECHA
A bolsa abre no feriado de Finados? Veja como ficam os horários dos bancos, Correios, agências de INSS e outros serviços
30 de outubro de 2026 - 6:30VOLTANDO AO NORMAL
Aposta do Rio de Janeiro fatura quase R$ 4 milhões na Lotofácil 3817; Mega-Sena acumula depois de pagar o maior prêmio individual da história das loterias no Brasil
30 de outubro de 2026 - 5:45HORA DE COMPRAR?
Lucro cresce, caixa surpreende e Citi volta a recomendar compra para Motiva (MOTV3), mas com preço-alvo mais baixo
29 de outubro de 2026 - 14:01É RECORDE!
Mega-Sena desencanta e aposta do Mato Grosso fatura sozinha prêmio de R$ 324,9 milhões
29 de outubro de 2026 - 5:49CARRO-CHEFE ENCALHADO